Economia

Brasil importará combustíveis até pelo menos 2036, diz MME

Mesmo com ampliação das refinarias, país continuará dependente de fornecedores estrangeiros de diesel e gás; gasolina poderá chegar à autossuficiência

Avatar de Caio Barcellos
Caio Barcellos
Exploração de Petróleo no Rio de janeiro

Exploração de Petróleo no Rio de janeiro

O Brasil continuará dependente da importação de combustíveis e outros derivados de petróleo pelo menos até 2036, projeta a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), vinculada ao Ministério de Minas e Energia (MME).

🤳 Notícias em primeira mão: baixe nosso aplicativo gratuito e leve o jornalismo do SBT News com você, onde estiver! Clique aqui

De acordo com os cálculos no Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE 2036), o país deverá importar, em termos líquidos, 37 milhões de litros de derivados de petróleo por dia em 2036. O volume representa aproximadamente 8% da demanda nacional e é inferior aos 50 milhões de litros diários estimados para 2026, mas indica que a produção doméstica continuará insuficiente para atender integralmente ao consumo brasileiro.

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT,Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung, LG e Roku.

Siga no Google Discover

A dependência externa persistirá mesmo com a expectativa de crescimento de aproximadamente 10% na capacidade nacional de refino ao longo da próxima década, para cerca de 5 milhões de barris por dia.

Diesel continuará dependente de importações

De acordo com a EPE, as importações líquidas de diesel deverão alcançar 51 milhões de litros por dia em 2036, o equivalente a aproximadamente 25% do consumo nacional. Apesar disso, o volume representa:

Alta de 39% em relação aos 37 milhões de litros diários estimados para 2026;

Alta de 27% em relação ao recorde histórico de 40 milhões de litros por dia registrado em 2025.

A dependência persistirá mesmo com a previsão de aumento de 13% na produção nacional de diesel ao longo do período, impulsionada por investimentos da Petrobras em empreendimentos como a Refinaria Abreu e Lima (Rnest), em Pernambuco, e o Complexo de Energias Boaventura, no Rio de Janeiro.

A EPE estima que a produção brasileira de nafta -utilizada na fabricação de plásticos, resinas e outros produtos químicos- aumente 68,5% ao longo da década, mas continue insuficiente para atender à demanda interna. Para 2036, a projeção é de:

Produção nacional: 27,3 milhões de litros por dia;

Demanda interna: aproximadamente 38 milhões de litros por dia;

Importação líquida: cerca de 10 milhões de litros por dia.

Gasolina poderá alcançar autossuficiência

Segundo a EPE, o Brasil poderá alcançar a autossuficiência no produto antes do fim da próxima década, principalmente em razão da redução da demanda por gasolina derivada de petróleo.

O estudo considera que a ampliação da mistura obrigatória de etanol anidro, a maior oferta de etanol hidratado e o avanço dos veículos eletrificados deverão limitar o consumo de gasolina produzida nas refinarias.

A projeção é que as importações líquidas de gasolina alcancem 8,5 milhões de litros por dia em 2027, equivalentes a pouco mais de 9% da demanda nacional. A partir daí, a necessidade de compras externas deverá diminuir gradualmente, até que a produção brasileira seja suficiente para atender ao consumo interno.

A EPE estima que a produção nacional de gasolina permanecerá relativamente estável, entre 80 milhões e 83 milhões de litros por dia ao longo do período. Dessa forma, a autossuficiência deverá decorrer principalmente da redução da demanda, e não de uma expansão significativa da fabricação do combustível.

Dependência de gás de cozinha deverá diminuir

No caso do gás liquefeito de petróleo (GLP), conhecido como gás de cozinha, a EPE projeta uma redução da dependência de fornecedores estrangeiros até 2036, embora a produção nacional ainda seja insuficiente para atender integralmente ao consumo.

As estimativas para o período de 2026 a 2036 são:

Produção nacional: crescimento de aproximadamente 22%;

Consumo interno: aumento de 12%;

Importações líquidas: queda de 6 milhões para 3 milhões de litros por dia;

Dependência externa em 2036: aproximadamente 6% da demanda nacional.

Segundo a EPE, o aumento da produção doméstica estará associado principalmente à expansão do processamento de gás natural, além da contribuição das refinarias e de outras unidades produtoras.

“Com a utilização máxima de alguns dutos, será necessário melhorar a eficiência operacional dos processos logísticos e investir em infraestrutura logística para evitar eventuais desabastecimentos regionais”, diz a publicação.

Últimas notícias