UE se alinha ao Brasil nos minerais críticos, diz comissário
Jozef Síkela afirma que bloco europeu quer investir em refino e processamento no país, não só comprar matéria-prima


Exploração de mineirais críticos no Brasil | Sigma Lithium/Divulgação
O comissário da União Europeia para Parcerias Internacionais, Jozef Síkela, afirmou nesta terça-feira (23) que o bloco está alinhado à estratégia do governo brasileiro para minerais críticos e estratégicos, baseada na tentativa de agregar valor à cadeia produtiva no país.
“Nós estamos prontos para apoiar essa ambição de construir verdadeiramente uma cadeia de valor. Diferente de outros atores, nós não investimos só em extração de minerais. Nós investimos também em processamento local, refinamento. […] Não queremos prender ninguém. Não queremos impor nada. Queremos empoderar [o Brasil]”, disse Síkela no II Fórum de Investimentos Brasil-União Europeia, em Brasília.
O governo brasileiro tem defendido que minerais críticos não sejam apenas extraídos e exportados em estado bruto, mas também refinados e processados em território nacional. A diretriz faz parte da agenda de neoindustrialização e busca ampliar a participação do país em etapas mais sofisticadas da cadeia produtiva.
Segundo Síkela, a União Europeia pretende compartilhar tecnologia e conhecimento técnico com o Brasil, além de financiar projetos locais.
“O que o Brasil precisa é transitar de negócios de baixa margem, como a exportação de produtos agroalimentares ou commodities e matérias-primas críticas não processadas, para commodities de maior valor agregado, ou seja, produtos finais. A ambição existe, e estamos perfeitamente alinhados com os objetivos do governo brasileiro em relação à neoindustrialização e ao desenvolvimento de novas tecnologias. Os projetos que temos em andamento focam justamente nisso”, afirmou o comissário em coletiva com jornalistas.
Agenda no Brasil
O comissário está no Brasil nesta semana em uma agenda de aproximação econômica entre a União Europeia e o país. Em Minas Gerais, Síkela visitou uma unidade da Viridis, em Poços de Caldas, voltada à pesquisa e ao processamento de terras raras.
A agenda de Síkela ocorre em um momento de maior preocupação europeia com a concentração global da cadeia de minerais críticos. A China tem papel dominante na extração ou no refino de parte desses insumos e adotou controles de exportação sobre alguns materiais, o que elevou o alerta entre governos e empresas do bloco.
O tema ganhou peso também por causa dos planos europeus de reforçar a indústria de defesa em meio à invasão russa na Ucrânia e à incerteza sobre o papel dos Estados Unidos na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), aliança militar que reúne países da América do Norte e da Europa.
Em 2024, a União Europeia aprovou a Lei de Matérias-Primas Críticas, que estabelece metas para que, até 2030, o bloco fortaleça sua própria capacidade de extração, processamento e reciclagem desses insumos. A norma também prevê que a dependência de um único fornecedor externo não ultrapasse 65% em qualquer etapa estratégica da cadeia.
Para impulsionar os projetos, foi aprovado no ano passado um fundo de 3 bilhões de euros, equivalente a cerca de US$ 3,5 bilhões.
Um estudo divulgado na sexta-feira (19) pelo Ministério de Minas e Energia (MME) em parceria com o Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) confirmou que o Brasil detém a segunda maior reserva mundial de terras raras, com cerca de 23,1% dos recursos globais. Os principais depósitos estão concentrados em Goiás, Minas Gerais, Bahia e na Amazônia.
O documento será usado como fundamento para a elaboração da Estratégia Nacional de Terras Raras (ENTR).
Terras raras e minerais críticos são elementos essenciais para a transição energética, sistemas militares e tecnologias cotidianas. Eles são usados em baterias, turbinas eólicas, motores de carros elétricos, celulares, computadores, equipamentos médicos, satélites, radares e aviação.
A diferença é que “minerais críticos” é uma classificação econômica e estratégica. Entram nessa lista os insumos que um país considera essenciais, mas cuja oferta pode ser vulnerável por depender de poucos produtores.
Já “terra rara é um termo geológico que trata sobre um grupo de 17 elementos químicos que, por sua importância tecnológica e industrial, costumam aparecer nas listas de minerais críticos.















