TCU evita punir Defesa apesar de falhas bilionárias
Tribunal de Contas da União diz que problemas contábeis dificultam avaliação do patrimônio das Forças Armadas, mas não aponta desvio de recursos
Caio Barcellos
Fachada do Ministério da Defesa, em Brasília | Divulgação/Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
O Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou nesta quarta-feira (27) uma auditoria sobre as contas do Ministério da Defesa em 2025. O relatório aponta problemas na forma como a pasta registra parte de seus bens, estoques, aplicações e financiamentos.
A análise fiscalizou R$ 1,37 trilhão das contas consolidadas do ministério, que reúnem os dados da administração central da Defesa e dos Comandos da Marinha, do Exército e da Aeronáutica.
Apesar das falhas, o ministro Benjamin Zymler, relator do processo, entendeu que a auditoria não encontrou elementos para apontar desvio de recursos ou prejuízo aos cofres públicos. Segundo ele, o problema está na qualidade dos registros, que dificulta saber com precisão o valor do patrimônio administrado pelas Forças Armadas.
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O principal problema está no chamado ativo imobilizado, termo usado para bens permanentes, como imóveis, equipamentos, aeronaves, embarcações e veículos. Nesse ponto, o TCU afirmou que não conseguiu obter evidências suficientes para dizer se os registros estavam corretos ou não.
Um dos exemplos mais relevantes envolve a Aeronáutica. Segundo a auditoria, R$ 47,13 bilhões em imóveis ainda aparecem registrados no patrimônio do Comando da Aeronáutica, embora esses bens não estejam mais sob seu controle. O caso inclui aeródromos civis públicos e áreas ligadas à aviação civil, que deveriam estar sob responsabilidade de outros órgãos.
Por causa disso, o tribunal determinou que a Secretaria Nacional de Aviação Civil, a Secretaria do Patrimônio da União, o Ministério da Defesa e a Aeronáutica regularizem os registros até o fechamento das contas de 2026.
A auditoria também encontrou R$ 6,48 bilhões registrados indevidamente como ganhos patrimoniais. Segundo o TCU, parte desses valores surgiu de ajustes internos em imóveis das Forças Armadas, como divisões ou reincorporações de bens, que não representavam aumento real de patrimônio.
Outro ponto relevante é o Prosub (Programa de Desenvolvimento de Submarinos), com uma diferença de R$ 3,79 bilhões entre o valor de financiamentos externos registrado na contabilidade da Defesa e o saldo confirmado pelo banco BNP Paribas. A Marinha reconheceu a divergência, mas afirmou que a falha é contábil e não altera o valor real da dívida.
O tribunal também apontou problemas em estoques e aplicações financeiras. No caso dos estoques, disse haver superavaliação de R$ 3,05 bilhões. Já o caixa estava subavaliado em R$ 378,56 milhões, principalmente por falhas no registro de rendimentos de aplicações financeiras.
Mesmo sem apontar dano ao erário, o TCU cobrou ajustes. Segundo o tribunal, a fiscalização já levou a correções de R$ 62,5 bilhões nas demonstrações contábeis da Defesa.
TCU evita punir Defesa apesar de falhas bilionáriasTribunal de Contas da União diz que problemas contábeis dificultam avaliação do patrimônio das Forças Armadas, mas não aponta desvio de recursosJustiça2026-05-27T21:32:20.293ZO Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou nesta quarta-feira (27) uma auditoria sobre as contas do Ministério da Defesa em 2025. O relatório aponta problemas na forma como a pasta registra parte de seus bens, estoques, aplicações e financiamentos. A análise fiscalizou R$ 1,37 trilhão das contas consolidadas do ministério, que reúnem os dados da administração central da Defesa e dos Comandos da Marinha, do Exército e da Aeronáutica. Apesar das falhas, o ministro Benjamin Zymler, relator do processo, entendeu que a auditoria não encontrou elementos para apontar desvio de recursos ou prejuízo aos cofres públicos. Segundo ele, o problema está na qualidade dos registros, que dificulta saber com precisão o valor do patrimônio administrado pelas Forças Armadas. O principal problema está no chamado ativo imobilizado, termo usado para bens permanentes, como imóveis, equipamentos, aeronaves, embarcações e veículos. Nesse ponto, o TCU afirmou que não conseguiu obter evidências suficientes para dizer se os registros estavam corretos ou não. Um dos exemplos mais relevantes envolve a Aeronáutica. Segundo a auditoria, R$ 47,13 bilhões em imóveis ainda aparecem registrados no patrimônio do Comando da Aeronáutica, embora esses bens não estejam mais sob seu controle. O caso inclui aeródromos civis públicos e áreas ligadas à aviação civil, que deveriam estar sob responsabilidade de outros órgãos. Por causa disso, o tribunal determinou que a Secretaria Nacional de Aviação Civil, a Secretaria do Patrimônio da União, o Ministério da Defesa e a Aeronáutica regularizem os registros até o fechamento das contas de 2026. A auditoria também encontrou R$ 6,48 bilhões registrados indevidamente como ganhos patrimoniais. Segundo o TCU, parte desses valores surgiu de ajustes internos em imóveis das Forças Armadas, como divisões ou reincorporações de bens, que não representavam aumento real de patrimônio. Outro ponto relevante é o Prosub (Programa de Desenvolvimento de Submarinos), com uma diferença de R$ 3,79 bilhões entre o valor de financiamentos externos registrado na contabilidade da Defesa e o saldo confirmado pelo banco BNP Paribas. A Marinha reconheceu a divergência, mas afirmou que a falha é contábil e não altera o valor real da dívida. O tribunal também apontou problemas em estoques e aplicações financeiras. No caso dos estoques, disse haver superavaliação de R$ 3,05 bilhões. Já o caixa estava subavaliado em R$ 378,56 milhões, principalmente por falhas no registro de rendimentos de aplicações financeiras. Mesmo sem apontar dano ao erário, o TCU cobrou ajustes. Segundo o tribunal, a fiscalização já levou a correções de R$ 62,5 bilhões nas demonstrações contábeis da Defesa.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/justica/tcu-evita-punir-defesa-apesar-de-falhas-bilionarias
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