Economia

Após tarifaço, governo ampliará socorro às exportadoras

Ministro da Fazenda diz que valor deve ficar abaixo de R$ 15 bilhões e promete preservar as metas fiscais

Avatar de Caio Barcellos
Caio Barcellos
16/07/2026, 22:01 • Atualizado em 16/07/2026, 23:02
compartilhar
Coletiva de imprensa sobre tarifaço | Foto: Júlio César Silva/MDIC

Coletiva de imprensa sobre tarifaço | Foto: Júlio César Silva/MDIC

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo Lula (PT) vai ampliar o Plano Brasil Soberano para apoiar empresas exportadoras atingidas pela tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos.

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.

Siga no Google Discover

📲 Receba as principais notícias do Brasil e do mundo no seu WhatsApp! Clique aqui e siga o canal do SBT News.

Segundo ele, o valor ainda será definido em conversas com os setores afetados, mas deverá ficar abaixo dos R$ 15 bilhões mobilizados na etapa anterior do programa e não deve comprometer as metas fiscais.

“Não temos valores ainda, porque precisamos ouvir os setores afetados [...] a minha expectativa é que seja em um montante inferior ao que fizemos anteriormente, mas ainda a ser depurado”, afirmou Durigan durante entrevista coletiva no Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Além do valor, não foi definido se o reforço incluirá novas linhas de crédito, garantias, benefícios tributários ou outros instrumentos.

Impacto concentrado

O ministro reconheceu que a cobrança norte-americana poderá causar prejuízos a determinados segmentos, mas disse que o impacto deverá ficar concentrado e não comprometerá a estabilidade macroeconômica do Brasil.

“Não quero menosprezar o impacto negativo que porventura venha a se abater sobre alguns setores”, afirmou.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços estima que a tarifa atingirá cerca de 18% das exportações brasileiras aos Estados Unidos, o equivalente a US$ 7,4 bilhões, considerando os dados de 2024.

Com base nas vendas realizadas em 2025, o impacto alcançaria aproximadamente 15% da pauta exportadora, ou US$ 5,8 bilhões.

Entre os setores mais expostos estão os de madeira, móveis, calçados, açúcar, máquinas e equipamentos agrícolas, equipamentos elétricos, vestuário, papel, produtos químicos e outros manufaturados.

Diversificação de mercados

O Brasil tem cerca de 2.400 empresas que exportam para os Estados Unidos. Segundo o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, 74% delas passaram a acessar outros mercados desde o ano passado com o apoio da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil).

O ministro afirmou, porém, que a diversificação não significa uma substituição imediata do mercado norte-americano.

“Não significa que elas estejam substituindo o mercado norte-americano, o que não é uma tarefa fácil. Mas elas estão diversificando o mercado”, disse.

As companhias atingidas terão atendimento prioritário, como ocorreu nas duas primeiras etapas do Plano Brasil Soberano.

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) afirmou que a ApexBrasil e as instituições financeiras públicas deverão intensificar o apoio à abertura de novos destinos para os produtos brasileiros.

“O governo terá um programa de apoio aos que aqui dentro estão labutando, trabalhando, e que tenham aí problemas”, declarou.

Decisão sobre reciprocidade

Durigan afirmou ainda que os ministros levarão ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a proposta de retomada do processo previsto na Lei da Reciprocidade Econômica.

Segundo ele, caberá a Lula orientar os próximos passos e decidir se o Brasil adotará contramedidas comerciais contra os Estados Unidos.

A legislação autoriza o governo a suspender concessões comerciais e aplicar restrições proporcionais contra países que adotem medidas unilaterais prejudiciais aos interesses brasileiros.

Tarifas começam no dia 22

A tarifa adicional de 25% entra em vigor na quarta-feira (22). Para mercadorias que já estiverem em trânsito, haverá um período de adaptação até 29 de julho.

A cobrança foi definida com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos de 1974. O mecanismo permite ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) investigar práticas consideradas prejudiciais às empresas norte-americanas.

Entre os argumentos usados contra o Brasil estão o funcionamento do Pix, a venda de produtos falsificados, alegações de restrições a plataformas digitais dos Estados Unidos, questões ambientais e regras de propriedade intelectual.

O governo brasileiro afirma que as acusações não têm base técnica e considera que a decisão norte-americana teve motivação política.

“Trata-se de uma interferência indevida externa e é inadmissível, do ponto de vista do governo, essa interferência externa, seja ela política, seja ela econômica, seja ela uma forma qualquer de afugentar e constranger o Brasil, as famílias brasileiras, os empresários e os trabalhadores brasileiros”, afirmou Durigan.

Leia mais

Ver tudo
Imagem da notícia: Após tarifaço, EUA apertam cerco contra cartéis no México

Após tarifaço, EUA apertam cerco contra cartéis no México

Imagem da notícia: TSE cobra ações preventivas de big techs contra robôs e IA

TSE cobra ações preventivas de big techs contra robôs e IA

Imagem da notícia: Brasil reagirá a tarifaço sem temer retaliação, diz governo

Brasil reagirá a tarifaço sem temer retaliação, diz governo

Imagem da notícia: STF reage ao tarifaço e defende independência do Judiciário

STF reage ao tarifaço e defende independência do Judiciário

Imagem da notícia: Após tarifaço, EUA apertam cerco contra cartéis no México

Após tarifaço, EUA apertam cerco contra cartéis no México

Imagem da notícia: TSE cobra ações preventivas de big techs contra robôs e IA

TSE cobra ações preventivas de big techs contra robôs e IA

Imagem da notícia: Brasil reagirá a tarifaço sem temer retaliação, diz governo

Brasil reagirá a tarifaço sem temer retaliação, diz governo

Imagem da notícia: STF reage ao tarifaço e defende independência do Judiciário

STF reage ao tarifaço e defende independência do Judiciário

Últimas notícias

Ministro rebate EUA sobre desmatamento e madeira ilegal

Capobianco desmente acusação dos EUA de que o Brasil teria desmatamento desenfreado e exportação de madeira ilegal

Galípolo: EUA atacam Pix para inventar lógica do tarifaço

Presidente do Banco Central destaca que sistema não afetou cartões de crédito no Brasil

Durigan: tarifaço dos EUA é 'interferência externa’

Ministro da Fazenda afirma que Lula decidirá sobre retomada da reciprocidade

Alckmin chama novo tarifaço dos EUA de injusto e descabido

Vice-presidente cita superávit de US$ 424,5 bi dos americanos e anuncia apoio a setores afetados

Tarifa dos EUA pode custar US$ 11 bi ao Brasil

Câmara Americana de Comércio vê impacto em 26% das exportações brasileiras; entidade defende diálogo e diz que negociações ainda podem avançar entre os países

Trump irá à final da Copa entre Argentina e Espanha

Presidente dos EUA também participará de uma recepção oficial da Fifa antes da decisão, segundo a Casa Branca