Brasil

Servidores são afastados por ameaças a indígenas pós-eleição

Funcionários são alvo de processo administrativo após gravações sugerirem envenenamento da água de aldeia em Mato Grosso do Sul; governo federal apura denúncias

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Caroline Vale
Prefeitura afasta servidores após áudios com ameaças a indígenas em MS. | Divulgação

Prefeitura afasta servidores após áudios com ameaças a indígenas em MS. | Divulgação

A Prefeitura de Tacuru, em Mato Grosso do Sul, afastou cautelarmente servidores municipais após a circulação de áudios com declarações que sugerem envenenar a água consumida por indígenas da Aldeia Sassoró. A administração também abriu um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para apurar os fatos e as responsabilidades.

Em nota divulgada nesta quinta-feira (29), a prefeitura informou que as declarações são atribuídas a servidores públicos e que a medida foi adotada para investigar o caso. A administração afirmou ainda que vai colaborar com as autoridades competentes, incluindo o Ministério Público Federal (MPF) e a Polícia Federal (PF).

As gravações circularam nas redes sociais após o segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25). Em um dos trechos, um homem diz: “Já falei, tem que pôr veneno na água, matar essas pragas na água”.

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A identidade dos servidores não foi divulgada oficialmente. Segundo informações da prefeitura, um dos envolvidos trabalha no setor de infraestrutura, dirigindo um caminhão-caçamba, e não é responsável pelo abastecimento de água.

"A Prefeitura Municipal de Tacuru vem a público manifestar seu veemente repúdio a qualquer forma de racismo, discriminação, incitação à violência ou ameaça contra os povos indígenas e qualquer cidadão do nosso município. (...) A Administração Pública esclarece que não tolera condutas incompatíveis com o decoro do serviço público", diz o texto.

Até o momento, não há confirmação de que a água consumida pela comunidade tenha sido contaminada.

Governo federal apura denúncias

Os ministérios dos Povos Indígenas (MPI), dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) e da Igualdade Racial (MIR) informaram que atuam em conjunto para apurar denúncias de violência contra indígenas, quilombolas e povos de terreiro após as eleições.

Em nota conjunta, as pastas afirmaram que mantêm uma força-tarefa para acelerar as investigações e identificar possíveis responsáveis por crimes.

“É inaceitável que discordâncias políticas possam ter como resultado o uso de violência para reprimir e intimidar opiniões diferentes, colocando em risco a vida das pessoas”, declararam os ministérios.

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) também acionou órgãos federais. A entidade encaminhou ofício e representação criminal ao MPF, à PF e a órgãos do governo federal para pedir providências diante de relatos de ameaças, manifestações racistas e outros episódios de violência em comunidades indígenas de Mato Grosso do Sul.

"Entre os casos denunciados estão assassinatos em Naviraí, atropelamentos em Coronel Sapucaia, além de ameaças de morte, manifestações racistas e ameaças de envenenamento da água de comunidades indígenas em Tacuru e Nioaque", disse.

O MPF instaurou procedimentos para investigar as denúncias no estado e deu prazo de 48 horas para que a Prefeitura de Tacuru preste informações sobre as gravações e as medidas adotadas para garantir a segurança das comunidades e a continuidade dos serviços essenciais.

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