Economia

PIB do Brasil deve crescer 1,8% em 2026, projeta CNI

Órgão projeta crescimento menor do PIB, queda no emprego e crédito mais caro; economia desacelera com juros altos

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Eduardo Pinzon
31/12/2025, 19:56 • Atualizado em 31/12/2025, 19:57
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CNI projeta desaceleração da economia, influenciada pelos juros altos | Agência Brasil

CNI projeta desaceleração da economia, influenciada pelos juros altos | Agência Brasil

O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil deve crescer 1,8% em 2026, segundo projeção divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) na terça-feira (30).

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A estimativa aponta desaceleração da economia, influenciada pelos juros altos e pelo enfraquecimento do mercado de trabalho, fatores que reduzem renda, consumo e novos negócios no país.

De forma simples, o PIB é a soma de tudo o que o Brasil produz no campo, na indústria e nos serviços. Ele funciona como um termômetro da economia, porque mostra se o país está crescendo, gerando emprego e movimentando o consumo.

O Banco Central manteve a expectativa de alta de 2,3% para 2025, mas para 2026, a projeção é menor: 1,6% de crescimento. Segundo a CNI, a manutenção dos juros em patamar elevado está entre os principais motivos da perda de força econômica.

“A economia tem sustentabilidade e maturidade para reduzir a jornada de trabalho, mas o crédito caro diminui o consumo”, afirmou Mário Sérgio Telles", diretor de Economia da CNI

Ainda para Sérgio, o crescimento menor do PIB significa menos emprego, queda no número de pessoas ocupadas, redução da massa salarial (a soma de todos os salários pagos no país), menos consumo e mais dificuldade para novos negócios.

“Isso representa menos renda, menos consumo e dificuldade maior para as empresas fazerem negócios e obter lucros”, disse Telles.

Serviços podem segurar a economia

A CNI projeta que serviços menos dependentes de crédito devem ajudar a segurar a economia, mesmo com o crédito mais caro. Entre eles estão:

  • Tecnologia e telecomunicações (internet, telefonia, suporte digital);
  • Educação privada e cursos livres;
  • Saúde e serviços médicos;
  • Transporte por aplicativo e logística urbana;
  • Alimentação fora do lar (bares, lanchonetes, restaurantes);
  • Serviços domésticos e pessoais (manutenção, beleza, assistência técnica).

Esses setores tendem a sofrer menos com juros altos, porque não dependem tanto de financiamento bancário para funcionar no dia a dia.

Isenção do IR pode ajudar e contas públicas preocupam

Economistas ouvidos pelo SBT explicaram que o aumento do limite de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil pode ter efeito positivo, mas parte desse dinheiro extra deve ser usado para pagar dívidas atrasadas, e não necessariamente para consumo imediato.

Outro fator de atenção é a situação das contas do governo. Para Rodrigo Salvato de Assis, presidente do Conselho de Economia do Rio Grande do Sul, o mercado precisa ver um sinal claro do governo de que há preocupação com o aumento dos gastos públicos.

“O que poderia ser feito agora é o governo sinalizar que está preocupado com o aumento de gastos e quer reverter essa situação, para que o mercado olhe o governo com mais esperança no futuro”, disse.

Tarifaço dos EUA afetou o Brasil

Em 2025, as tarifas impostas pelos EUA chegaram a 50% sobre produtos de diversos países, inclusive do Brasil, reduzindo competitividade no mercado americano. Parte das tarifas foi revertida após conversas entre Lula e Donald Trump, mas ainda assim a CNI projeta crescimento modesto das exportações, de 1,6% em 2026.

Para especialistas, 2026 será marcado pela palavra “desaceleração”, mas também será um ano eleitoral no Brasil, o que pode levar a discussões políticas sobre como reduzir juros e estimular a economia.

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