Prévia: Rayman Legends Retold aposta na nostalgia
Remake da Ubisoft preserva o charme do original, melhora a apresentação e entrega uma experiência promissora para fãs de plataforma


Lançado originalmente em 2013, Rayman Legends chegou em uma época em que os jogos de plataforma ainda buscavam reafirmar sua força fora do universo da Nintendo. Desenvolvido pela Ubisoft Montpellier, o jogo foi lançado para Wii U, PlayStation 3, Xbox 360, PC e PlayStation Vita, recebendo depois versões para PlayStation 4, Xbox One e Nintendo Switch.
Na época, o impacto foi imediato. Rayman Legends foi muito elogiado por sua direção de arte, pela fluidez dos controles, pelas fases criativas e, principalmente, pelas fases musicais, que se tornaram algumas das sequências mais lembradas do gênero. Era um jogo bonito, inventivo e extremamente gostoso de jogar, daqueles que pareciam simples à primeira vista, mas que escondiam uma construção de fases muito precisa.
Agora, em meio às celebrações do 30º aniversário da franquia Rayman, a Ubisoft prepara também um jogo especial comemorativo e aproveita esse momento para revisitar um de seus capítulos mais queridos com Rayman Legends Retold, remake que promete ir além de uma simples atualização visual.
Rayman Legends Retold melhora o que já era ótimo
Depois de jogar quase três horas de Rayman Legends Retold, minha primeira impressão é que a Ubisoft entendeu muito bem o peso do material original. Este não parece ser um remake feito apenas para deixar tudo mais bonito. A sensação é de que o jogo pega tudo o que já funcionava em Rayman Legends, melhora, expande e acrescenta novidades sem perder a identidade da franquia.
O visual está mais refinado, com cenários mais vivos, personagens mais expressivos e uma apresentação geral muito mais polida. A build que joguei rodava em 1080p, mas a promessa é que a versão final chegue com suporte a 4K. Mesmo nessa versão de prévia, já dá para perceber um cuidado grande com os detalhes.
Logo nos primeiros minutos, a vontade é sair explorando tudo. Cada canto do mapa parece esconder alguma coisa, seja um caminho alternativo, Lums espalhados pelo cenário ou Teensies esperando para serem resgatados. Essa sensação de descoberta continua sendo uma das maiores forças de Rayman.

Experiência com a gameplay
Joguei a prévia remotamente, em um PC da Ubisoft, usando um DualSense, o controle do PlayStation 5. Por conta dessa configuração, senti um leve delay em alguns momentos, mas isso estava claramente ligado à forma como a sessão aconteceu, e não ao jogo em si.
Mesmo com essa limitação, a gameplay fluiu muito bem. Rayman continua com suas habilidades clássicas de movimentação, e tudo responde de maneira natural. Pular, correr, atacar, escalar e encontrar o ritmo das fases ainda é extremamente prazeroso. É aquele tipo de jogo em que o controle some da sua mão depois de alguns minutos, porque tudo simplesmente funciona.
Os puzzles também seguem muito bem encaixados. Eles não são fáceis demais, mas também não chegam a travar o ritmo da aventura. São intuitivos, bem distribuídos e ajudam a reforçar a vontade de observar cada parte do cenário antes de seguir em frente.

Fases musicais e novas ideias
As fases musicais, que estavam entre os momentos mais marcantes de Rayman Legends, estarão de volta em Rayman Legends Retold. Para quem jogou o original, isso já é motivo suficiente para ficar animado. Essas fases tinham uma energia muito própria, misturando plataforma, ritmo e espetáculo visual de um jeito que poucos jogos conseguiram repetir.
Além do retorno desses momentos, pude jogar diversas fases novas. Algumas delas trazem ideias diferentes, incluindo trechos em 3D nos quais controlamos um dragão. Não quero entrar em muitos detalhes para evitar spoilers, mas foi bom ver que a Ubisoft está tentando expandir a experiência sem descaracterizar Rayman.
O jogo também terá mais composições originais na trilha sonora e conta com o retorno de diversos dubladores originais. Esses detalhes ajudam a passar a sensação de que Rayman Legends Retold está sendo tratado com respeito.
Uma estrutura familiar, mas mais prática
A seleção de fases acontece por meio de um menu em que é possível andar até os portais ou acessar tudo por um menu rápido. É uma solução simples, mas eficiente. Ela mantém o charme de circular pelo hub do jogo, ao mesmo tempo em que facilita a vida de quem quer ir direto para uma fase específica.
Essa estrutura combina muito bem com a proposta de Rayman. O jogo incentiva a repetição, a busca por colecionáveis e a vontade de voltar em fases anteriores para tentar encontrar tudo. Durante a preview, me peguei várias vezes desviando do caminho principal para explorar melhor o cenário, e acabei encontrando quase todos os Teensies escondidos nas fases que joguei.

Um remake feito com carinho
Rayman Legends Retold é um presente para fãs de jogos 2D, 2,5D e plataforma. Ele preserva a essência do original, mas também parece interessado em justificar sua existência como remake. Há melhorias visuais, novas fases, novos conteúdos, mais música e um cuidado evidente com aquilo que fez Rayman ser tão querido.
Também chama atenção o fato de a Ubisoft estar dedicando dois de seus estúdios ao projeto. Isso passa a impressão de que a empresa entende a importância da franquia e está tratando esse retorno com atenção.
Depois de quase três horas jogando, saí com a sensação de que Rayman Legends Retold pode ser exatamente o tipo de retorno que os fãs esperavam. Ele é familiar, bonito, divertido e cheio de personalidade. Ainda há muito para descobrir, mas o que foi mostrado até agora aponta para um remake promissor.
Mais detalhes sobre Rayman Legends Retold devem ser revelados em breve pela Ubisoft.















