Familiares de Marielle e Anderson pedem por justiça na chegada a julgamento de supostos mandantes
Primeira Turma do STF começa a julgar, nesta terça-feira (24), cinco acusados de planejarem a execução, ocorrida em março de 2018

Emanuelle Menezes
A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) começa a julgar, na manhã desta terça-feira (24), os acusados de mandar matar a vereadora Marielle Franco. Na emboscada, em 14 de março de 2018, no centro do Rio de Janeiro, o motorista Anderson Gomes também morreu.
São réus por envolvimento no planejamento da execução:
- Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ);
- Chiquinho Brazão, ex-deputado federal;
- Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil do Rio;
- Ronald Paulo de Alves, ex-policial militar;
- Robson Calixto Fonseca, chamado de “Peixe”, ex-assessor do TCE.
Os familiares de Marielle e Anderson pediram por justiça na chegada ao julgamento, quase oito anos após os assassinatos. "É um momento muito difícil, mas de muita esperança", disse a mãe da vereadora, Marinete Silva.
Luyara Franco, única filha da vereadora, se emocionou. "A justiça plena, para a minha mãe e para o Anderson, passa pela responsabilização, pela não repetição e pela reparação para as nossas famílias. Hoje é um dia muito difícil, é o dia que a gente sonha e sonhava acontecer nesses últimos oito anos", disse.
"O caso da Marielle é emblemático porque mostra uma estrutura que se relaciona intimamente. Um mundo obscuro entre a política, a polícia e o crime organizado no nosso país", afirmou Mônica Benício, viúva de Marielle e atual vereadora do Rio.
Agatha Arnaus Reis, esposa de Anderson Gomes, destacou o papel do julgamento que começa nesta terça. Para a viúva, a Justiça tem o poder de mostrar que "posições institucionais não servem de blindagem para a prática de crimes".
"Justiça nao é um sentimento. É um processo. Ela precisa ser concreta. Oito anos é praticamente a vida inteira do nosso filho (Arthur tinha 1 ano e 8 meses quando Anderson morreu). Ele já está a mais tempo sem o Anderson do que com o Anderson. É tempo demais para quem espera por resposta", disse Ágatha.
Anielle Franco, ministra da Igualdade Racial e irmã de Marielle, disse que o julgamento é uma resposta à democracia. "Acharam que o corpo da minha irmã seria um corpo descartável, como pensam sobre muitos corpos no nosso país – a maioria de pessoas negras, pobres, faveladas e periféricas", disse.
Antônio Francisco da Silva, pai da vereadora, também conversou com os jornalistas. Ele disse confiar cegamente na Primeira Turma do STF.
De acordo com investigações da Polícia Federal, o ex-delegado Rivaldo Barbosa e os irmãos Chiquinho e Domingos Brazão atuaram como mandantes da morte de Marielle. Ela teria sido executada por ser "uma pedra no caminho" dos interesses da milícia em disputa por terras no Rio. A informação foi obtida na delação premiada do ex-policial Ronnie Lessa, que confessou ter realizado os disparos de arma de fogo contra a vereadora e o motorista.
Lessa foi condenado a 78 anos e 9 meses de prisão, enquanto o ex-PM Élcio Queiroz, que dirigia o automóvel usado na emboscada, foi sentenciado a 59 anos e 8 meses.
O que dizem as defesas
Em nota, as defesas de Domingos e Chiquinho Brazão afirmaram que eles são inocentes. Os advogados de Domingos Brazão defendem que Ronnie Lessa mentiu em sua delação para proteger o real mandante do crime.
"Tudo o que foi apresentado ao longo do processo demonstra que Domingos Brazão é inocente e que Lessa mentiu em sua delação para proteger o real mandante, Cristiano Girão. A relação deles foi comprovada pela Justiça do RJ num assassinato cometido por Lessa com características similares a de Marielle e Anderson a mando de Girão. Ronnie Lessa em sua delação nega tal relação", diz em nota.
A defesa de Chiquinho Brazão afirma que confia que o STF "apreciará a causa com a técnica, a imparcialidade e o compromisso com as garantias constitucionais que caracterizam a Corte".
O SBT News tenta contato com as defesas de Rivaldo Barbosa, Ronald Paulo de Alves e Robson Calixto Fonseca.









