Economia

Ibovespa sobe e volta aos 174 mil pontos com commodities

Alta de 1,16% é puxada por Vale e siderúrgicas após alívio tarifário nos EUA; dólar a vista encerrou atividades cotado a R$ 5,009

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02/06/2026, 21:06 • Atualizado em 02/06/2026, 21:06
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Ibovespa: o principal índice da B3 fechou em alta de 1,16%, aos 174.197 pontos, após oscilar entre 172.198,54 e 174.894,05 pontos | Germano Lüders/Exame)

Ibovespa: o principal índice da B3 fechou em alta de 1,16%, aos 174.197 pontos, após oscilar entre 172.198,54 e 174.894,05 pontos | Germano Lüders/Exame)

O Ibovespa recuperou parte das perdas recentes e voltou ao patamar dos 174 mil pontos nesta terça-feira(2), em um pregão marcado pela forte valorização das ações ligadas a commodities. O principal índice da B3 fechou em alta de 1,16%, aos 174.197 pontos, após oscilar entre 172.198,54 e 174.894,05 pontos. O volume financeiro somou R$ 22,1 bilhões.

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A alta foi puxada principalmente pela Vale (VALE3), que avançou 4,04%, acompanhando a recuperação do minério de ferro e um movimento global de rotação de carteiras em favor de empresas ligadas a commodities.

As siderúrgicas também lideraram os ganhos do índice após o governo de Donald Trump, dos Estados Unidos, aliviar parte das tarifas sobre produtos derivados de aço e alumínio. As ações da CSN (CSNA3) dispararam 8,85%, seguidas por Usiminas (USIM5), com alta de 8,57%, e Gerdau (GGBR4), que avançou 6,53%.

Segundo Fernando Fontoura, gestor de renda variável da Persevera Asset Management, o mercado viveu uma mudança de posicionamento dos investidores depois de semanas favorecendo empresas ligadas à tecnologia e inteligência artificial.

"Na nossa visão, o mercado passou as últimas semanas marcado por uma fraqueza relativa de commodities em comparação aos temas mais ligados à tecnologia, principalmente inteligência artificial. O que estamos vendo hoje é uma reversão desse movimento, com investidores realizando parte dos ganhos acumulados em tecnologia e voltando para empresas ligadas a commodities", afirma.

Para o gestor, o movimento não parece estar relacionado às novas tarifas anunciadas pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros. "Não conseguimos identificar nenhum gatilho muito claro para esse comportamento. Parece muito mais um movimento natural de mercado, uma realização de um posicionamento que funcionou muito bem ao longo das últimas sete ou oito semanas", diz.

Os bancos também contribuíram para o desempenho positivo do índice. Bradesco (BBDC4) subiu 1,54%, BTG Pactual (BPAC11) avançou 0,95%, Santander Brasil (SANB11) ganhou 0,55% e Itaú Unibanco (ITUB4) fechou com alta de 0,51%. O Banco do Brasil (BBAS3) foi exceção entre os grandes bancos e recuou 0,35%.

Na ponta negativa entre as blue chips, a Petrobras sentiu a repercussão da adesão ao novo programa de subsídio ao diesel. As ações ordinárias da companhia (PETR3) caíram 0,62%, enquanto as preferenciais (PETR4) recuaram 0,53%. Segundo cálculos do Citi, a participação da estatal na iniciativa pode gerar um impacto negativo próximo de US$ 3 bilhões sobre os resultados.

Entre as maiores quedas do Ibovespa ficaram Marcopolo (POMO4), com baixa de 2,78%, Magazine Luiza (MGLU3), que caiu 2,41%, e Weg (WEGE3), com recuo de 2,33%.

O dólar à vista acompanhou o movimento favorável aos ativos brasileiros e encerrou o dia em queda de 0,27%, cotado a R$ 5,009. Durante a sessão, a moeda americana oscilou entre R$ 5,000 e R$ 5,023.

A moeda brasileira encontrou suporte na valorização das commodities, especialmente petróleo e minério de ferro, e na recuperação das empresas exportadoras de mineração e siderurgia. O anúncio de que os Estados Unidos pretendem reduzir tarifas sobre importações de aço, cobre e alumínio ajudou a reforçar o movimento.

Tarifas dos EUA no radar

Ao longo do dia, investidores também repercutiram a proposta formal do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros. A medida foi apresentada com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana e ainda passará por consulta pública até julho de 2026.

Apesar da preocupação inicial, o mercado avaliou que os efeitos econômicos tendem a ser limitados. Bruno Perri, economista-chefe, estrategista de investimentos e sócio-fundador da Forum Investimentos, destaca que boa parte dos produtos mais relevantes da pauta exportadora brasileira ficou de fora da proposta.

"O impacto efetivo tende a ser menor do que o antecipado. Produtos estratégicos para os Estados Unidos, como petróleo, proteínas, café e componentes aeronáuticos, ficaram entre as exceções. Por isso, o efeito direto sobre a balança comercial brasileira deve ser relativamente pequeno", afirma.

Na avaliação do economista, o principal efeito da medida pode ocorrer por meio do aumento do prêmio de risco associado ao Brasil. "Mesmo com impacto comercial limitado, a decisão eleva a percepção de incerteza, seja pela possibilidade de retaliações, seja pelo aumento do ruído diplomático entre os dois países", diz.

A avaliação também é compartilhada pela MAG Investimentos. Em relatório divulgado nesta terça, a gestora destaca que a proposta americana poderá afetar cerca de US$ 10 bilhões em exportações brasileiras, elevando a tarifa efetiva média sobre os produtos do país para próximo de 18%. Ainda assim, o impacto macroeconômico tende a ser administrável diante da diversificação da pauta exportadora brasileira e das exceções concedidas a setores considerados estratégicos.

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