Justiça

Quantas Marielles o Brasil permitirá que sejam assassinadas?, questiona Cármen Lúcia em julgamento no STF

Ministra fez desabafo ao votar no processo contra os mandantes das mortes da vereadora do PSOL-RJ e do motorista Anderson Gomes

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Ministra Cármen Lúcia, do Supremo, vota no julgamento do caso Marielle e Anderson | Divulgação/Rosinei Coutinho/STF
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A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia questionou, nesta quarta-feira (25), "quantas Marielles o Brasil permitirá que sejam assassinadas?", durante o julgamento dos acusados de planejar a morte da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ). O crime ocorreu em março de 2018, no centro do Rio de Janeiro, e também resultou na morte do motorista Anderson Gomes.

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Ao proferir seu voto, a ministra também relatou o impacto pessoal provocado pela análise do processo. "Este processo tem me feito mal espiritualmente, psicologicamente, até fisicamente, nessas últimas semanas em que leio e releio e assisto a documentos e vídeos sobre tudo o que se passou", declarou. Lúcia e demais ministros da Primeira Turma do STF — Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Flávio Dino — votaram para condenar os irmãos Chiquinho Brazão e Domingos Brazão como mandantes do crime.

Ao mencionar a dor das famílias das vítimas, afirmou que o julgamento representa um testemunho "tímido que o direito pode dar diante da dor pungente e atroz que se tem aqui, na face da mãe, do filho, das viúvas, da trabalhadora que se afirma ter sobrevivido, quando todo mundo tem direito à vida e não à sobrevida".

A ministra também fez referência ao contexto de crise política e institucional do país nos últimos anos. "Começamos 2026 com as mesmas amarguras e sobressaltos que nos atravessaram neste período, com desarranjos institucionais e injúrias ao povo, contra a vida de pessoas exterminadas por incomodarem os alucinados interesses particulares de algumas pessoas", afirmou.

Cármen Lúcia disse ainda que "essa ferida não tem cura", mas acrescentou que "não se conseguiu assassinar o processo democrático nem matar a resistência imperativa que se põe para que a falência institucional não predomine e se recupere o país deste quadro".

Veja como ministros votaram:

  • Chiquinho Brazão (ex-deputado federal): duplo homicídio qualificado, homicídio qualificado tentado e organização criminosa armada;
  • Domingos Brazão (conselheiro do TCE-RJ): duplo homicídio qualificado, homicídio qualificado tentado e organização criminosa armada;
  • Ronald Paulo de Alves Pereira (major da Polícia Militar): duplo homicídio qualificado e tentativa de homicídio;
  • Rivaldo Barbosa de Araújo Júnior (delegado e ex-chefe da Polícia Civil do RJ): obstrução de Justiça e corrupção passiva majorada;
  • Robson Calixto Fonseca, o Peixe (policial militar e ex-assessor de Domingos): organização criminosa armada.

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