Justiça

Moraes cita luta Popó x Bambam ao defender democracia: "Não podemos baixar a guarda"

Combate durou apenas 36 segundos, com o ex-BBB nocauteado pelo pugilista; ministro do STF falou na abertura de ano letivo na USP

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Felipe Moraes
27/02/2024, 13:07 • Atualizado em 27/02/2024, 13:09
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Kleber Bambam x Popó e Alexandre de Moraes

Kleber Bambam x Popó e Alexandre de Moraes

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O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), citou, nessa segunda-feira (26), a luta entre Kleber Bambam e Popó ao falar sobre a defesa da democracia. O magistrado discursou na abertura do ano letivo ano letivo na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, da Universidade de São Paulo (USP), onde se formou.

"Nós não podemos nos enganar. Não podemos baixar a guarda. Não podemos dar uma de Bambam contra o Popó, que durou 36 segundos. Nós temos que ficar alertas e fortalecer a democracia. Fortalecer as instituições e regulamentar o que precisa ser regulamentado", disse o ministro.

A referência de Moraes foi ao evento esportivo Fight Music Show, que viralizou no último fim de semana: a luta entre o campeão do primeiro Big Brother Brasil (BBB), Kleber Bambam, e o pugilista Acelino Freitas, o Popó, tetracampeão mundial de boxe.

A disputa durou apenas 36 segundos e terminou com a vitória do atleta por nocaute. A fala do ministro do STF, não por acaso, também acabou bombando nas redes sociais, um dia após o ato de Jair Bolsonaro (PL) que atraiu milhares na avenida Paulista, no último domingo (25).

Na ocasião, o pastor Silas Malafaia, um dos organizadores do evento, subiu o tom e atacou Moraes e Luís Roberto Barroso, presidente do Supremo.

"Nós não podemos cair nesse discurso fácil de que regulamentar as redes sociais é ser contra a liberdade de expressão. Isso é discurso mentiroso, que pretende propagar e continuar propagando discurso de ódio", completou o ministro.

Falando aos estudantes da USP, Moraes destacou a importância de regulamentação das redes sociais e a captura desses espaços digitais pela extrema direita em diversas partes do mundo.

"Brinco sempre, brincadeira séria, que bastaria um artigo na lei. O que não pode no mundo real não pode no mundo virtual. Simples, nem mais nem menos. O mundo está percebendo isso. Não só em relação ao ataque à democracia. O numero de suicídios de adolescentes por bullying virtual aumentou na Europa tremendamente", disse o ministro.

"Nós, como operadores do direito, vocês, estudantes do direito, precisamos garantir que as redes sociais não sejam terra de ninguém", continuou.

Moraes ainda observou que as instituições resistiram aos ataques à democracia, mas "foram abaladas". Também citou o que chamou de "fenômeno mundial de corrosão da democracia".

"Só que de um forma diversa, diferente do que tradicionalmente existiu. Tradicionalmente, sempre era pensado de fora pra dentro. Há duas décadas, isso foi sendo construído por dentro. É algo muito mais inteligente do que infelizmente nós pensávamos. Esse ataque no mundo todo foi subestimado. Em alguns momentos, , ridicularizado. Só que tinha método. Ou melhor, tem método", explicou.

Para o magistrado, as instituições demoraram a reagir "e houve esse fortalecimento da extrema direita". "Absolutamente raivosa, que conseguiu, por meio das redes sociais, alavancar um plano de poder no mundo todo, nas democracias ocidentais", comentou.

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