O Papa Leão XIV recebeu no Palácio Apostólico Romano, nesta quarta-feira (4), o compositor estadunidense laureado com o Nobel de Literatura, Robert Allen Zimmerman, famoso pelo nome artístico Bob Dylan.
O músico, conhecido por canções como Knockin’ On Heaven's Door, Blowin’ In The Wind e The Times They Are A-Changin', está em Roma por ocasião de sua turnê mais recente, intitulada Lights Of Autumn Tour, que já passou por outras cidades italianas, como Milão e Bolonha.
Entretanto, antes de sua apresentação nesta quinta-feira (5), no Palazzo dello Sport, Dylan teve um encontro breve com o líder mundial da Igreja Católica no Vaticano.
A reunião contou com a participação do reverendo Antonio Spadaro, teólogo e padre jesuíta conhecido por promover relações entre a igreja e figuras do entretenimento.
A informação foi divulgada em seu Instagram, no qual ele descreveu o sentimento de “fazer parte de um encontro que trazia consigo um verdadeiro senso de historicidade” ao acompanhar Dylan.
O reverendo também apontou a conexão de ambos com Santo Agostinho. Enquanto Leão é o primeiro Papa da história a pertencer à Ordem de Santo Agostinho, Dylan possui uma letra em que conta, em primeira pessoa, que sonhou com o teólogo do século IV — a música I Dreamed I Saw St. Augustine, de 1967.
As imagens do momento mostram o Papa, natural de Chicago, nos Estados Unidos, vestindo a sua tradicional batina branca, enquanto Dylan aparece vestido com roupas completamente pretas, coberto com um capuz e casaco. Veja:
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Ambos trocaram presentes. Leão XIV entregou ao músico de protesto um terço, que foi retribuído com uma cópia autografada do livro Chronicles – Volume 1, uma autobiografia que conta a perspectiva de Dylan sobre alguns dos momentos mais emblemáticos de sua carreira.
A relação entre os dois
O encontro inusitado entre as icônicas figuras segue a publicação, em julho de 2026, do livro Desarmada e desarmante. A paz é um dom, do Papa Leão XIV. No prefácio da obra, o pontífice cita a canção de 1963 Go Away You Bomb, nunca lançada oficialmente pelo músico.
Em sua letra, Dylan dialoga com a personificação de uma bomba atômica, objeto de algumas de suas outras músicas de protesto do início dos anos 60, como Masters of War. A composição [de Go Away You Bomb] também nunca chegou a ser gravada e permanecia inédita até seu manuscrito original ser encontrado em 2013.
"Eu te odeio porque você foi criada pelo homem, pertence ao homem e é manuseada pelo homem", escreveu o Nobel aos 22 anos para um livro de canções críticas às armas nucleares, que seria compilado por Izzy Young, dono do lendário ponto de encontro da cena folk de Greenwich Village (NY), o Folklore Center.
A menção à obra de Dylan no livro do Papa — que reúne discursos e pronunciamentos sobre a construção da paz no mundo — foi recebida com estranhamento e entusiasmo pela imprensa e pelos fãs do músico.
Esta não é a primeira vez que um pontífice recebe o compositor. Em 1997, Dylan se apresentou durante o XXIII Congresso Eucarístico Nacional com outros artistas, diante do Papa João Paulo II e de aproximadamente 300 mil espectadores.
Dylan e a religião
O músico natural de Duluth, Minnesota, vem de uma família judia praticante, tendo frequentado acampamentos de verão da comunidade judaica e realizado seu bar mitzvah aos 13 anos.
No entanto, quando se fala de religião, Dylan é frequentemente associado ao protestantismo, ao qual se converteu no início dos anos 1970. Esse período na carreira do artista foi marcado pelo lançamento de três álbuns de música gospel com temas abertamente evangélicos e altamente rejeitados pelos seus fãs: Slow Train Coming (1979), Saved (1980) e Shot of Love (1981).
As imagens cristãs na obra de Dylan, porém, não se limitam à fase descrita. Desde o início da sua carreira, em 1961, o compositor já abraçava referências religiosas em músicas como “Talkin’ Hava Negeilah Blues”, versão adaptada de uma música tradicional judaica, que foi lançada em 1991 em uma coleção de músicas inéditas dessa fase inicial.
Referências bíblicas também começaram a aparecer nas letras do americano em seu aclamado disco Highway 61 Revisited, de 1965, que menciona, na música de mesmo nome, as figuras de Abraão e Abel.
No seu álbum de estúdio mais recente, Rough and Rowdy Ways, de 2020, Dylan ainda fala dos apóstolos João e Pedro, de São Jerônimo e do Dia do Juízo Final. A relação do Nobel com a religião é incerta, mas especialistas como Scott Marshall, autor de Bob Dylan: Uma Vida Espiritual, o definem como uma pessoa religiosa.
“O cristianismo pode significar coisas diferentes para pessoas diferentes; no caso de Dylan, parece tratar-se mais da figura de Jesus do que da adesão a uma religião organizada”, disse ele à revista Billboard, em 2017.
Papa Leão XIV recebe Bob Dylan no VaticanoO pontífice citou uma canção pouco conhecida do Nobel em seu último livro; especialistas descrevem a relação de Dylan com a religião como sincréticaMundo2026-11-04T19:00:27.595ZO Papa Leão XIV recebeu no Palácio Apostólico Romano, nesta quarta-feira (4), o compositor estadunidense laureado com o Nobel de Literatura, Robert Allen Zimmerman, famoso pelo nome artístico Bob Dylan. O músico, conhecido por canções como Knockin’ On Heaven's Door, Blowin’ In The Wind e The Times They Are A-Changin', está em Roma por ocasião de sua turnê mais recente, intitulada Lights Of Autumn Tour, que já passou por outras cidades italianas, como Milão e Bolonha. Entretanto, antes de sua apresentação nesta quinta-feira (5), no Palazzo dello Sport, Dylan teve um encontro breve com o líder mundial da Igreja Católica no Vaticano. A reunião contou com a participação do reverendo Antonio Spadaro, teólogo e padre jesuíta conhecido por promover relações entre a igreja e figuras do entretenimento. A informação foi divulgada em seu Instagram, no qual ele descreveu o sentimento de “fazer parte de um encontro que trazia consigo um verdadeiro senso de historicidade” ao acompanhar Dylan. O reverendo também apontou a conexão de ambos com Santo Agostinho. Enquanto Leão é o primeiro Papa da história a pertencer à Ordem de Santo Agostinho, Dylan possui uma letra em que conta, em primeira pessoa, que sonhou com o teólogo do século IV — a música I Dreamed I Saw St. Augustine, de 1967. As imagens do momento mostram o Papa, natural de Chicago, nos Estados Unidos, vestindo a sua tradicional batina branca, enquanto Dylan aparece vestido com roupas completamente pretas, coberto com um capuz e casaco. Veja: Ambos trocaram presentes. Leão XIV entregou ao músico de protesto um terço, que foi retribuído com uma cópia autografada do livro Chronicles – Volume 1, uma autobiografia que conta a perspectiva de Dylan sobre alguns dos momentos mais emblemáticos de sua carreira. A relação entre os dois O encontro inusitado entre as icônicas figuras segue a publicação, em julho de 2026, do livro Desarmada e desarmante. A paz é um dom, do Papa Leão XIV. No prefácio da obra, o pontífice cita a canção de 1963 Go Away You Bomb, nunca lançada oficialmente pelo músico. Em sua letra, Dylan dialoga com a personificação de uma bomba atômica, objeto de algumas de suas outras músicas de protesto do início dos anos 60, como Masters of War. A composição [de Go Away You Bomb] também nunca chegou a ser gravada e permanecia inédita até seu manuscrito original ser encontrado em 2013. "Eu te odeio porque você foi criada pelo homem, pertence ao homem e é manuseada pelo homem", escreveu o Nobel aos 22 anos para um livro de canções críticas às armas nucleares, que seria compilado por Izzy Young, dono do lendário ponto de encontro da cena folk de Greenwich Village (NY), o Folklore Center. A menção à obra de Dylan no livro do Papa — que reúne discursos e pronunciamentos sobre a construção da paz no mundo — foi recebida com estranhamento e entusiasmo pela imprensa e pelos fãs do músico. Esta não é a primeira vez que um pontífice recebe o compositor. Em 1997, Dylan se apresentou durante o XXIII Congresso Eucarístico Nacional com outros artistas, diante do Papa João Paulo II e de aproximadamente 300 mil espectadores. Dylan e a religião O músico natural de Duluth, Minnesota, vem de uma família judia praticante, tendo frequentado acampamentos de verão da comunidade judaica e realizado seu bar mitzvah aos 13 anos. No entanto, quando se fala de religião, Dylan é frequentemente associado ao protestantismo, ao qual se converteu no início dos anos 1970. Esse período na carreira do artista foi marcado pelo lançamento de três álbuns de música gospel com temas abertamente evangélicos e altamente rejeitados pelos seus fãs: Slow Train Coming (1979), Saved (1980) e Shot of Love (1981). As imagens cristãs na obra de Dylan, porém, não se limitam à fase descrita. Desde o início da sua carreira, em 1961, o compositor já abraçava referências religiosas em músicas como “Talkin’ Hava Negeilah Blues”, versão adaptada de uma música tradicional judaica, que foi lançada em 1991 em uma coleção de músicas inéditas dessa fase inicial. Referências bíblicas também começaram a aparecer nas letras do americano em seu aclamado disco Highway 61 Revisited, de 1965, que menciona, na música de mesmo nome, as figuras de Abraão e Abel. No seu álbum de estúdio mais recente, Rough and Rowdy Ways, de 2020, Dylan ainda fala dos apóstolos João e Pedro, de São Jerônimo e do Dia do Juízo Final. A relação do Nobel com a religião é incerta, mas especialistas como Scott Marshall, autor de Bob Dylan: Uma Vida Espiritual, o definem como uma pessoa religiosa. “O cristianismo pode significar coisas diferentes para pessoas diferentes; no caso de Dylan, parece tratar-se mais da figura de Jesus do que da adesão a uma religião organizada”, disse ele à revista Billboard, em 2017. São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/mundo/papa-leao-xiv-recebe-bob-dylan-no-vaticano
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