Ex-OMC descarta sanções ao Pix, mas vê tarifas mantidas
Ao SBT News, Roberto Azevêdo afirma que reversão total de sobretaxas é “muito improvável”, critica argumentos dos EUA e diz que não há risco de sanções ao Pix



O ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevêdo, descartou nesta terça-feira (2) a possibilidade de sanções ao Pix e avaliou como improvável uma reversão total das tarifas propostas pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros.
Em entrevista ao SBT News, Azevêdo comentou a investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que recomendou a aplicação de tarifas adicionais de 25%.
“Evidentemente que algum tipo de mitigação, diminuição do impacto pode acontecer durante as negociações. Uma reversão total eu acho muito improvável, até porque é uma decisão política do governo americano de adotar uma política comercial que leve, no entendimento deles, a uma reindustrialização dos Estados Unidos e a investimentos em território americano”, afirmou.
Segundo ele, a tendência é de manutenção de um perfil tarifário mais elevado por parte dos EUA, embora haja espaço para acordos pontuais. Ainda assim, ressaltou que as negociações não avançam de forma concreta.
O ex-diretor destacou que exceções adotadas pelos americanos — como carnes, aeronaves, frutas e café — ajudam a amenizar o impacto econômico.
Ele acrescentou que as isenções foram motivadas por interesses internos dos próprios Estados Unidos."Essas tarifas eram essencialmente um tiro no pé dos próprios Estados Unidos e, portanto, não faziam sentido. Então, as isenções foram aparecendo para conter inflação e evitar rupturas na cadeia produtiva."
Apesar disso, Azevêdo afirmou que cerca de metade das exportações brasileiras ainda segue sujeita a tarifas. Ao comentar os argumentos técnicos usados pelos EUA, como desmatamento e corrupção, foi direto: “Os argumentos são falaciosos, são fabricados e não se sustentam na prática", definiu Azevedo.
Sobre o Pix, ele afastou qualquer risco de sanção e explicou que a crítica americana está relacionada ao modelo de gestão do sistema.“Eu não vejo a mais remota possibilidade de que o Pix seja afetado por nada disso”, afirmou.
Por fim, o ex-diretor da OMC avaliou que eventuais retaliações do Brasil teriam efeito limitado.
“Eu acho que a retaliação não vai resolver o problema. Não será a retaliação brasileira que vai solucionar o impasse ou diminuir os impostos sobre as empresas brasileiras. Se for usada como gesto político, pode ter efeito interno, mas não há consequência positiva do ponto de vista econômico ou comercial”, concluiu.















