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Enem 2026: veja cinco temas que podem cair na redação

Professora aponta assuntos em destaque para a prova, explica como aproveitar acontecimentos recentes e dá dicas para lidar com assuntos desconhecidos

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Por Caroline Vale
O que estudar para o Enem 2026? | Divulgação/MEC

O que estudar para o Enem 2026? | Divulgação/MEC

Faltam poucos dias para o primeiro dia do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026, marcado para este domingo (8). Com mais de 5 milhões de inscritos, os candidatos entram na reta final de preparação para as provas, incluindo a redação, uma das etapas mais importantes do exame.

Embora não seja possível prever o tema escolhido pela banca, alguns assuntos podem ajudar a orientar os estudos. Entre as apostas para este ano estão letramento digital, condições de trabalho, regulamentação da inteligência artificial, criminalidade infantojuvenil e crise climática.

As sugestões foram apresentadas ao SBT News por Carolina Siequeroli, gerente sênior de Redação Nota 1000, da Cogna Educação. Segundo a especialista, os candidatos devem priorizar questões sociais relacionadas à realidade brasileira, característica recorrente nas propostas de redação do exame.

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Os cinco temas mais cotados para a redação

A especialista destaca cinco áreas que merecem atenção dos estudantes na preparação para a prova:

  1. Letramento digital: os desafios para garantir o acesso à educação digital em um país marcado por desigualdades no ensino e pela necessidade de desenvolver habilidades para o uso das novas tecnologias.
  2. Esgotamento profissional e jornadas de trabalho dignas: os impactos da uberização, das condições de trabalho e das discussões sobre o fim da escala seis por um na saúde e na qualidade de vida dos trabalhadores.
  3. Regulamentação da inteligência artificial: os desafios de estabelecer limites éticos e regras para o uso de uma tecnologia que avança rapidamente e transforma diferentes aspectos da sociedade.
  4. Prática de atos infracionais por crianças e adolescentes: a criminalidade infantojuvenil, incluindo o aliciamento de menores pelo crime organizado e o aumento de crimes cibernéticos praticados por crianças e adolescentes.
  5. Crise climática e justiça ambiental: os efeitos dos eventos climáticos extremos sobre a população brasileira, especialmente em regiões vulneráveis, e a necessidade de políticas de prevenção e preservação ambiental.

Temáticas sociais que merecem atenção

De acordo com Siequeroli, o histórico recente do Enem mostra uma tendência de abordar questões relacionadas a grupos sociais que enfrentam dificuldades para ter seus direitos garantidos.

"O perfil de temas do Enem, nos últimos anos, tem revelado uma tendência do exame em privilegiar grupos sociais minorizados na sociedade brasileira, como os povos originários, a população negra, os idosos e as mulheres", diz Siequeroli.

A recomendação é estudar as condições desses grupos no contexto brasileiro, considerando problemas sociais, desigualdades e desafios para a garantia de direitos. "Assuntos de cunho mais abrangente, como guerras em outros países, são muito improváveis de serem abordados pelo exame, a não ser que tenham consequências diretas para a população brasileira", completa.

Além de temas sociais, os candidatos podem utilizar acontecimentos recentes como repertório sociocultural para desenvolver argumentos. A especialista destaca seis exemplos:

  • Fim da escala seis por um: pode ser relacionado a discussões sobre mercado de trabalho, saúde mental e esgotamento profissional.
  • Proibição das bets: permite abordar endividamento, dependência em apostas e impactos sociais e econômicos.
  • Enchentes no Rio Grande do Sul: podem embasar discussões sobre migração climática, desastres ambientais e vulnerabilidade social.
  • Intensificação do El Niño e ondas de calor: ajudam a contextualizar os efeitos das mudanças climáticas sobre a população.
  • Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos: pode ser utilizada em debates sobre exploração ambiental, desenvolvimento econômico e impactos sobre comunidades locais.
  • ECA Digital: permite discutir proteção de crianças e adolescentes na internet, segurança e responsabilidade das plataformas digitais.
"​É indispensável que o estudante possua um bom conhecimento de história do Brasil, além de um olhar crítico sobre os processos de formação da sociedade brasileira, visto que o padrão de temas do Enem privilegia questões sociais nacionais. De igual modo, manter-se atualizado sobre acontecimentos recentes e suas implicações para o país também é extrema importância", destaca a professora.

Como estudar sem tentar adivinhar a prova?

A orientação da especialista é evitar concentrar toda a preparação em apostas muito específicas. Isso porque o Enem costuma selecionar um recorte dentro de uma área temática mais ampla.

"Para ilustrar, a frase temática “Desafios para a valorização da herança africana no Brasil” está inserida dentro do assunto população negra, que comporta também outros vieses, como o racismo e a intolerância religiosa", comenta a especialista.

Por isso, o ideal é praticar redações sobre diferentes áreas de conhecimento e desenvolver argumentos que possam ser adaptados a mais de um tema. Também é importante buscar repertórios em fontes confiáveis, como jornais, livros, filmes, documentários e referências históricas e filosóficas.

A produção de textos após as pesquisas ajuda a exercitar a escrita, a organização das ideias e a capacidade de argumentação.

E se o tema for diferente do esperado?

Caso o candidato encontre uma proposta para a qual não tenha se preparado diretamente, o primeiro passo é ler com atenção os textos motivadores e identificar exatamente o problema apresentado pela banca.

"Após a apreensão do tema, o mais recomendado é elaborar um projeto textual que comporte os argumentos escolhidos para a defesa da tese, as referências que irão sustentar essa defesa e ao menos um esboço de intervenção que resolva os problemas elencados nos desenvolvimentos", orienta Carolina Siequeroli.

Segundo Siequeroli, o repertório utilizado não precisa ser necessariamente acadêmico. Uma música, um filme ou uma obra literária também podem ser referências válidas, desde que tenham relação efetiva com o tema.

A especialista ressalta que não conhecer previamente o assunto não significa que o estudante terá uma nota baixa. "Dominar a estrutura do texto dissertativo-argumentativo já garante a autonomia necessária para redigir uma excelente redação, independentemente de qual seja a proposta", finaliza.

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