Imagens exclusivas mostram como ladrões agiram em roubo milionário na Biblioteca Mário de Andrade, em SP
Imagens revelam falhas na segurança durante furto de obras de Portinari e Matisse no centro de São Paulo


Fabio Diamante
Robinson Cerantula
Imagens das câmeras de segurança da Biblioteca Mário de Andrade, no centro de São Paulo, mostram como os criminosos agiram com facilidade durante o roubo milionário de obras de arte, ocorrido na manhã de 7 de dezembro do ano passado.
Por volta das 10h40, dois homens foram flagrados logo após o crime, deixando o local tranquilamente com 13 obras de arte dos artistas Cândido Portinari e Henri Matisse.
As imagens mostram os criminosos carregando as obras com dificuldade, todas dentro de uma sacola, sem que nenhum vigilante tentasse impedir a fuga. Em outro ponto da biblioteca, os dois passam ao lado de uma vigilante que estava posicionada na porta de saída.
Segundo a investigação, a funcionária chegou a chamar os suspeitos, mas retornou ao interior do prédio e conversou com outro colega. Os dois voltaram ao local onde as obras estavam expostas para verificar se algo havia acontecido.
Vigilantes só perceberam o crime minutos depois
Quase dois minutos depois, às 10h42, os funcionários perceberam o furto e iniciou-se uma correria dentro da biblioteca. No entanto, os criminosos já haviam fugido.
De acordo com a perícia, o espaço onde as obras estavam expostas não possui câmeras de monitoramento. Os ladrões quebraram uma vitrine com um martelo, que foi deixado para trás, e arrancaram algumas obras da parede.
Suspeitos foram identificados pela polícia
Os criminosos também foram gravados por câmeras nas ruas da região e identificados pela polícia logo após o crime. Gabriel Pereira Rodrigues de Mello, apontado como líder da ação, está foragido.
Ele teria escondido as obras no prédio onde mora, na região central da capital. O comparsa dele, Felipe dos Santos Fernandes, foi preso no dia seguinte ao roubo.
A Polícia Civil concluiu o inquérito principal, mas instaurou uma segunda investigação para identificar o responsável por receber as obras furtadas. Segundo a polícia, o suspeito já possui antecedentes por receptação de objetos e obras de arte e teria pago R$ 100 mil aos ladrões.
Além de Gabriel e Felipe, outras duas pessoas foram indiciadas. Luis do Carmo, conhecido como “Irmão Magrão”, apontado como integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC), teria ajudado na fuga e está preso.
Já Cícera de Oliveira Santos, mulher de Gabriel, é suspeita de ajudar a retirar as obras do prédio onde o casal morava. Ela chegou a ser presa temporariamente, mas foi liberada.
Relembre o caso

Veja nota da prefeitura:
"A Secretaria de Cultura e Economia Criativa informa que foi registrado na Biblioteca Mário de Andrade (BMA) o roubo de oito gravuras de Henri Matisse e cinco gravuras de Candido Portinari, da obra "Menino de Engenho", pertencentes à exposição "Do livro ao museu: MAM São Paulo e a Biblioteca Mário de Andrade", realizada em parceria com o Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM). O local passa ainda por perícia da Polícia Civil.
A pasta informa que as obras expostas contam com apólice de seguro vigente, e que o local dispõe de equipe e sistema de vigilância, sistema de câmeras de segurança. Todo o material que possa servir à investigação está sendo fornecido para as autoridades policiais.
A Polícia Militar atendeu a ocorrência e a Guarda Civil Municipal (GCM) reforçou o policiamento."
A biblioteca já foi alvo de furto em 2006.









