Acordo UE-Mercosul pode gerar empregos e atrair investimentos, diz superintendente da CNI
Em entrevista ao PodNews, Frederico Lamego afirmou que o tratado coloca o Mercosul no mapa dos investimentos europeus

Hariane Bittencourt
O acordo entre União Europeia e Mercosul pode representar uma virada estratégica para a economia brasileira. A avaliação é do superintendente de Relações Internacionais da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Frederico Lamego, em entrevista ao PodNews deste sábado (14).
"O acordo beneficia os dois lados. Ele coloca o Mercosul novamente no mapa dos investimentos europeus", explicou.
Para Lamego, após duas décadas de um maior direcionamento da Europa para a China, o tratado sinaliza que os países do bloco sul-americano podem voltar a ser prioridade para os investidores europeus.
Hoje o comércio entre Brasil e União Europeia gira em torno de US$ 90 bilhões por ano. Para o representante da CNI, a implementação do acordo, que ainda depende de aprovação nos parlamentos, abre um novo horizonte para a indústria nacional.
"Estamos falando de acesso a um mercado de 450 milhões de consumidores de alta renda", destacou.
Um dos pontos ressaltado pelo especialista é o impacto na geração de empregos. "A cada US$ 1 bilhão exportado para a União Europeia são gerados cerca de 21 mil empregos no Brasil", disse.
Lamego também afirmou que quase metade das exportações brasileiras ao bloco europeu já é composta por produtos manufaturados ou semimanufaturados. Para ele, isso mostra o potencial da indústria brasileira nesse acordo.
O especialista apontou três grandes ganhos para o país. "Primeiro, acesso ampliado a mercado. Segundo, atração de investimentos. E terceiro, cooperação científica e tecnológica", listou.
Sobre investimentos, o superintendente foi direto. "A Europa teve papel histórico no desenvolvimento industrial brasileiro. Nos últimos anos, direcionou capital para a China. Com o acordo, o Mercosul volta a entrar no radar".
Na área da tecnologia, ele destacou oportunidades em transição energética, minerais críticos, produção de baterias e novas tecnologias. Mas, apesar do cenário positivo, Lamego fez alertas.
"O Brasil precisa fazer o dever de casa. Se não enfrentarmos o Custo Brasil e não melhorarmos o ambiente de negócios, podemos perder parte dos benefícios do acordo", advertiu.
Ele também defendeu maior inserção do Brasil no cenário internacional. "Precisamos ter uma agenda mais ofensiva de acordos comerciais. Outros países emergentes já avançaram mais que o Brasil", pontuou citando países como a Índia, que hoje tem mais de 18 acordos comerciais com outros países do mundo.
O PodNews vai ao ar aos sábados, às seis da tarde, no canal do SBT News no YouTube.









