Economia

Bancos aumentam taxa para financiamento da casa própria

Depois do Bradesco, Itaú anuncia a medida nesta quinta-feira (29); juntos, os dois bancos responderam por 41,4% do crédito com recursos da poupança em 2026

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Bancos aumentam taxa para financiamento da casa própria | Divulgação/Marcello Casal/Agência Brasil

Bancos aumentam taxa para financiamento da casa própria | Divulgação/Marcello Casal/Agência Brasil

Os dois maiores bancos privados do crédito imobiliário no país encareceram o financiamento da casa própria em menos de uma semana. Depois do Bradesco, foi a vez do Itaú Unibanco, que elevou sua taxa mínima para 12,95% ao ano a partir desta quinta-feira (29).

Segundo o radar de taxas da MySide, proptech que monitora mensalmente os juros dos principais bancos, o Itaú cobrava a partir de 11,99% ao ano mais Taxa Referencial (TR). A menor taxa acessível acompanhada pela proptech foi para 12,89%. Fora do Private, para todos os outros clientes, a taxa ficou em 12,95%.

"Diferentemente do Bradesco, que surpreendeu o mercado com um aumento de 3,3 pontos percentuais de uma só vez, o Itaú adotou um reajuste mais próximo do padrão que estamos acostumados a acompanhar no financiamento imobiliário", afirmou Paulo Prado, co-founder MySide e especialista em crédito imobiliário.

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Em nota, o banco atribuiu o ajuste às "recentes oscilações nas curvas de juros futuros", que subiram após o segundo turno das eleições. A justificativa do Itaú passa pela forma como o crédito habitacional é financiado. Segundo o banco, como o financiamento imobiliário depende de recursos captados no mercado, seus custos estão sujeitos às variações dos juros.

O ajuste, de acordo com a nota, busca "refletir as condições atuais de captação e preservar a sustentabilidade das operações". O banco afirmou ainda que as taxas praticadas variam conforme o perfil e o relacionamento de cada cliente.

A caderneta de poupança, fonte tradicional e mais barata do crédito habitacional, vem perdendo espaço. Ela respondia por 34% do funding do setor em dezembro de 2023 e caiu para 29% em dezembro de 2025, segundo dados do Banco Central.

Sem a poupança, os bancos recorrem a instrumentos como as Letras de Crédito Imobiliário (LCIs), cujo custo acompanha de perto os juros futuros. Foi esse o mesmo argumento usado pelo Bradesco, que atualizou suas taxas "em função do aumento verificado nas taxas de juros do mercado".

Menor que o do Bradesco, mas acima do teto do SFH

O reajuste do Itaú é bem menor que o do concorrente. No Bradesco, a taxa mínima para a maioria dos clientes saltou 3,3 pontos percentuais de uma só vez, de 11,69% para 15% ao ano mais TR. O piso de 13,6% ficou restrito ao segmento Private.

Com o novo patamar, o Itaú também fica abaixo da Selic, hoje em 13,75% ao ano. A taxa mínima da maioria dos clientes do Bradesco ficou acima dos juros básicos.

Ainda assim, os 12,95% do Itaú ultrapassam o teto legal de 12% ao ano do Sistema Financeiro da Habitação (SFH). Operações acima desse limite ficam fora das regras do sistema, no Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI), em que as taxas são livremente negociadas.

A diferença pesa para o comprador. O enquadramento no SFH é condição para usar o saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) na compra ou na amortização das prestações.

Quem pode ser o próximo

O movimento do Itaú tem peso maior que o do Bradesco. De janeiro a agosto, o banco respondeu por 25,2% dos R$ 132,5 bilhões concedidos em crédito imobiliário com recursos da poupança, segundo a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). O Bradesco ficou com 16,2%.

Juntos, os dois somaram R$ 54,9 bilhões no período. À frente deles está apenas a Caixa, com 48,6% do mercado.

A alta do Itaú confirma a expectativa de especialistas ouvidos pela reportagem nesta semana. "O Bradesco foi só o primeiro; todos os outros vão subir a taxa de juros, talvez com exceção dos bancos estatais", disse Fabrício Schveitzer, COO da construtora Dimas e conselheiro do Ecossistema Sienge.

O Santander, quarto maior financiador com recursos da poupança, afirmou que acompanha os indicadores econômicos e avalia os eventuais impactos do cenário sobre as taxas. Caixa e Banco do Brasil disseram estar em período de silêncio por causa da divulgação de resultados.

O Itaú divulga seus resultados do terceiro trimestre em 3 de novembro. No mesmo dia, começa a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que anuncia no dia 4 a decisão sobre a Selic.

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