Economia

Ataque contra Binance expõe brechas em criptomoedas

Invasão teria durado cerca de 20 minutos e provocado prejuízo estimado em US$ 6 bilhões; especialista explica como criminosos agiram

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Gabriel Durvalino
Ataque contra Binance expõe brechas em criptomoedas

Um ataque hacker contra a Binance, considerada a maior corretora de criptomoedas do mundo, resultou no roubo de cerca de US$ 6 bilhões em ativos digitais. A invasão teria durado aproximadamente 20 minutos, no fim da noite de quinta-feira (29), e levou a empresa a suspender temporariamente os saques.

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O caso é considerado histórico e aumentou a preocupação de investidores com a segurança das plataformas de criptomoedas. Segundo as primeiras investigações, a invasão pode ter começado pelo notebook de um engenheiro da empresa. Os criminosos teriam utilizado o equipamento para acessar um dos sistemas da corretora e realizar transferências não autorizadas para carteiras digitais sob controle deles.

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A Binance informou que vai cobrir as perdas. A empresa também passou a analisar o computador comprometido para identificar como o ataque aconteceu.

Para o especialista em tecnologia e inovação Artur Igreja, a dimensão do ataque chama atenção não apenas pelo valor envolvido, mas pelo impacto sobre a confiança no sistema.

“É um ataque histórico porque, para além da cifra, a grande questão aqui é o seguinte: sistema financeiro e criptomoedas estão baseados em confiança”, afirmou, em entrevista ao Radar News, do SBT News.

Ataque não atingiu o blockchain

De acordo com Igreja, o ataque não ocorreu diretamente no blockchain, estrutura que sustenta as criptomoedas. O problema teria acontecido na camada utilizada para realizar saques e transferências por meio das exchanges, como a Binance.

“As criptomoedas estão lá como se fosse um cofre, mas elas podem ser transferidas e podem ser convertidas para dólar, para euro, para qualquer moeda. E aí é nessa camada onde ficam as exchanges”, explicou.

Segundo o especialista, a gravidade do caso também está relacionada ao fato de a Binance ser a maior corretora do mundo.

Ativos congelados

Igreja explicou que parte dos valores transferidos pelos criminosos foi congelada após outras empresas de tecnologia identificarem movimentações consideradas anormais.

“É como se o cofre de um banco tivesse sido atingido, mas esse dinheiro estava sendo depositado em outro lugar”, disse.

Segundo ele, praticamente metade dos ativos está congelada, mas ainda permanece sob controle dos hackers. Por isso, a recuperação dos valores pode ser complexa.

“Pensando aqui do ponto de vista técnico, é possível que eles consigam reaver uma parte disso, mas uma parte. O que eu imagino que vai acontecer é que a Binance vai ter que usar a caixa, vai ter que usar a sua estrutura para repor esses recursos nas carteiras dos investidores e das instituições”, afirmou.

Suspeita de envolvimento da Coreia do Norte

Empresas especializadas em segurança digital levantaram a suspeita de que o ataque tenha sido realizado por um grupo ligado à Coreia do Norte. Igreja ressaltou, no entanto, que a origem ainda não foi confirmada.

“Eles ainda não conseguem cravar que o ataque partiu da Coreia do Norte, mas há similaridades notáveis”, afirmou.

Segundo o especialista, a suspeita está relacionada às características do ataque, semelhantes às de outras invasões que posteriormente foram atribuídas à Coreia do Norte.

As investigações podem acompanhar tanto o caminho percorrido pelos valores quanto os equipamentos e redes utilizados na invasão. “Eles vão seguindo o traço, não só o percurso do dinheiro, mas o percurso das máquinas, dos IPs, das redes que foram acessadas”, explicou.

Igreja afirmou ainda que ataques desse tipo costumam envolver grupos organizados, com treinamento e especialização em determinados tipos de crimes digitais.

Brasil entre os principais mercados

O especialista também destacou a presença do Brasil no mercado global de criptomoedas. Segundo ele, o país está entre os principais mercados da plataforma.

Igreja explicou que as características das criptomoedas, como a possibilidade de movimentação global e liquidez, fazem com que esses ativos sejam utilizados por pessoas em diferentes partes do mundo.

Apesar do impacto, o especialista afirmou que o problema não é exclusivo das criptomoedas.

“As instituições tradicionais, elas sofrem ataques diários e elas têm perdas declaradas e elas têm fundos dedicados a isso”, disse.

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