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Ativistas detidos a caminho de Gaza estão em aeroporto para serem deportados, diz Israel

Grupo tentava levar ajuda humanitária para palestinos prejudicados pela guerra entre Israel e Hamas; brasileiro está entre tripulantes

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Camila Stucaluc
10/06/2025, 04:30 • Atualizado em 10/06/2025, 04:30
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Ativista Greta Thunberg após desembarcar em porto de Israel | Divulgação/governo de Israel

Ativista Greta Thunberg após desembarcar em porto de Israel | Divulgação/governo de Israel

O governo de Israel informou, na noite de segunda-feira (9), que os 12 ativistas que estavam a bordo da embarcação Madleen chegaram ao aeroporto para serem deportados. O grupo tentava levar ajuda humanitária para a Faixa de Gaza, quando foi interceptado por militares israelenses.

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“Os passageiros chegaram ao Aeroporto Ben Gurion para partir de Israel e retornar aos seus países de origem. Aqueles que se recusarem a assinar os documentos de deportação e deixar Israel serão levados perante uma autoridade judicial, de acordo com a lei israelense, para autorizar sua deportação. Cônsules dos países de origem dos passageiros os encontraram no aeroporto”, disse o governo.

O grupo viajou pela Freedom Flotilla Coalition. Na embarcação, que deixou o porto de Catânia, no sul da Itália, no último domingo (1º), estavam a ativista ambiental sueca Greta Thunberg, o brasileiro Thiago Ávila, o ator Liam Cunningham, da série "Game of Thrones", e outras nove pessoas. Todos foram detidos pelo exército de Israel no momento em que o barco se aproximou do território palestino.

Em comunicado, o governo israelense disse que já havia alertado o grupo de que não permitiria a entrada da embarcação em Gaza, acusando os tripulantes de serem antissemitas e “propagandistas do Hamas”. “A pequena quantidade de ajuda será transferida para Gaza através de canais humanitários reais. Há maneiras de entregar ajuda à Gaza — elas não envolvem provocações e selfies”, disse a gestão.

Crise humanitária

Os habitantes da Faixa de Gaza vêm enfrentando uma grave crise humanitária desde o início da ofensiva de Israel contra o Hamas, em outubro de 2023. Além dos bombardeios em massa, o exército chegou a impôr dois bloqueios sobre a entrada de ajuda humanitária na região. O último, que durou três meses, aconteceu em março, como forma de pressionar o grupo palestino a entregar os reféns israelenses.

A medida, no entanto, foi suspensa parcialmente, com o exército permitindo a entrada de um número controlado de mantimentos e insumos médicos. Desde então, Israel também vem tentando substituir as organizações que atuam na região, como a Organização das Nações Unidas (ONU), pela Fundação Humanitária de Gaza (GHF, na sigla em inglês), apoiada pelo país e pelos Estados Unidos.

Os novos centros de distribuição enfrentaram dificuldades, com palestinos invadindo os locais em busca de alimentos. Como resposta, o exército israelense, que faz a segurança das áreas, disparou tiros de advertência, provocando a morte de dezenas de pessoas. O cenário aumentou a tensão internacional sobre a atuação de Israel em Gaza e fez a ONU pedir uma investigação sobre o caso.

"É inaceitável que os palestinianos estejam a arriscar as suas vidas por comida. Apelo a uma investigação imediata e independente sobre estes acontecimentos e a que os autores sejam responsabilizados. Israel tem obrigações claras sob o direito internacional humanitário de concordar e facilitar a ajuda humanitária”, disse o secretário-geral da ONU, António Guterres.

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