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Departamento de Justiça dos EUA intima o Fed e mira Jerome Powell

Investigação envolve depoimento do presidente da instituição sobre reforma bilionária e ocorre em meio à pressão do governo Trump por cortes nos juros

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Donald Trump e Jerome Powell: apuração envolve a reforma bilionária da sede do Fed | Chip Somodevilla/Getty Images

O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificou a pressão sobre o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) ao ameaçar um indiciamento criminal contra o presidente da instituição, Jerome Powell.

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O Departamento de Justiça enviou ao Fed intimações relacionadas ao depoimento prestado por Powell ao Comitê Bancário do Senado no ano passado sobre um projeto de reforma de prédios da instituição, estimado em US$ 2,5 bilhões.

O Wall Street Journal informou que a investigação começou em novembro e está sendo conduzida pelo escritório da procuradora federal de Washington, Jeanine Pirro, aliada próxima de Trump. O foco inclui o depoimento de Powell e registros de gastos do Fed.

Um porta-voz do Departamento de Justiça disse à Reuters disse apenas que a procuradoria-geral orientou promotores a priorizarem investigações sobre possíveis abusos de recursos públicos.

Pressão da Casa Branca sobre política de juros

A ação ocorre em meio a uma campanha de longa data de Trump para obter maior controle sobre o Federal Reserve e pressionar por cortes acentuados nos juros.

Trump tem criticado publicamente Powell desde o início de seu segundo mandato, iniciado em janeiro de 2025, responsabilizando a política monetária pelo desempenho econômico e afirmando que os juros estão altos demais.

Em entrevista à NBC News no domingo, Trump afirmou não ter conhecimento das intimações do Departamento de Justiça. Ele disse: "Não sei nada sobre isso, mas ele [Powell] certamente não é muito bom no Fed, e não é muito bom em construir prédios".

Em outra declaração à NBC, Trump afirmou que não usaria investigações criminais para pressionar o Fed. "Eu nem pensaria em fazer isso dessa forma. O que deveria pressioná-lo é o fato de que os juros estão altos demais. Essa é a única pressão que existe", disse.

Declaração de Jerome Powell sobre a investigação

Em um pronunciamento em vídeo divulgado na noite de domingo, Powell afirmou que a investigação é um pretexto para pressionar o Fed a reduzir os juros e limitar sua independência.

"Tenho profundo respeito pelo Estado de Direito e pela prestação de contas em nossa democracia. Ninguém — certamente nem o presidente do Federal Reserve — está acima da lei. Mas essa ação sem precedentes deve ser vista no contexto mais amplo das ameaças e da pressão contínua da administração."

Powell afirmou ainda: "Essa nova ameaça não tem a ver com meu depoimento de junho passado nem com a reforma dos prédios do Federal Reserve. Não tem a ver com o papel de fiscalização do Congresso. Esses são pretextos".

Segundo ele, "a ameaça de acusações criminais é consequência de o Federal Reserve definir os juros com base na melhor avaliação do que serve ao público, e não seguindo as preferências do presidente".

Independência do Federal Reserve em debate

A imprensa americana destaca que o caso levanta questionamentos sobre a independência do Federal Reserve, considerada um pilar da política econômica dos Estados Unidos.

Powell afirmou que o ponto central da disputa é se o Fed poderá continuar definindo juros com base em dados e condições econômicas, ou se a política monetária passará a ser direcionada por pressão política ou intimidação.

Ele disse ainda: "Servi no Federal Reserve sob quatro administrações, republicanas e democratas. Em todos os casos, cumpri meus deveres sem medo ou favorecimento político".

Reação dos mercados financeiros

Os mercados reagiram imediatamente à escalada do conflito. O dólar registrou sua maior queda em três semanas. O ouro atingiu um recorde histórico. Os futuros das bolsas americanas recuaram, e o mercado passou a precificar uma chance maior de cortes de juros no curto prazo.

Segundo o Wall Street Journal, os futuros do S&P 500 caíram cerca de 0,5%. O ouro subiu cerca de 2%, atingindo US$ 4.589 por onça.

Mandato de Powell

Powell foi indicado para a presidência do Fed pelo próprio Trump em 2018. Seu mandato como presidente termina em maio, mas ele pode permanecer no conselho do Fed até 2028.

O presidente da instituição afirmou que uma eventual investigação criminal não afetará sua capacidade de seguir no cargo até o fim do mandato.

Além disso, a Suprema Corte americana deve analisar ainda neste mês o caso envolvendo a tentativa de Trump de demitir a diretora do Fed Lisa Cook, indicada pelo ex-presidente Joe Biden.

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