Política

Lula diz que acordo com o Irã feito pelo Brasil em 2010 teria evitado guerra

Proposta de Brasil e Turquia para limitar enriquecimento de urânio havia sido aceita por Teerã, mas foi barrada pelos EUA

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Lula e o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, em maio de 2010 | Ricardo Stuckert/PR
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Durante o anúncio do pacote de medidas para amortecer o impacto da guerra no Irã sobre o preço dos combustíveis, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recordou o papel do Brasil na elaboração de um acordo nuclear com Teerã em 2010, no fim de seu segundo mandato. A falta de uma resolução sobre o teor do programa iraniano foi o estopim, segundo os EUA, para os bombardeios que deflagraram o conflito no fim do último mês.

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À época, o esforço foi feito em conjunto com a Turquia do presidente Recep Tayyip Erdogan. A negociação previa a entrega de 1.200 kg de urânio de baixo enriquecimento (3,5%) para o controle turco, enquanto o Irã receberia 120 kg de urânio enriquecido a 20% para alimentar um reator voltado a pesquisas médicas, com auxílio da Rússia e da França, dois países do clube nuclear.

A ideia do acordo, inspirado em uma proposta da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), era impedir que Teerã mantivesse um estoque de combustível nuclear que viabilizasse a militarização do programa. Também confrontava o argumento de que, sob sanções da ONU que impediam a compra de combustível enriquecido no exterior, o país teria a justificativa para produzi-lo em seu próprio território.

A conclusão foi celebrada à época pelo Itamaraty de Celso Amorim, hoje assessor especial de Lula para assuntos internacionais, como um marco da diplomacia brasileira e da inserção do país como um negociador relevante para conflitos globais.

Foto de 2010 mostra Lula junto aos presidentes do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, e da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, comemorando o acordo | Reuters
Foto de 2010 mostra Lula junto aos presidentes do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, e da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, comemorando o acordo | Reuters

Porém, a Casa Branca rejeitou os termos alegando permanência de riscos ao desenvolvimento de bombas, e deu prioridade a resoluções tomadas no colegiado do Conselho de Segurança da ONU. O arrocho econômico ao Irã foi intensificado e melou a conclusão das tratativas. O governo americano era comandado pelo presidente Barack Obama e pela secretária de Estado Hillary Clinton, ambos do Partido Democrata.

“Lamentavelmente, depois do acordo feito, tanto os países europeus quanto os EUA aumentaram o bloqueio ao Irã porque nós éramos um país considerado do terceiro mundo, e ter feito um acordo que eles não tinham conseguido fazer há 20 anos era descabido”, afirmou Lula nesta quinta (12).

Em 2015, um grupo de negociadores formado por Estados Unidos, França, Reino Unido, China, Rússia e Alemanha firmou um novo acordo. Nele, o Irã concordou em acabar com 98% das reservas de urânio enriquecido, limitar o enriquecimento de urânio a até 3,67% e reduzir o uso de centrífugas em um período de 15 anos em troca da retirada de sanções. Em 2018, contudo, os EUA deixaram o acordo por iniciativa do presidente Donald Trump. Desde então, os termos travaram em um impasse.

“Depois de um tempo foi feito o acordo, pior do que o que nós tínhamos feito, e agora a invasão ao Irã é por conta da possibilidade de construção de armas nucleares, coisa que poderia ter sido feito há muito tempo atrás", criticou Lula.

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