Economia

O que pode surpreender os mercados em 2026, segundo o JP Morgan

De dólar sorridente a ouro a US$ 5 mil (R$ 27,5 mil), banco americano projeta um ano de choques plausíveis — mas longe do consenso

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Exame.com
31/12/2025, 21:35 • Atualizado em 31/12/2025, 21:35
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Foto: Pixabay

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Todo mês de dezembro, o J.P. Morgan (JPM) divulga seu já tradicional relatório de "surpresas realistas" para o ano seguinte — cenários que não são o cenário-base do banco, mas que têm ao menos 1 chance em 3 de se concretizar. São apostas que destoam do consenso de mercado, mas que se tornaram notoriamente certeiras nos últimos anos.

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Para 2026, o banco americano apresenta seis ideias ousadas, que vão de uma disparada do ouro a um achatamento completo da curva de juros nos EUA.

Confira a seguir as projeções que podem virar o jogo. Ou, ao menos, movimentar muito as mesas de operação.

1. Curva de juros dos EUA

Um dos cenários mais radicais é o de uma curva de juros achatada até o vencimento de 10 anos, com todos os rendimentos abaixo de 3%. Isso implicaria um Federal Reserve mais dovish, cortando a taxa básica até a faixa de neutralidade (2,5%-3%), em resposta a uma inflação ainda mais controlada.

O banco ainda projeta o fim do aperto quantitativo (QT) e a retomada da expansão do balanço do Fed, com compras de títulos de curto prazo. Parte da pressão sobre os juros viria também do próprio Tesouro americano, que passaria a emitir menos papéis longos para tentar aliviar o peso dos juros hipotecários e, assim, reaquecer o setor imobiliário.

2. Ouro a US$ 5.000 por onça

Uma das apostas mais ousadas é a de que o ouro possa chegar a US$ 5 mil (R$ 27,5 mil) por onça — mais que o dobro do nível atual. O metal precioso se beneficiaria tanto de um cenário de crise (voo para a segurança) quanto de crescimento com liquidez abundante (proteção contra inflação).

Além disso, o banco aponta quatro gatilhos para essa alta:

- Relaxamento monetário nos EUA (e em outras economias);

- Aumento das reservas em ouro por bancos centrais, como forma de diversificação;

- Crescente interesse de plataformas de wealth management no metal como reserva de valor;

- Medo fiscal e riscos geopolíticos em alta;

- Historicamente, o ouro sobe em 80% dos casos nos 6 meses seguintes ao início de cortes de juros pelo Fed.

3. Dólar (DXY) renova máximas do ciclo

Apesar da queda do dólar em 2025 — seu pior ano em mais de uma década — o JP Morgan acredita que a moeda pode se recuperar e atingir um novo pico cíclico, superando os 114 pontos no índice DXY, patamar alcançado em setembro de 2022.

Segundo o banco, o "sorriso do dólar" — tese que diz que a moeda se fortalece tanto em cenários de crescimento quanto em crises — voltou a se confirmar. A fuga para qualidade em momentos de estresse global ainda favorece o dólar, especialmente com os EUA liderando setores como inteligência artificial.

4. Spreads de crédito high yield nos EUA atingem mínimas históricas

O spread médio dos bonds de alto rendimento nos EUA pode cair abaixo dos 233 pontos-base, superando o recorde de 2007. A combinação de fundamentos sólidos, baixo índice de calotes e um mercado dominado por refinanciamentos (não por novas emissões) sustenta essa projeção.

Além disso, a crescente presença do crédito privado tem absorvido emissores mais arriscados, deixando o mercado de high yield público com melhor qualidade média.

5. Títulos soberanos de emergentes

Hoje, apenas 2% dos papéis do índice J.P. Morgan EMBIG (de dívida soberana de emergentes) negociam com spread negativo em relação aos Treasuries americanos. O banco prevê que esse número pode triplicar para 6% em 2026.

A projeção se baseia em três fatores:

Forte demanda local por títulos de qualidade em países como Emirados Árabes Unidos;

Fundamentais sólidos e superávits em conta corrente;

O desejo geopolítico de ver os próprios títulos “superando” os dos EUA.

China e Emirados já estão nesse grupo seleto — e outros países da região do Golfo podem seguir o mesmo caminho.

6. Uma nova cara para a política fiscal e monetária dos EUA

O pano de fundo para várias dessas previsões é uma mudança na maneira como governo e Fed interagem. A projeção do banco sugere uma coordenação informal entre o Tesouro e o banco central com foco em reduzir os juros longos, estimular crédito imobiliário e sustentar o consumo — ainda mais com o ambiente político de eleição presidencial em vista.

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