Economia

Ações de saúde sobem e empresas de Elon Musk caem nos EUA

Com eleições de meio de mandato, investidores separam vencedores e perdedores da vitória democrata no Congresso

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Por Exame.com
Elon Musk diz que dará ação da SpaceX a crianças | Brendan Smialowski/Getty Images

Elon Musk diz que dará ação da SpaceX a crianças | Brendan Smialowski/Getty Images

Segundo projeções da agência AP, os democratas somam 54 das 100 cadeiras do Senado, com duas disputas ainda sem definição, e 228 cadeiras na Câmara, acima das 218 necessárias para a maioria.

O partido tomou ao menos sete cadeiras dos republicanos no Senado, com vitórias como a de James Talarico no Texas, reduto republicano, e a de Abdul El-Sayed em Michigan. A votação era tratada como o principal teste de Trump nas urnas no segundo mandato.

A partir de janeiro, qualquer lei precisará de algum apoio democrata para passar pelo Congresso. Trump, porém, mantém o poder de veto, e os democratas não têm votos suficientes para derrubá-lo.

Depois de um susto na madrugada, os índices operam em alta. Os futuros do Dow Jones sobem 1,18%, os do S&P 500 avançam 0,74% e os do Nasdaq ganham 0,62%.

Planos de saúde lideram as altas

As operadoras de planos de saúde e as redes hospitalares estão entre os destaques do dia. A Molina Healthcare salta 6,3% e a Centene, 4,7%. UnitedHealth e HCA Healthcare sobem cerca de 1,4%.

Antes da votação, o JPMorgan já apontava o setor como beneficiado por um Congresso democrata, que poderia reverter os cortes no Medicaid, o programa público de saúde para a população de baixa renda, aprovados no pacote fiscal de Trump.

Christopher Hodge, economista-chefe para os EUA do Natixis CIB Americas, afirmou em nota na terça-feira, segundo a revista Fortune, que os democratas podem usar o peso nas negociações do teto da dívida e do orçamento para obter concessões em gastos com saúde.

A CVS Health divulga resultados antes da abertura e também está no radar, depois de reportagens indicarem que a empresa planeja separar os negócios de farmácia e de planos de saúde.

Energia solar dispara

As ações de energia solar estão entre as maiores altas da manhã. A First Solar avança 8,1%, a Canadian Solar, 7%, e a SolarEdge, 3%.

Na mesma nota, Hodge cita os subsídios à energia limpa entre as concessões que os democratas podem arrancar nas negociações com a Casa Branca.

Empresas de Musk no vermelho

Na outra ponta, as empresas de Elon Musk sofrem. As ações da Tesla caem 4,9% e as da SpaceX, 4,8%. As duas têm sede no Texas, onde os democratas venceram a disputa pelo Senado e pelo governo estadual.

Segundo o jornal The New York Times, Musk gastou quase meio bilhão de dólares para apoiar candidatos republicanos nesta eleição.

A Trump Media, empresa de mídia ligada ao presidente, recua 6,5%.

Data centers na berlinda

A inteligência artificial foi um dos grandes temas da campanha, tanto pelo risco de perda de empregos quanto pela proliferação de data centers.

No Texas, a democrata Gina Hinojosa derrotou o governador republicano Greg Abbott com a promessa de uma moratória para novos data centers no estado. O partido também venceu a eleição para governador em Ohio, outro polo do setor.

As chamadas neoclouds, empresas que alugam capacidade de computação para IA, lideram as perdas. A CoreWeave cai 3,6% e a Nebius, 1%. Companhias ligadas a data centers, como IREN, Hut 8 e Applied Digital, também recuam.

O movimento começou na Ásia. Na bolsa de Taiwan, as ações da TSMC, maior fabricante de chips do mundo, caíram 1,5%, e em Tóquio as do SoftBank, um dos maiores investidores em tecnologia, recuaram 3,2%. O índice japonês Topix fechou em queda de quase 1%, depois de tocar a mínima em meses, e o de Taiwan perdeu 0,8%. Já o Kospi, da Coreia do Sul, reverteu as perdas e subiu 0,6%.

Stephen Brown, economista-chefe para a América do Norte da Capital Economics, lembra em nota que os democratas vão ocupar cadeiras no Senado em estados tradicionalmente republicanos pelos próximos seis anos.

Segundo ele, isso aumenta a chance de mudanças mais amplas caso o partido vença a próxima eleição presidencial, incluindo aumento de impostos para empresas e para pessoas de alta renda e uma regulação que pode atrasar o avanço da IA.

Alicia Garcia-Herrero, economista-chefe para a Ásia-Pacífico do Natixis, vê exagero no temor. Ao New York Times, ela disse não esperar que os democratas matem "a galinha dos ovos de ouro".

Defesa, dólar e tarifas

As ações de empresas de defesa recuam. Para Deepali Bhargava, economista-chefe para a Ásia-Pacífico do ING, também citado pelo NYTI, a vitória democrata pode travar a agenda doméstica de Trump e levar o presidente a concentrar mais atenção na política externa.

Os democratas também podem endurecer a postura em relação à China, o que complicaria as aproximações de Trump com o líder chinês, Xi Jinping.

O dólar perde força. O índice que mede a moeda americana frente a uma cesta de divisas cai 0,5%, e o juro do título de dez anos do Tesouro recua levemente, com a expectativa de que um governo dividido segure os gastos federais. Segundo Bhargava, a vitória democrata pode pressionar o dólar no curto prazo, mas, num horizonte mais longo, a moeda seguirá ligada às decisões de juros do Federal Reserve.

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