Economia

Juros altos levam número de empregados na indústria ao pior nível desde 2017, afirma CNI

Sondagem da confederação aponta demanda enfraquecida, avanço de importados e expectativa moderada para 2026

Imagem da noticia Juros altos levam número de empregados na indústria ao pior nível desde 2017, afirma CNI
Indústria | Divulgação/Miguel Ângelo/CNI

O número de empregados na indústria brasileira atingiu o pior resultado para o mês de janeiro desde 2017. O índice de evolução do emprego ficou em 47,6 pontos em janeiro de 2026, abaixo da linha de 50 pontos, o que indica redução nos postos de trabalho, segundo a Sondagem Industrial divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

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A produção também começou o ano em retração. O indicador marcou 44,9 pontos, permanecendo em campo negativo e registrando o menor resultado para janeiro desde 2022. Já a Utilização da Capacidade Instalada ficou em 66%, o menor nível para o mês desde 2019.

Para o gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo, embora seja comum que janeiro registre índices abaixo de 50 pontos, os resultados deste ano ficaram piores do que o habitual.

“Esses índices refletem as dificuldades enfrentadas na indústria desde o ano passado”, afirma. Segundo ele, o cenário é resultado do “acúmulo dos efeitos do prolongado período de taxas de juros bastante elevadas”.

De acordo com Azevedo, a alta das taxas encareceu principalmente os bens financiados e reduziu a demanda por produtos industriais. Ele explica que essa perda de fôlego é percebida desde meados de 2025 e acabou se espalhando por toda a cadeia produtiva.

“Como as empresas fornecem umas para as outras, a própria atividade econômica e as contratações foram reduzidas”, diz.

O economista também aponta que parte da demanda passou a ser atendida por importações, o que, na avaliação do setor, agravou o desempenho da indústria nacional. “A demanda por todos os bens industriais foi perdendo força”, resume.

Efeito em cadeia

Na avaliação de Azevedo, os números já mostram impactos concretos sobre a atividade. A retração na produção e no emprego atinge também os investimentos, criando um efeito multiplicador negativo. “É uma bola de neve: com menor investimento e menor produção, isso reverbera em outros setores da indústria”, afirma.

O movimento extrapola o setor e enfraquece a economia como um todo, já que a indústria costuma funcionar como uma das principais forças de tração do crescimento, afirma o representante da indústria.

Expectativas positivas, mas moderadas

Apesar do desempenho fraco no início do ano, as expectativas para os próximos seis meses são positivas. Os indicadores apontam previsão de aumento na demanda, nas compras de insumos e no número de empregados.

Azevedo ressalta, no entanto, que o otimismo é moderado. “As expectativas são positivas, mas há uma certa moderação”, afirma. Em comparação com anos anteriores, o nível de confiança é mais contido, reflexo da cautela dos empresários diante da demanda ainda enfraquecida.

Para o gerente da CNI, a trajetória dos juros será decisiva para mudar o cenário. Ele avalia que a taxa real elevada prejudicou investimentos e competitividade e defende que uma redução mais rápida poderia estimular a recuperação. “Se essa queda fosse mais rápida, já estaríamos vendo um quadro diferente para a indústria”, conclui.

Os dados mostram que a indústria inicia 2026 pressionada, mas com expectativa de melhora gradual ao longo do ano, dependendo da evolução do ambiente econômico.

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