Cuba diz estar “disposta a ouvir” ajuda de US$ 100 milhões dos EUA
Chanceler Bruno Rodríguez afirma que proposta carece de detalhes e critica sanções americanas em meio à crise energética


Vicklin Moraes
O governo cubano afirmou nesta quinta-feira (14) que está "disposto a ouvir" a oferta de ajuda humanitária de US$ 100 milhões feita pelos Estados Unidos.
Em publicação no X, Bruno Rodríguez, ministro das Relações Exteriores de Cuba, afirmou que ainda não está claro se será ajuda em dinheiro ou material, nem se será destinada às necessidades mais urgentes da população, como combustíveis, alimentos e medicamentos.
"Pela primeira vez, o governo dos Estados Unidos formaliza publicamente, por meio de um comunicado do Departamento de Estado, uma oferta de ajuda a Cuba avaliada em 100 milhões de dólares", afirmou.
De toda forma, segundo ele, mesmo diante da "incongruência" da aparente generosidade por parte de quem submete o povo cubano a um "castigo coletivo" por meio da guerra econômica, o governo não costuma rejeitar ajuda estrangeira oferecida de boa-fé e com fins genuínos de cooperação, seja bilateral ou multilateral.
Também não há impedimentos, segundo Rodríguez, em trabalhar com a Igreja Católica, com a qual Cuba possui uma longa e positiva experiência de cooperação.
"Estamos dispostos a ouvir as características da oferta e a forma como ela seria concretizada", disse.
O chanceler afirmou ainda esperar que a proposta esteja livre de manobras políticas e de tentativas de se aproveitar das carências e do sofrimento do povo cubano.
Ele acrescentou que a melhor ajuda que o governo dos Estados Unidos poderia oferecer seria a redução das medidas do bloqueio energético, econômico, comercial e financeiro, intensificado nos últimos meses e que afeta severamente a economia e a sociedade cubana.
Desde janeiro, Washington intensificou a pressão sobre Havana para implementar reformas econômicas e políticas, com medidas que incluem restrições ao fornecimento de petróleo. O país vive uma crise energética desde meados de 2024, que vem se agravando nos últimos meses, com impactos diretos na economia e aumento da tensão social.
Os Estados Unidos aumentaram a pressão neste ano sobre Cuba após capturar o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, principal aliado do país.
O presidente dos EUA, Donald Trump, interrompeu os envios de petróleo venezuelano para Cuba e ameaçou impor tarifas a países que vendam o produto à ilha, agravando ainda mais a situação da rede elétrica cubana.









