Custo de vida e corrupção pesam no voto nos EUA
Pesquisa mostra que os dois temas tiveram mais peso que imigração e guerra com o Irã na escolha dos eleitores para o Congresso

Pessoas votam durante as eleições de meio de mandato dos EUA, em Ann Arbor, Michigan | REUTERS/Dieu-Nalio Chery
O custo de vida e a corrupção no governo estiveram entre os temas que mais pesaram na escolha dos eleitores nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, realizadas na terça-feira (3), segundo levantamento da agência Associated Press. Cerca de metade dos entrevistados considerou cada um desses temas decisivo para o voto ao Congresso. A fiscalização da imigração e a guerra com o Irã foram apontadas como decisivas por uma parcela menor dos eleitores.
O levantamento ouviu cerca de 80 mil eleitores em 50 estados norte-americanos. Em uma pergunta sobre o principal problema do país, quatro em cada dez apontaram a economia, enquanto três em cada dez citaram a situação da democracia. Os preços de alimentos e combustíveis estavam entre as preocupações relatadas.
Cerca de dois terços dos entrevistados disseram que as políticas do presidente Donald Trump pioraram a economia. Nesse grupo, oito em cada dez afirmaram ter votado em um candidato democrata. Os democratas também receberam a maioria dos votos para a Câmara dos Representantes entre os eleitores que consideraram a corrupção no governo decisiva para sua escolha.
Embora Trump estivesse fora da disputa, cerca de quatro em cada dez entrevistados disseram ter votado para expressar oposição ao presidente. Pouco menos de dois em cada dez disseram ter votado para demonstrar apoio. Para cerca de quatro em cada dez, o presidente não pesou na decisão.
Democratas conquistam maioria nas duas Casas
Os democratas conquistaram a maioria na Câmara e no Senado. Quando o novo Congresso tomar posse, em janeiro, Trump terá de lidar pela primeira vez, em seus dois mandatos, com as duas Casas sob controle democrata.
A nova maioria amplia o poder do partido para barrar projetos da Casa Branca, abrir investigações sobre o governo e negociar mudanças em propostas de lei. No Senado, os democratas poderão bloquear indicações de Trump, inclusive para a Suprema Corte, caso surja uma vaga.
O líder democrata na Câmara, Hakeem Jeffries, associou o resultado à percepção dos eleitores sobre a corrupção e os efeitos das políticas do governo. Em entrevista à MS NOW nesta quarta-feira (4), ele prometeu “garantir que os infratores sejam responsabilizados”.
Até a posse do novo Congresso, os republicanos continuam no controle das duas Casas. Uma das principais negociações do período será a votação da medida para financiar o governo federal além de dezembro.
Trump parabenizou os democratas pelo desempenho e reconheceu que a guerra com o Irã contribuiu para as derrotas republicanas. O presidente defendeu a decisão de participar do conflito e disse que poderia trabalhar com os democratas em temas como imigração. O vice-presidente JD Vance atribuiu a derrota à guerra. “O motivo de termos perdido é a guerra”, escreveu nas redes sociais.
Onde os democratas avançaram
Na campanha, os democratas deram destaque ao custo de vida e à corrupção. O partido atribuiu a alta dos preços às tarifas de Trump sobre as importações e à guerra com o Irã. Os republicanos fizeram dos direitos das pessoas transgênero um dos temas de seus ataques aos adversários.
Dados compilados pela Reuters e pelo USA Today indicam que os republicanos perderam terreno em quase todos os cerca de 2.100 condados onde a maioria dos votos já havia sido contada. Os democratas avançaram tanto em condados mais ricos quanto nos mais pobres. Os ganhos foram especialmente acentuados em áreas com forte presença latina, entre elas condados na fronteira do Texas que haviam apoiado Trump em 2024.
O partido conquistou mais de duas dúzias de cadeiras na Câmara antes ocupadas por republicanos. Cerca de uma dúzia dessas vitórias ocorreu em distritos onde Trump havia vencido por uma margem de dois dígitos em 2024.
Em Michigan, o democrata Abdul El-Sayed derrotou o republicano Mike Rogers e se tornou o primeiro muçulmano eleito para o Senado dos EUA. Nas disputas estaduais, Keisha Lance Bottoms venceu na Geórgia, Byron Donalds na Flórida, Deb Haaland no Novo México, Gina Hinojosa no Texas e Xavier Becerra na Califórnia.















