Após vazamentos, dados de celular de Vorcaro ficarão trancados em sala controlada e sem internet
Presidente da CPMI do INSS disse ter tido acesso a todos os dados de aparelho do banqueiro; comissão foi acusada de vazar informações para a imprensa

Valentina Moreira
O presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), disse ao SBT News nesta quinta-feira (12) que a comissão está em posse do material completo das quebras de sigilo de telefones do banqueiro Daniel Vorcaro, do Master. Conforme o senador, foram necessárias quase 7h para baixar todas as informações.
Os dados extraídos ficarão em uma “sala-cofre” sem acesso à internet e com restrição ao uso de aparelhos eletrônicos. A justificativa é evitar vazamentos de conteúdos do telefone de Vorcaro – o que, segundo ele, foi erroneamente atribuído a congressistas da CPMI.
“Dessa maneira, as informações poderão ser copiadas e utilizadas para novas apurações sem o risco de vazamentos do que foi nos entregue”, afirmou.
Na última semana, revelações oriundas do celular de Vorcaro desencadearam uma crise no Supremo Tribunal Federal, com mensagens indicando que o banqueiro teria conversado com o ministro Alexandre de Moraes sobre movimentações para salvar o banco da liquidação no dia em que foi preso, em novembro no ano passado. Moraes nega a autoria das mensagens, mas não esclarece o teor de sua relação com Vorcaro – o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci, tinha contrato milionário junto ao Master.
Em nota divulgada após as supostas mensagens virem à tona, Moraes atribuiu os vazamentos a um “arquivo que a CPMI do INSS disponibilizou para toda a imprensa". O STF aceitou um pedido de defesa de Vorcaro e instaurou uma investigação para determinar a responsabilidade por trás dos vazamentos.
Outro conteúdo divulgado a partir dos celulares foram mensagens íntimas trocadas entre Vorcaro e a ex-noiva Martha Graeff. Na segunda-feira (9), o ministro Gilmar Mendes afirmou pelas redes sociais que a exposição de diálogos privados sem relação com eventuais crimes representa uma “gravíssima violação ao direito à intimidade”. Ele classificou o episódio como uma “barbárie institucional” que ultrapassava os limites previstos na legislação e na Constituição.
O SBT News apurou que, internamente na CPMI, o entendimento é de que os vazamentos arriscam inclusive acumular irregularidades no processo que abram brecha para Vorcaro ser solto. O banqueiro está preso em uma penitenciária de segurança máxima em Brasília em decorrência da terceira fase da Operação Compliance Zero na última quarta-feira (4).
A PF entende que Vorcaro chefiava um grupo orientado a coagir adversários, incluindo jornalistas e ex-funcionários, para não agir contra seus interesses. Há também menções a acessos a sistemas restritos de órgãos de segurança, incluindo o FBI e a Interpol, para se adiantar a possíveis investigações. Outra descoberta foi o contato privilegiado de Vorcaro com dois funcionários do Banco Central que agiam como seus intermediários e conselheiros dentro da autoridade monetária.









