Em meio à deterioração das expectativas de inflação, câmbio e crescimento econômico, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deve interromper o ciclo de cortes da taxa Selic e adotar uma postura de prudência. A avaliação é do ex-ministro da Fazenda e sócio da Tendências Consultoria, Maílson da Nóbrega. Para o economista, a autoridade monetária precisa de tempo para calibrar os impactos do cenário externo e das incertezas fiscais domésticas.
Pelas projeções da consultoria, a pausa na redução dos juros não será passageira e deve se estender até meados do próximo ano.
"O momento exige cautela, prudência. Você tem vários fatores de incerteza no cenário internacional e doméstico que impactam a inflação futura. O prudente seria fazer uma pausa, que pode se prolongar até meados do ano que vem", avaliou Nóbrega em entrevista ao programa Central de Notícias.
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Questionado sobre a pressão política que o Banco Central enfrenta, tanto de alas do governo quanto do mercado financeiro, Maílson minimizou os possíveis desgastes sobre o presidente do BC, Gabriel Galípolo. Segundo o ex-ministro, pressões sobre bancos centrais ocorrem no mundo inteiro, e Galípolo surpreendeu positivamente o mercado financeiro ao manter sua independência técnica.
"Imaginava-se que ele seria um 'pau-mandado' no Banco Central, mas ele provou exatamente o contrário. Não se curvou a pressões nem a pedidos. Ele percebeu que ceder a influências políticas destruiria seu patrimônio profissional e abriria espaço para uma disparada da inflação", pontuou.
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Ajuste fiscal: "Gradualismo é ilusão"
O ponto central do alerta de Maílson recai sobre a condução das contas públicas. Diante da promessa do ministro da Fazenda de entregar um "ajuste gradual", o economista foi enfático ao afirmar que não há espaço matemático para um meio-termo.
De acordo com dados citados por Nóbrega, a Instituição Fiscal Independente (IFI) estima que o país precisaria de um superávit primário entre 2,1% e 2,5% do PIB para estabilizar e reduzir a trajetória da dívida pública. No entanto, a margem de manobra do governo federal para cortar despesas discricionárias representa apenas de 1,5% a 2% do PIB, o equivalente a cerca de R$ 230 bilhões a R$ 240 bilhões.
"Toda a margem de corte do governo federal, diante da grave rigidez orçamentária do Brasil, é insuficiente para gerar o superávit necessário. Ajuste gradual pelo lado das despesas não fecha a conta", alertou.
Para o ex-ministro, discursos que focam unicamente no "fim de privilégios" no setor público são insuficientes. "Cortar privilégios no Judiciário e no Ministério Público é urgente, é uma vergonha nacional, mas não economiza nem 10% do que é necessário para estancar a sangria fiscal", disparou.
Risco de crise financeira
Maílson defendeu que o governo encaminhe reformas estruturais inadiáveis, incluindo a desvinculação dos benefícios da Previdência da política de valorização do salário mínimo e a revisão dos pisos constitucionais de Saúde e Educação.
Segundo ele, o mercado não exige que as metas sejam atingidas "da noite para o dia", mas cobra um plano de voo crível para os próximos anos. Se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva insistir em cumprir promessas eleitorais que blindem a expansão dos gastos e ignorar a necessidade de reformas, o desfecho será severo.
"Se o governo não der essa sinalização estrutural, o Brasil vai entrar em uma crise fiscal gravíssima, que vai se desdobrar numa crise financeira pior do que a que nós sofremos no período da ex-presidente Dilma Rousseff. Tudo o que é insustentável um dia cai."
No governo Dilma o país enfrentou uma queda drástica do Produto Interno Bruto (PIB), alta da inflação e instabilidade política.
Maílson prevê pausa na Selic e crise fiscal pior que DilmaEx-ministro da Fazenda defende cautela na política monetária e alerta para risco de crise financeira pior que a do governo Dilma RousseffEconomia2026-11-04T20:20:45.545ZEm meio à deterioração das expectativas de inflação, câmbio e crescimento econômico, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deve interromper o ciclo de cortes da taxa Selic e adotar uma postura de prudência. A avaliação é do ex-ministro da Fazenda e sócio da Tendências Consultoria, Maílson da Nóbrega. Para o economista, a autoridade monetária precisa de tempo para calibrar os impactos do cenário externo e das incertezas fiscais domésticas. Pelas projeções da consultoria, a pausa na redução dos juros não será passageira e deve se estender até meados do próximo ano. "O momento exige cautela, prudência. Você tem vários fatores de incerteza no cenário internacional e doméstico que impactam a inflação futura. O prudente seria fazer uma pausa, que pode se prolongar até meados do ano que vem", avaliou Nóbrega em entrevista ao programa Central de Notícias. 🤳 Notícias em primeira mão: baixe nosso aplicativo gratuito e leve o jornalismo do SBT News com você, onde estiver! . Questionado sobre a pressão política que o Banco Central enfrenta, tanto de alas do governo quanto do mercado financeiro, Maílson minimizou os possíveis desgastes sobre o presidente do BC, Gabriel Galípolo. Segundo o ex-ministro, pressões sobre bancos centrais ocorrem no mundo inteiro, e Galípolo surpreendeu positivamente o mercado financeiro ao manter sua independência técnica. "Imaginava-se que ele seria um 'pau-mandado' no Banco Central, mas ele provou exatamente o contrário. Não se curvou a pressões nem a pedidos. Ele percebeu que ceder a influências políticas destruiria seu patrimônio profissional e abriria espaço para uma disparada da inflação", pontuou. Ajuste fiscal: "Gradualismo é ilusão" O ponto central do alerta de Maílson recai sobre a condução das contas públicas. Diante da promessa do ministro da Fazenda de entregar um "ajuste gradual", o economista foi enfático ao afirmar que não há espaço matemático para um meio-termo. De acordo com dados citados por Nóbrega, a Instituição Fiscal Independente (IFI) estima que o país precisaria de um superávit primário entre 2,1% e 2,5% do PIB para estabilizar e reduzir a trajetória da dívida pública. No entanto, a margem de manobra do governo federal para cortar despesas discricionárias representa apenas de 1,5% a 2% do PIB, o equivalente a cerca de R$ 230 bilhões a R$ 240 bilhões. "Toda a margem de corte do governo federal, diante da grave rigidez orçamentária do Brasil, é insuficiente para gerar o superávit necessário. Ajuste gradual pelo lado das despesas não fecha a conta", alertou. Para o ex-ministro, discursos que focam unicamente no "fim de privilégios" no setor público são insuficientes. "Cortar privilégios no Judiciário e no Ministério Público é urgente, é uma vergonha nacional, mas não economiza nem 10% do que é necessário para estancar a sangria fiscal", disparou. Risco de crise financeira Maílson defendeu que o governo encaminhe reformas estruturais inadiáveis, incluindo a desvinculação dos benefícios da Previdência da política de valorização do salário mínimo e a revisão dos pisos constitucionais de Saúde e Educação. Segundo ele, o mercado não exige que as metas sejam atingidas "da noite para o dia", mas cobra um plano de voo crível para os próximos anos. Se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva insistir em cumprir promessas eleitorais que blindem a expansão dos gastos e ignorar a necessidade de reformas, o desfecho será severo. "Se o governo não der essa sinalização estrutural, o Brasil vai entrar em uma crise fiscal gravíssima, que vai se desdobrar numa crise financeira pior do que a que nós sofremos no período da ex-presidente Dilma Rousseff. Tudo o que é insustentável um dia cai." No governo Dilma o país enfrentou uma queda drástica do Produto Interno Bruto (PIB), alta da inflação e instabilidade política.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/economia/mailson-preve-pausa-na-selic-e-crise-fiscal-pior-que-dilma
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