Alpinista que deixou namorada morrer em montanha é condenado na Áustria
Réu foi acusado de negligência por deixar jovem sozinha no frio para buscar ajuda; causa da morte foi hipotermia


Camila Stucaluc
Um alpinista foi condenado pela morte de sua namorada durante uma escalada na montanha Grossglockner, a mais alta da Áustria. Thomas P. foi considerado culpado por homicídio culposo — quando não há intenção de matar —, sendo sentenciado, na quinta-feira (19), a cinco meses de prisão, em liberdade condicional, e ao pagamento de multa no valor de 9.400 euros (cerca de R$57.700).
O caso aconteceu em 19 de janeiro deste ano. Na data, o casal fazia uma escala na montanha de 3.798 metros de altura, que demorou mais do que o previsto. A cerca de 50 metros do cume, a namorada de Thomas, Kerstin G., não conseguiu continuar o trajeto devido à exaustão. Foi então que Thomas decidiu deixá-la para buscar ajuda. Ela morreu de hipotermia antes do resgate, devido às condições climáticas adversas.
Na acusação, a promotoria alegou que, por ser um alpinista experiente, Thomas era o “guia responsável pela excursão” e, por isso, foi negligente ao deixar Kerstin exposta a ventos de até 74 km/h e ao frio de -8ºC, com sensação térmica de -20ºC, sem envolvê-la em uma manta térmica. Mencionou, ainda, que o homem chegou a ligar para a polícia, mas não especificou se precisava de resgate.
Durante o julgamento, Thomas se declarou inocente, dizendo que o casal havia planejado a excursão juntos. No final, pediu desculpas pelo ocorrido. “Sinto infinitamente pelo que aconteceu e como aconteceu", disse ele, em fala citada pela imprensa austríaca.
O juiz Norbert Hofer, do tribunal de Innsbruck, no entanto, acatou as acusações, dizendo que o alpinista não forneceu equipamentos adequados à namorada e não “reagiu direito” quando o tempo piorou. Segundo ele, o casal deveria ter voltado, já que Kerstin não tinha experiência suficiente em condições de inverno. “Não acho que você seja um assassino, como foi escrito nas redes sociais. Eles reagiram errado nessa situação”, disse.









