Economia

Brasil prevê nova reunião e tenta ganhar tempo com EUA

A princípio, tarifas passam a valer em 15 de julho, equipe econômica tenta ganhar tempo para negociar

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Victoria Abel
06/06/2026, 13:57 • Atualizado em 06/06/2026, 13:57
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Lula e Trump em encontro na Casa Branca, nos EUA | Divulgação/Ricardo Stuckert/PR

Lula e Trump em encontro na Casa Branca, nos EUA | Divulgação/Ricardo Stuckert/PR

Uma nova reunião do grupo de trabalho criado por Brasil e Estados Unidos para discutir tarifas comerciais deve ocorrer na próxima semana.

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Apesar da proposta americana de impor novas tarifas de 25% e 12,5%, o governo Lula planeja novas conversas com auxiliares de Donald Trump para tentar reverter ao menos parte da tarifa mais alta.

Caso as negociações avancem e demandem mais tempo, integrantes da equipe econômica e diplomatas avaliam pedir o adiamento do prazo para entrada em vigor das tarifas, previsto atualmente para 15 de julho.

A reunião deve ocorrer por videoconferência entre o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, e o chefe do USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos), Jamieson Greer.

O grupo foi criado após a visita do presidente Lula a Donald Trump, no início de maio. O acordo inicial previa 30 dias de negociações antes da eventual adoção de novas tarifas. Os EUA, porém, anunciaram as medidas antes do fim desse prazo. Um primeiro encontro do grupo ocorreu na semana passada, mas sem avanços significativos.

O Palácio do Planalto também avalia a possibilidade de um encontro entre Lula e Trump durante a cúpula do G7, na França, entre os dias 15 e 18 de junho. Até o momento, porém, não houve tratativas diplomáticas para uma reunião bilateral nem confirmação de conversa entre os dois presidentes.

Na terça-feira (9), os Estados Unidos propuseram uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros. A medida, que também atinge outros 59 países, foi anunciada após investigação sobre a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado.

Um dia antes, o governo Trump já havia proposto uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, com algumas exceções.

Integrantes do governo avaliam que a tarifa de 25% tem mais chances de ser revertida, por atingir apenas o Brasil e ter, na avaliação de autoridades brasileiras, motivações políticas. Já a tarifa de 12,5% foi aplicada a outros países.

De acordo com pessoas ouvidas pelo SBT News, há chance de entrar na negociação tarifas brasileiras sobre produtos americanos —não citam quais. A taxa de 18% aplicada ao etanol importado dos Estados Unidos, por exemplo, está fora dessa lista.

Outro tema que pode ser discutido é a manutenção da isenção tributária para plataformas digitais. Os Estados Unidos defendem que as big techs permaneçam sem tributação específica em outros países pelos próximos cinco anos. O governo brasileiro, a princípio contra, passou a considerar a possibilidade diante da necessidade de avançar nas negociações com Washington.

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