Economia

BC deve manter juros em recado ao governo, diz economista

Carla Argenta, da CM Capital, afirmou que o Copom deve aguardar mercado arrefecer após a reeleição de Lula para definir próximos passos da política monetária

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Por Ighor Nóbrega e Larissa Alves

Carla Argenta, economista-chefe da CM Capital, disse nesta quarta-feira (4) que o Banco Central deve manter a taxa básica de juros em uma sinalização de que o governo Lula (PT) precisa adotar políticas mais responsáveis se quiser a retomada do ciclo de cortes.

A nova taxa Selic será definida após reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) e deve ser divulgada às 18h30. Argenta afirmou que a expectativa majoritária do mercado é de que a taxa básica seja mantida no patamar atual, de 13,75% ao ano.

“A expectativa maior é de que o Banco Central opte por ter calma, não promova ajuste nos juros, espere o mercado acalmar. […] e aí sim ele volte a tomar decisões de política monetária”, declarou a economista em entrevista ao SBT News.

“É mais uma sinalização para o governo do que um problema que efetivamente está sobre a mesa e que o Banco Central precisa reagir”, completou.

Além da mensagem ao governo, a economista acha que o BC quer esperar que o mercado se tranquilize após o segundo turno das eleições, já que depois da reeleição de Lula, as ações na B3 abriram em forte queda.

“Esse estresse pós-segundo turno adiciona um elemento ruim de volatilidade e nebulosidade muito grande. As instituições esperam ânimos arrefeceram para tomar decisões mais embasadas e consolidadas, para ter certeza da política que estão adotando”, afirmou.

O motivo dessa reação, segundo Argenta, é a situação atual da política fiscal do governo petista. A economista afirmou que um novo mandato de Lula indica uma manutenção na evolução dos gastos públicos, vista pelos agentes financeiros como “bastante nociva”.

O mercado teme que essa política aumente o risco de insolvência do país, mesmo que a médio/longo prazo, gerando um ambiente de incerteza e de “falta de credibilidade" do Executivo para contornar esses problemas.

Sobre o comunicado que será divulgado pelo Copom após a decisão sobre os juros, Argenta disse não esperar uma sinalização sobre a estratégia futura, seja para a retomada de cortes, para uma longa manutenção ou até mesmo para novas altas da taxa básica.

“A condição hoje é um pouco diferente do pós-pandemia ou do início da pandemia, quando o ambiente estava bastante desenhado e eram necessárias políticas muito fortes para estimular a economia ou frear a inflação”, declarou a economista-chefe da CM Capital.

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