Caso Henry: advogada deixa defesa de Monique Medeiros
Florence Rosa afirmou que divergências sobre a estratégia jurídica levaram ao encerramento da atuação no caso

A advogada Florence Rosa e a mãe de Henry Borel, Monique Medeiros | Foto: Reprodução
A advogada Florence Rosa anunciou, na tarde desta quinta-feira (11), que não integra mais a defesa de Monique Medeiros.
A saída ocorre uma semana após a decisão da Justiça que concedeu perdão judicial à mãe de Henry Borel, em julgamento realizado no Tribunal do Júri. Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, foi condenado a 43 anos de prisão.
Em nota, Florence informou que sua contratação tinha como objetivo exclusivo a atuação na sessão plenária do Tribunal do Júri, encerrada na última semana e que resultou na liberdade de Monique.
Segundo a advogada, havia interesse em continuar representando a cliente durante a fase recursal do processo. No entanto, a chegada de uma nova profissional à equipe de defesa gerou divergências sobre a condução jurídica do caso.
“A incompatibilidade de estratégias tornou inviável a continuidade do trabalho”, afirmou Florence Rosa em comunicado.
De acordo com a advogada, o desligamento foi definido em comum acordo entre ela e Monique Medeiros.
O que acontece agora?
Com a saída de Florence Rosa, a defesa de Monique Medeiros passa a ser conduzida pela nova equipe jurídica. O caso segue em uma etapa de recursos, após a decisão que concedeu perdão judicial à ré.
O pai de Henry Borel, Leniel Borel, pediu na última segunda-feira (8) a anulação do julgamento. O recurso foi apresentado após o Tribunal do Júri desclassificar a acusação de homicídio doloso para homicídio culposo, quando não há intenção de matar.
Monique foi condenada por omissão em relação à tortura sofrida pelo filho e sentenciada a um ano e quatro meses de detenção. A pena foi considerada encerrada porque ela já havia cumprido período de prisão preventiva.
Relembre o caso Borel
Henry Borel morreu no apartamento onde morava com a mãe, Monique Medeiros, e o padrasto, Dr. Jairinho, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, na madrugada de 8 de março de 2021. Ele tinha apenas quatro anos.
O menino chegou a ser levado a um hospital particular na Barra da Tijuca, onde o casal alegou que a criança teria sofrido um acidente doméstico. No entanto, o laudo de necropsia do IML (Instituto Médico-Legal) apontou que Henry sofreu 23 lesões por ação violenta, incluindo laceração hepática e hemorragia interna.
As investigações da Polícia Civil concluíram que Henry era vítima de uma rotina de tortura praticada pelo padrasto, e que a mãe tinha conhecimento das agressões. Os réus foram presos em abril de 2021 e denunciados pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ).
Após a repercussão do caso, a Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro aprovou o projeto que cria a "Ronda de Proteção à Infância", também chamada de "Ronda Henry Borel". O caso também baseou a criação da Lei Henry Borel, em maio de 2022, que torna crime hediondo todo homicídio de criança e adolescente.















