Durigan vai à França para o G7 e terá minerais críticos como trunfo de negociação
Ministro da Fazenda participa de encontro que antecede a cúpula de junho; Brasil quer atrair investidores para consolidar extração com ganhos de cadeia


SBT News
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, embarca neste domingo (17) para a França em sua segunda viagem internacional desde que assumiu o comando da equipe econômica com a saída de Fernando Haddad. Durigan participará de reuniões do G7 e de encontros para debater temas como inteligência artificial, energia e minerais estratégicos.
Ele chega a Paris na segunda-feira (18) para a reunião de ministros da Fazenda e de presidentes de Bancos Centrais do G7, grupo formado por Estados Unidos, Alemanha, Japão, Reino Unido, França, Itália e Canadá. O Brasil participa como convidado. Também estão previstos compromissos com representantes da sociedade civil e do setor privado francês.
A programação de segunda inclui uma mesa-redonda promovida pela revista Le Grand Continent, voltada a temas de geopolítica e análise internacional, além de um almoço na redação do jornal Le Monde, conforme a Agência Brasil. À tarde, o ministro visita a startup francesa de inteligência artificial Mistral AI, onde se reúne com o CEO da empresa, Arthur Mensch. À noite, participa do jantar ministerial do G7.
Na terça-feira (19), Durigan terá a reunião principal do G7 ao lado dos demais ministros da Fazenda e presidentes de Bancos Centrais do grupo. Depois do almoço ministerial, a agenda prevê encontros bilaterais com a representante da França para Inteligência Artificial, Anne Le Hénanff, e com a ministra das Finanças do Japão, Satsuki Katayama.
O ministro brasileiro também deve se reunir com o diretor-executivo da Agência Internacional de Energia, Fatih Birol, em meio à preocupação com os abalos no mercado global de energia com a guerra no Oriente Médio. O Brasil, conforme Durigan, tem sido elogiado em fóruns internacionais pelas iniciativas para proteger o consumidor das oscilações no preço do petróleo.
A viagem é também uma tentativa de apresentar o Brasil como alternativa estratégica no mercado global de minerais críticos. Entre os trunfos citados pelo governo estão a vastidão de recursos em terras raras, nióbio e grafeno, elementos-chave na transição energética e produção de baterias. Atualmente, a China detém, em tese, o monopólio da extração desses recursos, que exigem alta capacidade tecnológica e custo elevado.
Segundo o ministro, o objetivo do governo Lula será ampliar investimentos estrangeiros no setor mineral brasileiro sem abrir mão do controle nacional sobre os recursos naturais. A proposta inclui incentivar o fortalecimento da indústria ligada à cadeia mineral e energética e agregar valor à produção nacional.
Inicialmente, a viagem à França faria parte de uma agenda mais longa, que incluiria a reunião do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), o Banco dos Brics, na Rússia. Mas a viagem a Moscou foi cancelada após o fechamento temporário do aeroporto da capital russa em razão de ataques de drones ucranianos na região.






