Justiça

Posição da PGR contra prisão de Vorcaro deve pesar na avaliação de ministros do STF

Advogados de banqueiro conversam com ministros e detalham rotina de banqueiro no presídio de segurança máxima

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Paulo Gonet (Edilson Rodrigues/Agência Senado)

O parecer da PGR (Procuradoria-Geral da República) contra a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro deve pesar na avaliação dos ministros da Segunda Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) no julgamento previsto para sexta-feira (13).

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Cinco integrantes do Supremo, entre assessores e ministros que compõem o colegiado, afirmaram ao SBT News, sob reserva, que a posição do procurador-geral Paulo Gonet despertou dúvidas sobre a necessidade da prisão preventiva do banqueiro.

Pesa ainda a favor de Vorcaro a ofensiva que seus advogados passaram a fazer no Supremo para explicar o contexto das mensagens e detalhar as condições do banqueiro no presídio de segurança máxima em Brasília.

Vorcaro tem ficado 22 horas isolado em sua cela de 6 m², com luz acesa de forma ininterrupta e acesso restrito de advogados e familiares.

O cenário tem sido descrito por advogados e políticos a ministros do STF como uma tentativa da Polícia Federal de forçar Vorcaro a fazer uma delação premiada.

Pesa na avaliação de alguns dos ministros, ainda, a relevância e exposição midiática do caso. A soltura de Vorcaro poderia agravar a crise do Supremo no caso Master, pondera um auxiliar de ministro.

Dias Toffoli se disse na quarta (11) suspeito de julgar os processos ligados ao Banco Master e não vai participar do julgamento sobre a prisão de Vorcaro.

Quatro ministros têm direito a voto. São eles André Mendonça, Luiz Fux, Gilmar Mendes e Nunes Marques. Em caso de empate, vence a tese mais favorável ao banqueiro.

Posição de Gonet

Gonet foi contra a operação da PF da última semana que resultou na prisão de Vorcaro e outras três pessoas. O motivo foi o tempo considerado exíguo dado por André Mendonça, de 72 horas, para sua manifestação.

O PGR também destacou a importância de situar no tempo correto os fatos relatados pela Polícia Federal. As mensagens ameaçadoras contra o jornalista Lauro Jardim e ex-empregados foram trocada em junho e julho de 2025.

"Os fatos – mesmo os mais graves – não podem deixar, por exemplo, de ser situados no tempo, até mesmo para que os pressupostos das medidas requeridas sejam avaliados em boa técnica", defendeu Gonet.

O advogado Roberto Podval afirmou, em entrevista ao SBT News, que não vê contemporaneidade dos fatos para justificar a prisão do banqueiro.

Vorcaro queria Nunes Marques

Quando a defesa de Vorcaro pediu, em novembro de 2025, para o caso Master subir para o STF, os advogados do banqueiro indicaram que o processo deveria ficar no gabinete de Nunes Marques.

À época, havia uma leitura na defesa do banqueiro que o ministro poderia ser mais atencioso às suas demandas e aberto aos esclarecimentos.

A defesa argumentava que o caso deveria ficar com Nunes Marques por causa de citações ao deputado João Bacellar (PL-BA), também mencionado na Operação Overclean.

O presidente do STF, Edson Fachin, discordou do pedido por considerar não haver relação objetiva entre os dois casos. Determinou a distribuição por sorteio. O escolhido foi Dias Toffoli, que acabou deixando o caso após serem reveladas negociações comerciais entre o ministro e investigados no caso Master.

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