Política

Sabatina SBT: Renan defende mudar CLT e criar mais presídios

Para o candidato do Missão à Presidência, reforma das leis trabalhistas ajudaria a diminuir os juros, que "estão levando empresas à falência"

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Mariana Botta

Em sabatina do SBT News realizada nesta segunda-feira (17), Renan Santos, candidato do Missão à Presidência, disse que o governo brasileiro está "quebrando" o setor privado e o próprio país, que tem "os maiores juros do mundo".

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Ele afirmou que o governo está prejudicando as empresas, contribuindo para o aumento dos pedidos de recuperação judicial.

Trabalho

Para ele, parte da solução estaria numa reforma das leis trabalhistas, com maior flexibilização dos contratos de trabalho, com negociação direta entre empresários e empregados.

"A legislação trabalhista é muito custosa, é preciso fazer uma alteração drástica da CLT, porque o trabalhador já está precarizado. O MEI é a única maneira de empresário e trabalhador conseguirem se entender. É preciso entender que trabalhador e empresário não são inimigos. Experiências no mundo inteiro mostram que uma maior flexibilização é melhor para todos, já que o direito mais óbvio do trabalho é trabalhar", disse.

Renan disse que a reforma vai manter garantias e direitos, principalmente relacionados com a maternidade, que precisa ser incentivada, já que as famílias estão diminuindo.

Para ele, a flexibilização vai ter resultado positivo contra a informalidade, pois vai levar "ao aumento da base de pessoas formalizadas".

Além disso, ele também falou que pretende fazer uma reforma da Previdência que funcione 'de verdade', com o fim dos 'penduricalhos' de funcionários públicos e de super-salários, inclusive de militares.

"A reforma da Previdência [de 2019] não funcionou. Por exemplo, o que mais há no Brasil é militar vagabundo que não faz nada. Militar vagabundo que não está preocupado com o crime organizado no Brasil, mas recebe salário de general. No Rio de Janeiro, você anda e vê isso: o militar que pega o motorista dele para ir ao Clube Militar e pede para desviar da favela que ele deveria desocupar do crime organizado. Mas ele desvia da favela para ir ao Clube Militar, enquanto recebe um supersalário, se aposenta cedo e tem uma superaposentadoria.”

Segurança pública

Durante a sabatina, Renan Santos defendeu que o Brasil precisa criar de 300 mil a 500 mil novas vagas de presídios, o que deve custar entre e R$ 2 e R$ 3 bilhões.

“O Brasil tem uma das maiores populações carcerárias do mundo? Vai ter que prender ainda mais”. As punições no Brasil são muito baixas, são muito pequenas", declarou o candidato.

Ele ainda defendeu a política do "prendeu, matou", entoada como slogan por parte de seus apoiadores.

"A maior preocupação da população hoje é a segurança, porque o bandido é pego e retorna à sociedade. O bandido rouba uma aliança porque sabe que não vai ser punido. Mas é uma questão de justiça, de coesão social, é uma vingança pelo malfeito dele. Temos que tratar de maneira diferente quem age de maneira muito diferente, atuar de maneira muito dura, para destruir as facções em um ano, e devolver as regiões ocupadas por elas para a população".
"Defendo a ideia do 'prendeu, matou' porque ela já é realidade, mas só para algumas pessoas. Como no caso do ciclista que foi morto com tiros num parque, mesmo depois de ter entregado seu celular para o bandido. Comigo, o bandido vai morrer ou ficar preso. Quem comete atrocidades tem que ser punido."

Sobre o risco de aumento de mortes por acidente, ele afirma que, atualmente, "as pessoas já são mortas por engano, principalmente nas periferias".

"Agora, eles vão ter a certeza de serem protegidos. O Brasil tem um grau de violência comparável a guerras; morre mais gente aqui que na Ucrânia e, infelizmente, vai ter que morrer mais."

Bolsa Família

Renan também falou que vai fazer mudanças no programa Bolsa Família, substituindo o assistencialismo por oportunidade de trabalho, a partir de um processo de transição.

"O Brasil está se tornando lugar pobre, em que as pessoas dependem do Bolsa Família. Então, não vou cortar a política onde não existe emprego, nos lugares em que as pessoas não tenham como sobreviver."
"No Nordeste, quatro em cada dez pessoas está no Bolsa Família, tem gente jovem que pega o benefício e depois não vai trabalhar. Por isso, eu primeiro vou salvar quem está trabalhando, mantendo o benefício para quem está na extrema pobreza, até fazer a transição do emprego, que vai levar para esses lugares".
"Mas, quem não quiser o trabalho disponível, também não vai ter o Bolsa Família. Quem está pagando a conta vem primeiro, porque 'quem não está pagando a banda, não escolhe a música'", comparou.

Experiência

O candidato diz que compensa a falta de vivência na administração pública com a experiência de 12 anos na liderança do MBL (Movimento Brasil Livre).

"Lidero um bloco político inteiro no Brasil, que é capaz de apontar dedo para Lula e para Bolsonaro. A Dilma tinha muita experiência administrativa e levou impeachment; o Fernando Collor também tinha experiência e sofreu impeachment. A liderança é mais importante que esse tipo de experiência."

SBT e SBT News sabatina candidatos a Presidência

O SBT News e o SBT deu início nesta segunda-feira (17) a rodada de sabatinas aos candidatos a Presidência da República.

A rodada reúne os principais nomes que disputam a corrida eleitoral e abre espaço para que os candidatos apresentem propostas e posicionamentos sobre os principais assuntos do país.

Os participantes foram definidos previamente, e a ordem das entrevistas foi estabelecida por sorteio. A programação começou nesta segunda-feira (17), com Renan Santos, e segue até sábado (22), com um candidato por dia.

Veja aqui a programação.

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