Justiça

STF pede "paz social" após Dino relatar ameaça de morte em aeroporto

Ministro conta que foi intimidado por funcionária de empresa aérea; em nota, presidência do Supremo frisa repúdio à violência e pede tolerância e civilidade

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Os ministros Edson Fachin e Flávio DIno | Rosinei Coutinho/STF

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, publicou nota nesta segunda-feira (18) em solidariedade ao colega Flávio Dino depois de o ministro afirmar ter sofrido uma ameaça de morte de uma funcionária em um aeroporto de São Paulo.

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Conforme relato feito por Dino nas redes sociais, a atendente de uma empresa aérea teria lido seu nome em um cartão de embarque e manifestado a um policial judicial que estava ao lado a vontade de “xingar” ou mesmo “matar” o ministro. Dino usa o episódio para chamar a atenção de companhias e outras empresas de prestação de serviços para o perigo que a polarização política apresenta, inclusive, a outros clientes.

“O pedido que faço às empresas em geral, mas especialmente àquelas que lidam com o público, é que façam campanhas internas de EDUCAÇÃO CÍVICA para que todos possam conviver em PAZ, especialmente nesse ano eleitoral, em que muitos sentimentos se acirram. Cada um tem sua opinião, suas simpatias e o seu voto individual. Mas um cidadão não pode ter receio de sofrer uma agressão de um funcionário de uma empresa, ao consumir um serviço ou produto", publicou no Instagram.

Em nome do Supremo, Fachin afirmou que a pluralidade de posições políticas no país não pode dar margem “para a violência em qualquer de suas formas ou para qualquer modo de agressão pessoal".

“Impõe-se reafirmar os valores da civilidade, da tolerância e da paz social. O Brasil precisa de serenidade, espírito público e compromisso democrático, para que as diferenças possam coexistir dentro dos limites do respeito mútuo e da dignidade humana", escreveu Fachin.

Ministros da Corte passaram a ser alvo mais frequente de hostilizações em público principalmente durante o governo de Jair Bolsonaro. Um dos episódios também foi ambientado em um aeroporto, mas em Roma, envolvendo Alexandre de Moraes. O ministro foi ofendido com palavrões por uma família na sala de espera do embarque em um processo que terminou com a retratação das partes.

Leia a íntegra da nota de Fachin

"Nota do Supremo Tribunal Federal

A divergência de ideias, própria da democracia, jamais pode abrir espaço para o ódio, para a violência em qualquer de suas formas ou para qualquer modo de agressão pessoal.

Manifestamos, por isso, nossa solidariedade ao Ministro Flávio Dino diante do grave fato, ocorrido hoje no aeroporto de São Paulo, cujo relato foi tornado público.

O respeito a todas as pessoas, tenham ou não funções públicas, às instituições e às autoridades legitimamente constituídas é condição essencial da convivência republicana.

Impõe-se reafirmar os valores da civilidade, da tolerância e da paz social. O Brasil precisa de serenidade, espírito público e compromisso democrático, para que as diferenças possam coexistir dentro dos limites do respeito mútuo e da dignidade humana.

Ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF)."

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