Gol no streaming pode demorar 11 segundos, diz estudo
Testes controlados encomendados pelo SBT mediram diferentes formas de transmissão e comprovaram a vantagem da TV aberta em eventos ao vivo


Torcedores brasileiros assistindo à jogo na TV aberta | José Cruz/Agência Brasil
Um estudo exclusivo, encomendado pelo SBT, revelou que a TV aberta, quando comparada ao streaming, continua trazendo a melhor experiência para o torcedor que acompanha o futebol ao vivo.
Testes controlados realizados durante uma partida de futebol ao vivo, revelaram que o sinal transmitido por antena chegou ao telespectador cerca de 11 segundos antes da mesma imagem distribuída por plataformas de streaming.
A análise foi conduzida pela Broadcast Academy, empresa especializada em engenharia de transmissão. Os técnicos compararam diferentes formas de distribuição do mesmo sinal e mediram o tempo necessário para que a imagem captada pelas câmeras chegasse ao público.
Para isso, foi utilizada uma metodologia conhecida como “glass-to-glass”, que calcula o intervalo entre a captação da imagem pela lente da câmera e a reprodução nas telas, seja da televisão convencional ou de monitores.
Os resultados colocaram a TV aberta na primeira posição entre as tecnologias avaliadas. O satélite apareceu logo atrás. O streaming foi o último a exibir a mesma imagem.
Mais etapas, mais atraso
A internet é frequentemente associada à velocidade, mas quando falamos em transmissões ao vivo, o cenário muda, uma vez que o mesmo sinal precisa percorrer mais etapas até chegar ao espectador.
Na TV aberta, o caminho é relativamente simples, segundo a conclusão do teste. Depois de captado pelas câmeras, o sinal é processado e transmitido por ondas eletromagnéticas até as antenas dos telespectadores. É uma estrutura desenvolvida justamente para reduzir atrasos, sem perda de qualidade.
Já no streaming, o conteúdo passa por uma série de processos antes de aparecer na tela. O vídeo precisa ser codificado, compactado, distribuído por servidores, processado pelo aplicativo e pelo aparelho utilizado pelo público.

Atraso pode ser ainda maior
Um dos principais fatores envolvidos nesse processo mais lento é o chamado buffer. Para evitar travamentos causados por oscilações na conexão, as plataformas mantêm uma reserva de dados antes de iniciar a reprodução.
A consequência é o aumento no tempo necessário para que a imagem chegue ao espectador.
Segundo a Broadcast Academy, o sinal distribuído pela internet também depende de redes de entrega de conteúdo, conhecidas como CDNs, responsáveis por atender simultaneamente milhões de acessos.
Grandes plataformas mantêm servidores espalhados por regiões estratégicas para reduzir o tempo de entrega do vídeo. Mesmo assim, a infraestrutura está sujeita a variações de demanda e capacidade.
Em situações de congestionamento, o atraso pode aumentar para determinados grupos de usuários, ampliando a diferença em relação à TV aberta. Isso ajuda a explicar por que a distância observada nos testes não representa necessariamente um limite para as transmissões via internet.
Para os especialistas, a explicação está justamente no número de etapas envolvidas na transmissão. Quanto menor o caminho entre a geração da imagem e a tela do espectador, menores os possíveis impactos. É nesse aspecto que a TV aberta mantém vantagem sobre as demais formas de distribuição.
Por fim, o estudo concluir que enquanto o streaming prioriza estabilidade e capacidade de atendimento simultâneo a milhões de usuários, a transmissão para a Tv aberta continua oferecendo o trajeto mais direto entre a câmera e o telespectador.















