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Após conversas com o Irã, Trump suspende possíveis ataques a usinas de energia do país por cinco dias

Negociações, que segundo ele estão sendo "boas e produtivas", continuam ao longo da semana

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Naiara Ribeiro, com informações da Reuters
23/03/2026, 12:05 • Atualizado em 24/03/2026, 04:24
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (23) que o país teve conversas "boas e produtivas" com o Irã e que determinou o adiamento de possíveis ataques contra usinas de energia e infraestrutura energética iranianas por cinco dias.

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A decisão ocorre após o Irã ameaçar atingir usinas de energia em Israel e estruturas que abastecem bases americanas na região do Golfo, caso haja ofensiva dos EUA contra a rede elétrica iraniana.

Segundo Trump, as conversas entre os dois países devem continuar ao longo da semana. A declaração foi feita em uma publicação nas redes sociais.

Fico satisfeito em informar que os Estados Unidos da América e o Irã tiveram, nos últimos dois dias, conversas muito boas e produtivas sobre uma resolução completa e definitiva de nossas hostilidades no Oriente Médio.

Com base no tom e no conteúdo dessas conversas aprofundadas, detalhadas e construtivas, que continuarão ao longo da semana, determinei ao Departamento de Guerra que adie quaisquer ataques militares contra usinas de energia e infraestrutura energética iranianas por um período de cinco dias, condicionado ao sucesso das reuniões e discussões em andamento.

O que está acontecendo no Oriente Médio?

O Irã foi alvo de um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro. O bombardeio, que deixou mais de 500 mortos, ocorreu em meio às negociações de Teerã com Washington sobre um novo acordo nuclear.

Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.

Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio — que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.

Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.

Dias antes do ataque, representantes iranianos e norte-americanos se encontram na Suíça para debater um novo acordo nuclear. Eles haviam classificado o encontro como positivo, dizendo que o próximo passo envolveria equipes especializadas de ambos os países em Viena, na sede da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Na manhã de sábado, no entanto, Trump acusou o Irã de "voltar a perseguir suas ambições nucleares", mesmo após os ataques de 2025, resultando em novos bombardeios, desta vez em parceria com Israel. Em retaliação aos ataques, Teerã lançou mísseis contra Israel e atacou bases militares norte-americanas no Oriente Médio. Um ataque direto aos Estados Unidos também foi prometido pelos iranianos.

O conflito se expandiu após o Hezbollah, aliado do Irã, lançar mísseis contra Israel, que respondeu atacando alvos em todo o Líbano, país onde o grupo é dominante. Além disso, drones iranianos atingiram bases militares europeias no Oriente Médio. A ação resultou em um comunicado conjunto entre França, Alemanha e Reino Unido, que sugeriram a possibilidade de entrar no conflito para "a defesa de seus interesses e de seus aliados".

As hostilidades entre Irã e Estados Unidos escalaram para o Estreito de Ormuz. Situada entre o Irã e Omã, a região é um ponto estratégico por ser a principal rota de saída para cerca de 20% do petróleo mundial. Por esse motivo, confrontos militares na região levantam sérias preocupações sobre a segurança energética e a estabilidade do mercado global de petróleo, o que pressiona a economia.

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