Justiça

Caso Marielle: Moraes cita motivação política, racismo e misoginia

Ministro disse que os irmãos Brazão, apontados como mandantes do crime, tinham Marcelo Freixo, ex-deputado federal e estadual pelo PSOL, como "primeiro alvo"

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Ministro Alexandre de Moraes, relator do caso Marielle e Anderson no Supremo | Divulgação/Rosinei Coutinho/STF
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O ministro Alexandre Moraes, relator do caso Marielle Franco no Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta quarta-feira (25) que o assassinato da vereadora do PSOL-RJ e do motorista Anderson Gomes "misturou questão política com misoginia e racismo". O julgamento de cinco réus acusados de participação no crime continua hoje, com votos dos quatro magistrados da Primeira Turma da Corte.

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"Se pretendia dar um recado. Num primeiro momento, alguém que se procurava exterminar era o deputado [Marcelo] Freixo. Em virtude da própria segurança que compunha as proximidades do deputado Freixo, seria mais difícil essa execução. E aí, se misturou questão política com misoginia e racismo. Marielle era uma mulher preta e pobre que estava, diríamos no popular, 'peitando' os interesses de milicianos", descreveu Moraes.

O magistrado também reforçou que, segundo a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), Freixo, ex-deputado estadual e federal pelo PSOL-RJ, era tratado como "primeiro alvo" pelos irmãos Chiquinho Brazão, ex-deputado federal, e Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ). Ambos são apontados pela acusação como mandantes do crime.

Citando trechos da delação do ex-policial militar Ronnie Lessa, executor condenado a mais de 78 anos de prisão pelas mortes, Moraes disse que os Brazão e demais envolvidos, como o delegado Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil do Rio, se surpreenderam com a repercussão do crime. "Gerou efeito dominó."

São julgados nesta quarta, além dos Brazão e Barbosa, os ex-policiais militares Ronald Paulo de Alves Pereira e Robson Calixto Fonseca, conhecido como Peixe e ex-assessor de Domingos.

"'Ela ia combater os loteamentos da milícia. Onde fosse de milícia, ela ia bater de frente. Ela virou uma pedra no caminho. E a pedra, temos de tirar do caminho. A partir desse momento, ela está decretada'. Obviamente, na linguagem miliciana, da bandidagem, 'ela está decretada' significa que a morte dela estava encomendada e seria realizada", seguiu o ministro, lendo outras partes da colaboração premiada de Lessa.

Moraes reforçou argumentos da PGR de que a delação do ex-PM foi corroborada por extenso número de provas analisadas pela Polícia Federal (PF), "submetidas ao crivo do contraditório", e depoimentos de testemunhas.

O magistrado ainda apontou elo entre a motivação do crime e a forma de pagamento prometido pelos Brazão a Lessa e Edmilson da Silva, o Macalé, suspeito de mediar contratação do assassino: loteamentos obtidos por meio da grilagem na região de Jacarepaguá (RJ).

"Totalmente interligadas", falou Moraes. "Motivação e manutenção de negócios da milícia de loteamento e grilagem. Como vai se pagar? 'Vamos tirar esse obstáculo político da Câmara dos Vereadores. Vamos conseguir ampliar a área [grilada e loteada]. E parte dessa área será dada em pagamento'. Aqui, realmente há total conexão entre a forma de pagamento e a motivação do crime", acrescentou.

Macalé foi morto a tiros em 2023, crime classificado pelo ministro como "tradicional queima de arquivo". "Foi executado. Não teve infarto, não tropeçou na rua, bateu a cabeça e morreu", continuou. "Se assassinado não tivesse sido, seria provavelmente réu nessa ação."

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