Política

Alckmin e Tarcísio antagonizam em debate sobre fim da escala 6x1

Vice-presidente afirma que decisão caberá ao Congresso; governador de SP alerta para risco de perda de renda, informalidade e aumento de custos a empresas

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Larissa Alves
18/05/2026, 20:58 • Atualizado em 18/05/2026, 20:58
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Vice-presidente, Geraldo Alckmin, e governador de SP, Tarcísio de Freitas | Reprodução

Vice-presidente, Geraldo Alckmin, e governador de SP, Tarcísio de Freitas | Reprodução

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) respondeu às críticas feitas ao governo federal sobre a proposta de fim da escala 6x1 durante a abertura da APAS Show, nesta segunda-feira (18), em São Paulo.

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O tema dominou os discursos de autoridades políticas e empresários no evento do setor supermercadista. A expectativa é que a votação da proposta aconteça na próxima quarta-feira (27), na Câmara dos Deputados.

Alckmin afirmou que o governo federal encaminhou a proposta, mas ressaltou que a decisão será tomada pelo Congresso Nacional e defendeu que o debate aconteça por meio de negociação entre trabalhadores, empresários e parlamentares.

“O presidente Lula encaminhou a proposta ao Congresso Nacional e cabe agora ao Congresso Nacional discuti-la e votá-la. O caminho é o diálogo”, afirmou o vice-presidente.

Durante o discurso, Alckmin também defendeu que a discussão leve em consideração a realidade dos trabalhadores e relatou uma conversa que teve com uma funcionária de um estabelecimento às margens da rodovia Ayrton Senna.

“Ela falou: ‘eu não tenho problema em trabalhar sábado, domingo ou à noite. Eu só preciso de dois dias para cuidar da minha casa e dos meus filhos’.”

O vice-presidente ainda associou o debate à necessidade de geração de empregos formais e qualificação profissional.

“Nós tínhamos 27 milhões de famílias no Bolsa Família. Hoje temos 18 milhões. Nove milhões saíram. Sete milhões foram para carteira assinada e outras abriram pequenos negócios”, disse.

Já o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) fez um discurso crítico à proposta e afirmou que mudanças na jornada sem aumento de produtividade podem prejudicar trabalhadores e empresas.

“O empregador que hoje paga R$ 3 mil para o funcionário queria pagar R$ 6 mil, mas não paga porque esse dinheiro é subtraído por meio de encargos pesados”, afirmou.

Segundo Tarcísio, a redução da jornada pode afetar o poder de compra dos trabalhadores.

“Não adianta achar que o trabalhador vai ter uma jornada reduzida e vai aproveitar esse tempo com a família se ele perder poder de compra e precisar fazer bico para complementar renda.”

O governador também alertou para riscos de informalidade, desemprego e aumento de custos para o setor produtivo.

“Há uma preocupação enorme no setor produtivo, e isso precisa ser ouvido para que a gente não leve as pessoas para o caminho da informalidade, da falta de proteção social, do desemprego e da falta de dinheiro no fim do mês.”

O prefeito Ricardo Nunes (MDB) também defendeu cautela e afirmou que o debate precisa de mais amadurecimento.

“O nosso país é um país pobre e a forma de crescer é trabalhando”, declarou durante o evento.

Nunes afirmou ainda que mudanças na escala de trabalho precisam considerar impactos econômicos, contratos públicos e responsabilidade fiscal.

Setor defende modelos mais flexiíveis

O presidente da Associação Paulista de Supermercados (Apas), Erlon Ortega, defendeu modelos mais flexíveis de jornada e afirmou que as relações de trabalho precisam acompanhar mudanças no perfil dos trabalhadores.

“Precisamos modernizar essa discussão. Hoje o jovem quer trabalhar cedo, ser empreendedor à tarde e estudar à noite. Tem outra demanda e outra visão do mercado de trabalho. Além disso, 10% dos nossos colaboradores são 50+, que por vezes querem uma jornada mais compacta”, afirmou.

Segundo Ortega, o setor supermercadista possui atualmente cerca de 350 mil vagas abertas.

Já o presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), João Galassi, afirmou apoiar o fim da escala 6x1 com adoção do modelo 5x2, mas se posicionou contra a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. A entidade também defende modelos de contratação baseados em horas trabalhadas em vez do regime mensalista.

Representantes da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) e da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomércio) também criticaram o que chamaram de mudanças precipitadas na jornada de trabalho e defenderam que a discussão seja feita “com calma” e fora do período eleitoral.

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