Taxar EUA de volta é o último caminho, diz Nelsinho Trad
Presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado prega cautela e não descarta nova viagem da comitiva aos EUA para reverter tarifas de 25% ao Brasil


O presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Nelsinho Trad | Waldemir Barreto/Agência Senado
O presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Nelsinho Trad (PSD-MS), disse nesta terça-feira (3) que o colegiado avalia com cautela como responder ao anúncio da sobretaxa de 25% dos Estados Unidos a produtos brasileiros.
Para Trad, a reciprocidade tarifária tende a acirrar a tensão entre os países e só deve ser cogitada depois do esgotamento de outras alternativas mais diplomáticas, como audiências públicas e canais de diálogo com representantes comerciais.
O senador expressou pessimismo com a reversão integral das tarifas no curto prazo, mas demonstrou confiança na capacidade de buscar uma contenção de danos mirando exceções e redução de impacto a setores estratégicos. Parte dos produtos isentos das tarifas extras são carnes bovinas, frutas e grãos de café, commodities de grande apelo interno nos EUA e sem fornecedor equivalente em volume no mercado interno americano.
“O prazo é curto, mas o Brasil precisa usar todos os caminhos disponíveis para poder defender os seus interesses. Ainda não dá para cravar o impacto sem ouvir setor por setor. A própria proposta traz exceções importantes", disse Trad em entrevista realizada por videoconferência.
Trad deixou em aberto a possibilidade de liderar outra comitiva de senadores aos EUA para discutir o assunto, como fez após o anúncio do tarifaço do presidente Donald Trump ao Brasil em julho do ano passado. Ele diz que o momento é de consultas a produtores na indústria e no agronegócio para reunir informações que fundamentem uma resposta técnica ao governo americano.
“O que pedimos ao setor produtivo é objetividade. Precisamos saber qual produto pode ser atingido, qual código tarifário, qual mercado pode ser perdido, qual o impacto sobre emprego, produção e investimento. A Comissão de Relações Exteriores do Senado não quer trabalhar com impressão, com achismo. Quer trabalhar com dado”, afirmou.
“Se houver a necessidade de ter que ir para lá, pode ter certeza que nós vamos para defender o Brasil e o setor do agro e da indústria", completou.
Sobretaxas
O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) concluiu na madrugada desta terça (2) uma investigação comercial aberta contra o Brasil no meio de 2025. Com o argumento de que determinadas políticas comerciais brasileiras são "irracionais" e "oneram" o comércio americano, o USTR sugeriu impor tarifas de 25% sobre mercadorias importadas do Brasil, com algumas isenções.
Entre as práticas consideradas desleais, há menções ao sistema de pagamentos Pix e ao desmatamento na Amazônia – com parte desses dados, conforme mostrou o SBT News, referente a 2019, primeiro do governo de Jair Bolsonaro.
A decisão está lastreada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O governo americano abriu uma consulta pública para permitir que o governo brasileiro recorra e apresente argumentos contra a taxação. A vigência está prevista para começar em 15 de julho.















