Justiça

Caso Marielle: Moraes cita motivação política, racismo e misoginia

Ministro disse que os irmãos Brazão, apontados como mandantes do crime, tinham Marcelo Freixo, ex-deputado federal e estadual pelo PSOL, como "primeiro alvo"

F
Felipe Moraes
25/02/2026, 13:21 • Atualizado em 25/02/2026, 17:06
compartilhar

O ministro Alexandre Moraes, relator do caso Marielle Franco no Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta quarta-feira (25) que o assassinato da vereadora do PSOL-RJ e do motorista Anderson Gomes "misturou questão política com misoginia e racismo". O julgamento de cinco réus acusados de participação no crime continua hoje, com votos dos quatro magistrados da Primeira Turma da Corte.

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.

Siga no Google Discover
"Se pretendia dar um recado. Num primeiro momento, alguém que se procurava exterminar era o deputado [Marcelo] Freixo. Em virtude da própria segurança que compunha as proximidades do deputado Freixo, seria mais difícil essa execução. E aí, se misturou questão política com misoginia e racismo. Marielle era uma mulher preta e pobre que estava, diríamos no popular, 'peitando' os interesses de milicianos", descreveu Moraes.

O magistrado também reforçou que, segundo a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), Freixo, ex-deputado estadual e federal pelo PSOL-RJ, era tratado como "primeiro alvo" pelos irmãos Chiquinho Brazão, ex-deputado federal, e Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ). Ambos são apontados pela acusação como mandantes do crime.

Citando trechos da delação do ex-policial militar Ronnie Lessa, executor condenado a mais de 78 anos de prisão pelas mortes, Moraes disse que os Brazão e demais envolvidos, como o delegado Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil do Rio, se surpreenderam com a repercussão do crime. "Gerou efeito dominó."

São julgados nesta quarta, além dos Brazão e Barbosa, os ex-policiais militares Ronald Paulo de Alves Pereira e Robson Calixto Fonseca, conhecido como Peixe e ex-assessor de Domingos.

"'Ela ia combater os loteamentos da milícia. Onde fosse de milícia, ela ia bater de frente. Ela virou uma pedra no caminho. E a pedra, temos de tirar do caminho. A partir desse momento, ela está decretada'. Obviamente, na linguagem miliciana, da bandidagem, 'ela está decretada' significa que a morte dela estava encomendada e seria realizada", seguiu o ministro, lendo outras partes da colaboração premiada de Lessa.

Moraes reforçou argumentos da PGR de que a delação do ex-PM foi corroborada por extenso número de provas analisadas pela Polícia Federal (PF), "submetidas ao crivo do contraditório", e depoimentos de testemunhas.

O magistrado ainda apontou elo entre a motivação do crime e a forma de pagamento prometido pelos Brazão a Lessa e Edmilson da Silva, o Macalé, suspeito de mediar contratação do assassino: loteamentos obtidos por meio da grilagem na região de Jacarepaguá (RJ).

"Totalmente interligadas", falou Moraes. "Motivação e manutenção de negócios da milícia de loteamento e grilagem. Como vai se pagar? 'Vamos tirar esse obstáculo político da Câmara dos Vereadores. Vamos conseguir ampliar a área [grilada e loteada]. E parte dessa área será dada em pagamento'. Aqui, realmente há total conexão entre a forma de pagamento e a motivação do crime", acrescentou.

Macalé foi morto a tiros em 2023, crime classificado pelo ministro como "tradicional queima de arquivo". "Foi executado. Não teve infarto, não tropeçou na rua, bateu a cabeça e morreu", continuou. "Se assassinado não tivesse sido, seria provavelmente réu nessa ação."

Leia mais

Ver tudo
Imagem da notícia: Ibovespa cai 0,5% e dólar sobe a R$ 5,06

Ibovespa cai 0,5% e dólar sobe a R$ 5,06

Imagem da notícia: TCU evita punir Defesa apesar de falhas bilionárias

TCU evita punir Defesa apesar de falhas bilionárias

Imagem da notícia: Nikolas defende escala 4x3 como protesto ao fim da 6X1

Nikolas defende escala 4x3 como protesto ao fim da 6X1

Imagem da notícia: Pivotando com Norton Mello: o personal trainer dos famosos

Pivotando com Norton Mello: o personal trainer dos famosos

Imagem da notícia: Ibovespa cai 0,5% e dólar sobe a R$ 5,06

Ibovespa cai 0,5% e dólar sobe a R$ 5,06

Imagem da notícia: TCU evita punir Defesa apesar de falhas bilionárias

TCU evita punir Defesa apesar de falhas bilionárias

Imagem da notícia: Nikolas defende escala 4x3 como protesto ao fim da 6X1

Nikolas defende escala 4x3 como protesto ao fim da 6X1

Imagem da notícia: Pivotando com Norton Mello: o personal trainer dos famosos

Pivotando com Norton Mello: o personal trainer dos famosos

Últimas notícias

João Fonseca faz virada histórica e vai encarar Djokovic

Brasileiro de 19 anos venceu Dino Prizmic após mais de três horas de partida; ele terá pela frente o sérvio Novak Djokovic, em duelo inédito

União e PP, do Centrão, dizem ser favoráveis ao fim da 6x1

Líderes dos partidos anunciaram o posicionamento depois da aprovação do texto na comissão especial

Demi Lovato anuncia show solo em São Paulo

Apresentação será no Suhai Music Hall em 15 de setembro; ingressos começam a ser vendidos nesta quarta-feira (28)

Itamaraty alerta brasileiros na Bolívia em meio a protestos

Governo orienta evitar deslocamentos no país e cita falta de alimentos e combustível em meio a bloqueios e protestos de apoiadores de Evo Morales

Veja momento do resgate de pessoas presas em caverna no Laos

Vídeo mostra o encontro entre socorristas e cinco dos sete homens presos há uma semana em uma caverna; equipes buscam outros dois desaparecidos

6x1: Comissão aprova relatório e texto segue para plenário

Relatório foi aprovado com placar de 34 votos a favor e 4 contra; texto propõe fim da escala 6x1 em 60 dias após promulgação da PEC