Economia

Vale versus Petrobras: qual gigante da bolsa se saiu melhor em 2025

Enquanto a Petrobras sofreu o baque da queda no preço do petróleo, a Vale surfou na surpresa do minério

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Exame.com
22/12/2025, 20:01 • Atualizado em 22/12/2025, 20:01
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Gigantes na B3 direções completamente diferentes na bolsa | Germano Lüders/Exame

Gigantes na B3 direções completamente diferentes na bolsa | Germano Lüders/Exame

Vale (VALE3) e Petrobras (PETR3 e PETR4) são duas das empresas mais influentes do Brasil, com papéis essenciais no desempenho do Ibovespa. Juntas, elas representam entre 20% e 25% do índice, e qualquer variação em suas ações tem impacto direto no mercado financeiro.

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Em 2025, os desempenhos dessas duas gigantes mostraram trajetórias bem distintas, refletindo os desafios e as oportunidades do setor de atuação de cada uma.

As ações ordinárias da Petrobras (PETR3) acumulam baixa de aproximadamente 20% no ano, enquanto as preferenciais (PETR4) recuam mais de 15%. A Vale (VALE3) teve um desempenho positivo, com suas ações valorizando mais de 30%. Enquanto isso, o Ibovespa subiu 33% no ano.

O ano de Petrobras

O desempenho de cada uma está ligado às condições de mercado e à gestão interna. No caso da Petrobras, apesar da valorização negativa do preço das ações, Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), avalia que o ano passou "sem surpresas" para a companhia.

"O risco político é uma constante na Petrobras. O investidor pode dormir de um jeito e acordar de manhã, de repente, com uma canetada do presidente da República que faz a ação cair", afirma.

"Mas o preço do petróleo não subiu muito, o que às vezes gera essa interferência política na empresa. Ela teve um certo 'conforto' devido a isso, mas também fez declarações que assustaram o mercado, como planos de investir em etanol, comprar uma empresa de distribuição de botijão de gás novamente e investir em fertilizantes. Essas iniciativas geralmente não agradam o mercado nem os acionistas", complementa.

Para os próximos anos, Adriano Pires prevê uma continuidade na queda nos preços do petróleo, o que deve impactar diretamente as receitas da empresa. Com um mercado pressionada pela alta oferta e uma demanda que, embora crescente, não tem sido suficiente para sustentar os preços elevados, a Petrobras precisa adotar uma abordagem mais cautelosa.

A companhia está tomando medidas para gerenciar sua dívida e investimentos diante do cenário de queda no preço da commodity. A empresa decidiu parar de alavancar para controlar sua dívida bruta de US$ 75 bilhões, que pode aumentar caso o petróleo caia para US$ 55 em 2026 ou 2027. Além disso, reduziu seus investimentos em 1,8% e colocou parte deles em espera, dependendo do preço do barril.

O ano de Vale

Ao contrário de Petrobras, Vale teve um desempenho positivo, principalmente graças ao preço do minério de ferro, que surpreendeu o mercado ao ficar acima das expectativas. Embora a previsão fosse de que o preço da tonelada de minério de ferro oscilasse em torno de US$ 90, a commodity deve fechar o ano acima de US$ 106, impactando diretamente o fluxo de caixa da mineradora.

A demanda robusta da China e o crescimento da produção de aço na Índia ajudaram a sustentar esses preços elevados, afirma Yuri Pereira, analista de celulose e mineração do research do Santander Brasil.

Além disso, a Vale conseguiu entregar seus resultados com eficiência, cumprindo seu guidance de produção e custos, o que gerou confiança no mercado e provocou uma reclassificação de suas ações.

A boa gestão e a redução das expectativas de investimentos também foram vistas com bons olhos pelos investidores, que valorizam a geração de caixa da empresa.

"A Vale conseguiu cumprir suas metas de produção e custo e reduziu as expectativas de investimento, mas a redução não foi muito grande. O mercado, focado na geração de caixa, viu positivamente essa redução de investimentos. Com isso, a ação foi reavaliada para cima, ou seja, a empresa passou a ser mais valorizada pelo mercado, que hoje confia mais nela do que um ano atrás", explica Pereira.

Para o ano que vem, o especialista continua otimista sobre a performance das ações. A projeção é que o preço-médio do minério se mantenha na casa dos US$ 100 por tonelada, preço suficiente para a Vale entregar 12% de retorno de fluxo de caixa, segundo o analista do Santander.

Se o destino é moda responsável, nossa jornada já começou.

"E isso abre espaço novamente para dividendos extraordinários no ano que vem, já que a empresa segue numa trajetória de desalavancagem", finaliza.

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