Brasil

Na frente de Lula, Joesley Batista ligou para Trump e marcou encontro, revela correspondente

Jornalista do The Washington Post entrevistou Lula e revela os bastidores; presidente do Brasil busca contato pessoal com líder dos EUA

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Lula durante encontro com Donald Trump nos EUA. | Foto: Ricardo Stuckert
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O encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi uma articulação direta do empresário Joesley Batista, segundo revelou a correspondente do The Washington Post no Brasil, Marina Dias. De acordo com a jornalista, o governo brasileiro buscava marcar a reunião desde março, mas sucessivos adiamentos impediram a confirmação da agenda.

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A repórter afirmou que tudo mudou durante o feriado de 1º de maio, quando Batista ligou diretamente para Trump, sem passar por assessores, permitindo que os dois presidentes conversassem e definissem pessoalmente a data do encontro na Casa Branca.

Marina Dias entrevistou Lula para o Washington Post após o encontro entre os líderes na Casa Branca. Sobre a conversa, ela concluiu que Lula pretende fortalecer um contato pessoal com Trump, enquanto o líder americano demonstra interesse direto por sua trajetória política. Essa foi a primeira entrevista concedida por Lula após o encontro entre os dois na Casa Branca.

Segundo a correspondente, Lula aposta na relação pessoal como estratégia diplomática para aproximar os países e evitar novos conflitos comerciais.

“O Lula, ele tenta investir na relação com o Trump nesse contato pessoal, que o Trump chamou de química e ele chamou de amor à primeira vista”, afirmou Marina Dias durante entrevista ao Central de Notícias, do SBT News. A entrevista marca a primeira conversa de Lula com o Washington Post em 24 anos.
Marina Dias, correspondente do Washington Post, que entrevistou Lula. | Reprodução/SBT News
Marina Dias, correspondente do Washington Post, que entrevistou Lula. | Reprodução/SBT News

A repórter explicou que o objetivo da conversa era entender como dois líderes ideologicamente opostos passaram a construir uma relação pragmática. Dias comentou que Lula busca projetar a imagem de um estadista capaz de dialogar com diferentes correntes políticas internacionais: “O Lula quer se mostrar esse estadista pragmático, capaz de conversar com todo mundo, inclusive com a direita global, mas sem ser submisso."

Marina Dias resumiu a entrevista com o presidente em uma frase dita por ele: "Minhas diferenças políticas com o Trump não interferem na minha relação com ele como chefe de estado. O que eu quero é que quando o Trump esteja conversando comigo, ele respeite o Brasil, sabendo que quem é o presidente eleito aqui sou eu.”

Interesse pessoal de Trump

A correspondente relatou ainda que assessores da Casa Branca apontaram um interesse pessoal de Trump pela trajetória política do brasileiro. “É impressionante como ele fica fascinado pelo Lula. Ele presta atenção no que o Lula fala. Ele quer entender o que o Lula tá falando. Ele tem interesse na história do Lula”, contou.

Segundo a jornalista, Trump demonstrou curiosidade especialmente sobre episódios da vida política do presidente brasileiro.

“Na Malásia, por exemplo, ele se interessou sobre a história da prisão do Lula. Ele não sabia que o Lula tinha sido preso, depois solto, depois eleito presidente”, afirmou.

Relação pragmática e interesses comerciais

Na avaliação da correspondente, a aproximação ocorre em um momento de tensões comerciais entre os dois países. Lula defendeu que os EUA tratem a América Latina como parceira estratégica e argumentou que o país precisará disputar espaço econômico com a China, hoje principal parceiro comercial do Brasil.

De acordo com Dias, a pauta das tarifas comerciais foi central nas conversas entre os líderes. A jornalista afirmou que diplomatas dos dois países consideram o tema o principal avanço do encontro, com expectativa de negociação para evitar novas sanções econômicas.

Lula também demonstrou confiança de que a relação pessoal com Trump contribua para o respeito à democracia brasileira. A repórter destacou que o presidente acredita que o diálogo direto ajuda a consolidar reconhecimento institucional entre os dois governos.

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