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Dólar tem pior ano desde 2017, mas mercado vê espaço para virada

Moeda americana acumula queda de mais de 8% em 2025 e caminha para seu pior desempenho anual em quase uma década

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Exame.com
23/12/2025, 15:47 • Atualizado em 23/12/2025, 15:47
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Dólar | Divulgação/Valter Campanato/Agência Brasil

Dólar | Divulgação/Valter Campanato/Agência Brasil

O dólar pode encerrar 2025 com o pior desempenho anual em oito anos. E, nos últimos dias de dezembro, o mercado já se posiciona para mais perdas. O Bloomberg Dollar Spot Index acumula queda de 8,2% no ano e, com a cotação atual, está em seu nível mais baixo desde 3 de outubro. Se recuar ainda mais nos últimos pregões, o dólar pode ter um final de ano ainda mais amargo e acabar com sua pior performance desde pelo menos 2001.

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Por trás da queda, estão expectativas de que o Federal Reserve (Fed) irá manter uma política monetária mais branda que outros grandes bancos centrais — um fator que reduz o apelo do dólar frente a moedas como o euro, o dólar australiano e a coroa sueca, todas em alta nos últimos dias.

Na segunda-feira (22), a moeda americana fechou em alta de 0,99%, cotada a R$ 5,5836, em seu maior valor em quase cinco meses.

Opções indicam aposta firme contra o dólar

No mercado de derivativos, os sinais também são claros: os traders estão se protegendo contra a possibilidade de novas perdas da moeda americana.

Os chamados risk reversals, que medem o apetite por calls e puts em moedas, mostram o maior viés de baixa para o dólar em três meses. Os dados da Depository Trust & Clearing Corporation (DTCC) indicam que o euro e o dólar australiano são as principais apostas nesse movimento contra o dólar.

Mas o "sorriso do dólar" ainda pode voltar, diz JPMorgan

Apesar da fraqueza no curto prazo, o JPMorgan acredita que o cenário não está definido.

A previsão de um êxodo de capital estrangeiro dos EUA no início de 2025 — o temido movimento de "Sell America" — não se concretizou. Os mercados americanos continuam sendo os mais líquidos e profundos do mundo, afirma o banco.

Mais recentemente, o dólar voltou a subir em movimentos de aversão ao risco (risk-off), mesmo quando liderados por ações americanas ligadas à inteligência artificial.

Isso sugere, segundo o JPMorgan, que o fenômeno conhecido como dollar smirk, um enfraquecimento temporário, pode ter chegado ao fim, dando lugar ao retorno do chamado "sorriso do dólar".

Historicamente, os ciclos de valorização do dólar foram marcantes: o DXY (Dollar Index) atingiu seu pico histórico acima de 160 em 1985 e superou 120 em 2001. No ciclo atual, o topo local foi registrado em setembro de 2022, a 114 pontos — cerca de 14% acima do patamar atual, que serve agora como referência técnica.

Um ano fraco, mas ainda com espaço para reviravoltas

Em resumo: o dólar está fechando 2025 com uma performance decepcionante, pressionado por juros mais baixos, reprecificação global e mudanças no apetite por risco.

Mas, como o JPMorgan aponta, o mercado cambial pode surpreender em 2026 — especialmente se os dados econômicos dos EUA levarem a uma reavaliação das apostas sobre o Fed.

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