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Não preciso me esforçar para Trump ver que sou melhor que Bolsonaro, diz Lula ao Washington Post

Em entrevista ao jornal americano, presidente defendeu o pragmatismo na tentativa de construir boa relação apesar das divergências ideológicas

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SBT News
17/05/2026, 12:59 • Atualizado em 17/05/2026, 13:04
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Lula e Trump em encontro na Casa Branca, nos EUA | Divulgação/Ricardo Stuckert/PR

Lula e Trump em encontro na Casa Branca, nos EUA | Divulgação/Ricardo Stuckert/PR

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu uma abordagem pragmática frente ao republicano Donald Trump em entrevista publicada neste domingo (17) pelo jornal The Washington Post, a primeira desde que os líderes se encontraram para um encontro bilateral no início deste mês.

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Ciente de que está em um espectro político diametralmente oposto ao do presidente dos Estados Unidos, Lula frisou não ser necessário ter o mesmo alinhamento natural que Trump tinha com o ex-presidente Jair Bolsonaro para manter uma relação de ganhos mútuos.

O jornal cita as articulações do ex-deputado Eduardo Bolsonaro para convencer a Casa Branca a intervir no Brasil contra uma suposta perseguição política contra a direita. Mas Lula diz que não quis interferir na relação de Bolsonaro com Trump, preferindo mostrar ao republicano que há os EUA têm mais a ganhar com ele na Presidência do que seu antecessor.

"Eu jamais pediria a Trump para não gostar de Bolsonaro. Esse é o problema dele [...] Não preciso fazer nenhum esforço para que ele saiba que sou melhor que Bolsonaro. Ele já sabe disso", afirmou.

O Washington Post destaca que a relação contenciosa entre o governo trumpista e o de Lula começou a mudar depois de um encontro casual em setembro do ano passado, na Assembleia Geral da ONU, pouco depois de Bolsonaro ser condenado a 27 anos de prisão por crimes envolvendo a tentativa de golpe de Estado.

O episódio marcou uma virada no que vinha sendo uma abordagem mais dura dos EUA, com a imposição de tarifas e a aplicação da Lei Magnitsky contra autoridades brasileiras. Desde então, Trump passou a se referir a Lula de forma elogiosa, definindo-o como "dinâmico" e "inteligente".

Mas mesmo com a melhora no relacionamento, o presidente brasileiro expressou ao jornal preocupação com a falta de diálogo e cooperação na abordagem política do governo americano.

"Espero que Trump possa ser convencido de que os Estados Unidos podem desempenhar um papel muito mais importante no fortalecimento da paz, da democracia e do multilateralismo [...] Será difícil? Sim. Mas se eu não acreditasse na persuasão, não estaria na política."

O Washington Post destaca que, para além dos ganhos que traz para o Brasil, manter uma boa relação com Trump também é vantajosa para Lula no esforço para ser reeleito para um quarto mandato. Como mostrou pesquisa Quaest da última semana, 60% dos brasileiros avaliaram que o encontro com o republicano foi positivo para o país.

Sobre a cooperação entre os países no combate ao crime organizado, um dos principais pontos conversados no início do mês, Lula avaliou que não vê brecha para uma intervenção como foi na Venezuela, com a captura de Nicolás Maduro no início do ano, ou em ataques contra embarcações no Caribe, além da ameaça de invasão à Cuba.

Os EUA têm justificado a postura como de combate ao narcotráfico e à entrada de drogas no país, apesar de organismos internacionais falarem em intervenção indevida na soberania estrangeira.

"Os Estados Unidos não farão isso com o Brasil", avaliou o presidente brasileiro.

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