Política

Marinho oficializa candidatura e diz ter maioria no Senado

Senador do PL contestou avaliação de que Davi Alcolumbre é favorito à reeleição e disse ter “com certeza” mais de 40 votos para presidir a Casa em 2027

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Por Ighor Nóbrega
O senador Rogério Marinho (PL-RN) | Ton Molina/Agência Senado

O senador Rogério Marinho (PL-RN) | Ton Molina/Agência Senado

O senador Rogério Marinho (PL-RN) anunciou nesta quarta-feira (4) que concorrerá à Presidência do Senado na próxima legislatura, que começa em 1º de fevereiro de 2027.

Segundo o parlamentar, ele tem mais de 40 votos, número suficiente para derrotar o atual presidente, Davi Alcolumbre (União-AP), que tentará a reeleição no ano que vem com o apoio do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Marinho afirmou que analistas colocam Alcolumbre como favorito para o novo biênio à frente do Congresso por sua habilidade de “cooptar” votos de colegas. “O governo vai tentar comprar a consciência dos senhores, mas não vai conseguir”, afirmou.

O coordenador da campanha derrotada de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência disse ainda que, se eleito presidente do Senado, vai tratar o Congresso de forma diferente, respeitando a proporcionalidade e a democracia.

“Eleito presidente do Congresso Nacional, o Senado vai cumprir seu papel de revisor do parlamento brasileiro, de moderador das instituições, de propositor de legislaturas, mas seremos também um centro de estudo das políticas públicas do Brasil para evitar o desastre anunciado de um presidente inconsequente e irresponsável levando Brasil para a beira do precipício por sua irresponsabilidade fiscal”, disse Marinho na sede do PL em Brasília.

Ele negou que a crise com o Supremo Tribunal Federal (STF) será a pauta principal de seu mandato. Disse que essa será uma de suas bandeiras, mas que só pautará o impeachment de ministros da Corte caso cometam crimes de responsabilidade.

Outra bandeira será o avanço do projeto de anistia aos condenados pelos atos extremistas do 8 de janeiro de 2023.

“Nós não queremos enfrentamento, mas nós seremos a barreira, a fronteira guarnecida para evitar a barbárie que se avizinha no nosso país”, disse o senador.

Para ele, os parlamentares hoje estão “amedrontados” e impedidos de exercer plenamente seus mandatos por supostas perseguições e violações à liberdade de expressão.

“Vamos ajudar o estado brasileiro a pelo menos sobreviver a esses quatro e longos anos que temos pela frente [...] desse governo sem freio e sem pudores perdeu a conexão com a realidade e com a sociedade, de um presidente rancoroso que tem um retrovisor muito maior que o parabrisa”, declarou Rogério Marinho.

Mensagem a Flávio Bolsonaro

Marinho fez uma homenagem ao senador Flávio Bolsonaro, que fugiu o país após perder a disputa eleitoral em segundo turno para o presidente Lula.

O candidato à presidência do Senado lamentou não ter tido contato mais estreito com Flávio e agradeceu ao colega de Congresso pelo convite para coordenar sua campanha ao Palácio do Planalto.

Segundo Marinho, o ex-presidenciável abriu mão de uma reeleição garantida no Rio de Janeiro e “se colocou à disposição do país”. Disse que ele recebeu mais de 3 mil ameaças de morte e de agressão, perdeu peso e desconstruiu uma imagem de que não tinha compromisso com o Brasil.

Sem citar as alegações de fraude eleitoral encampadas por Flávio, Marinho disse que sua decisão de deixar o país e se mudar para os Estados Unidos se deu porque a justiça brasileira não lhe proporcionaria um tratamento isento.

“Ao final do processo eleitoral, vimos uma polícia aparelhada, em um processo enviesado, propor medidas cautelares contra alguém que teve 60 milhões de votos. Essa pessoa olha para sua família, para o pai preso, o irmão exilado, e toma uma decisão difícil. Não imaginem que é fácil fazer o que ele fez, cortar laços e ir pra outro lugar, buscar uma vida diferente”, afirmou.

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