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20 anos da Maria da Penha: por que agir aos primeiros sinais

Embaixadora de campanha do TJ-SP, Paula Lima reforça que mulheres não devem esperar a agressão física para buscar ajuda

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O número de feminicídios aumentou. | Elza Fiuza/Agência Brasil

O número de feminicídios aumentou. | Elza Fiuza/Agência Brasil

"Você não precisa esperar chegar um tapa, o primeiro sinal já é um alerta". A orientação é da cantora Paula Lima, embaixadora da campanha "Medidas Protetivas Salvam Vidas", lançada em São Paulo em lembrança à Lei Maria da Penha, que completa 20 anos nesta sexta-feira (7).

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Paula Lima destacou que a legislação representa um marco histórico, mas afirmou que ainda existem desafios no combate à violência de gênero. "A gente acaba achando que nada funciona, mas não. A gente tem hoje um arcabouço jurídico muito forte que faz a diferença na vida de inúmeras mulheres. E a Lei Maria da Penha é um marco histórico já pro Brasil e para as mulheres", afirmou, durante entrevista ao Radar News, do SBT News, nesta quinta-feira (6).

A legislação, sancionada em 2006, transformou o enfrentamento à violência doméstica e familiar contra as mulheres no Brasil ao criar mecanismos de proteção às vítimas, endurecer punições aos agressores e ampliar a garantia dos direitos das mulheres. Apesar dos avanços, os casos de feminicídio seguem em alta no país.

Segundo dados dos ministérios da Justiça e das Mulheres, o Brasil registrou 741 feminicídios no primeiro semestre deste ano. O cenário motivou uma mobilização conjunta do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), Ministério Público, Defensoria Pública e Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para reforçar a importância das medidas protetivas.

A cantora ressaltou que a violência contra a mulher não se resume apenas às agressões físicas e envolve diferentes formas de abuso: "A gente tem que pensar que a questão do assédio moral, do patrimonial, do sexual, violência psicológica, tudo isso configura. É muito importante que a gente não pense que é tipo algo físico, então vai muito além."

Paula Lima durante entrevista ao SBT News.
Paula Lima durante entrevista ao SBT News.

Procurar ajuda salva vidas

Paula Lima também chamou atenção para o número de mulheres que deixam de procurar ajuda antes de sofrerem agressões mais graves. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontam que 87% das vítimas de feminicídio não haviam recorrido ao sistema de Justiça antes do crime.

Para a cantora, a falta de informação e fatores emocionais ainda dificultam a busca por proteção.

"As pessoas ainda têm a impressão de que não é um acesso para todos, que existe uma dificuldade, que você vai ser maltratado numa delegacia. E não, hoje existe um preparo profissionais preparados, tanto psicológicos, quanto profissionais como advogados, como enfim, existe toda uma rede para te dar esse acolhimento e fazer com que você realmente se sinta protegida."

Paula explicou que as medidas protetivas podem ser solicitadas assim que a mulher identifica os primeiros sinais de violência. "A partir do momento que você se conscientiza sobre a violência que você sofre, sobre os primeiros sinais, você não precisa esperar chegar um tapa, o primeiro sinal já é um alerta. E você vai até a Defensoria Pública, você vai até a delegacia especializada e lá você explica o que acontece e pede essa medida protetiva."

A cantora afirmou que se sente honrada em representar a campanha e destacou a importância da união entre mulheres. Para ela, a educação é uma das principais ferramentas para transformar como a sociedade encara a violência de gênero. "A gente já caminhou muito, mas tem um caminho muito longo pela frente."

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