Cão Orelha: Laudo descarta fraturas e marcas de agressão, mas não elimina hipótese de trauma
Perícia da Polícia Científica de Santa Catarina não encontrou lesões ósseas por ação humana; análise de tecidos moles ficou prejudicada pela exumação tardia


SBT News
com informações do SCC10
A Polícia Científica de Santa Catarina concluiu o laudo necroscópico do cão comunitário conhecido como Orelha e informou que não foram constatadas fraturas ou lesões ósseas que pudessem ter sido causadas por ação humana, inclusive no crânio.
O animal havia sido encontrado em estado grave na Praia Brava, em Florianópolis, no início de janeiro, após relatos de possível agressão. Diante da repercussão do caso, o corpo foi exumado para nova análise pericial.
Segundo o laudo ao qual o SCC10, afiliada do SBT, teve acesso, os peritos confirmaram a ausência de fraturas no crânio ou em outros ossos. O documento também rebate rumores que circularam nas redes sociais à época, ao afirmar que não há qualquer vestígio que sustente a hipótese de um prego cravado na cabeça do animal, lesão que, segundo a perícia, deixaria uma marca circular característica no osso, inexistente no exame.
Apesar disso, a perícia faz uma ressalva técnica: a ausência de fraturas não descarta a ocorrência de agressão ou trauma. A literatura veterinária citada no laudo indica que a maioria dos traumas cranianos em cães não resulta em quebra de ossos, podendo levar à morte por efeitos secundários, como edema cerebral, inflamação e aumento da pressão intracraniana.
A análise dos tecidos moles, como cérebro e vasos sanguíneos, ficou prejudicada em razão do intervalo entre o óbito e a exumação, o que impediu a confirmação definitiva da causa da morte.
O exame ósseo também apontou que Orelha era um animal idoso e apresentava patologias degenerativas crônicas, sem relação direta com o episódio de janeiro.
No documento final, a perícia responde aos quesitos das autoridades de forma objetiva: trata-se de um macho, de pelagem escura, idoso, com doenças preexistentes. O exame se limitou à parte óssea e não identificou lesões compatíveis com ação humana direta, como fraturas. Ainda assim, permanece a possibilidade clínica de que um trauma contundente tenha ocorrido sem deixar marcas no esqueleto.
Orelha viveu por cerca de dez anos nos arredores da Praia Brava e era cuidado por moradores da região. Após desaparecer por dois dias, foi localizado em estado grave. Mesmo após resgate e atendimento veterinário, o animal foi submetido à eutanásia devido à gravidade do quadro e ao sofrimento intenso.









