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Galípolo: EUA atacam Pix para inventar lógica do tarifaço

Presidente do Banco Central destaca que sistema não afetou cartões de crédito no Brasil

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Caio Barcellos, Valentina Moreira
16/07/2026, 20:43 • Atualizado em 16/07/2026, 20:52
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Presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo | Divulgação/Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo | Divulgação/Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, afirmou nesta quinta-feira (16) que as críticas dos Estados Unidos ao Pix são uma tentativa de “inventar alguma lógica” para justificar a aplicação de tarifas contra produtos brasileiros.

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Segundo ele, o sistema de pagamentos instantâneos não retirou espaço dos cartões de crédito. Ele destacou que desde a criação do Pix, em 2020, o mercado de cartões cresceu 150%.

“Uma vez analisado o que aconteceu, efetivamente, a partir da implementação do Pix, o mercado de cartão de crédito cresceu 150% [...] Quando a gente olha para as alternativas e o que aconteceu no mercado, quem perde espaço são os cheques e o dinheiro físico, o que é absolutamente desejável para todos”, disse em entrevista coletiva no Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

A declaração foi dada depois de o governo de Donald Trump confirmar uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. A investigação da Casa Branca que embasou a medida aponta que o Pix poderia prejudicar empresas norte-americanas de meios de pagamento.

Como refutação ao argumento, Galípolo argumentou que o Pix reduz os custos das transações e gera benefícios para consumidores, empresas, setor público e instituições privadas.

“O custo de transação, de você levar fisicamente cheques ou dinheiro físico, é altíssimo [...] O Pix produz benefícios para a sociedade como um todo, e isso é reconhecido internacionalmente”, destacou.

O presidente do BC comparou a acusação a dizer que a criação do saneamento básico prejudica empresas que operam caminhões-pipa.

Referência internacional

Galípolo afirmou que o sistema brasileiro é reconhecido internacionalmente e serve de referência para outros países.

“A gente tem manifestações do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco de Compensações Internacionais (BIS), que seria tipo um banco central dos bancos centrais. O próprio Paul Krugman, que é um economista estadunidense, que ganhou o Prêmio Nobel de Economia, disse que talvez o Brasil tenha inventado o futuro do dinheiro”, disse.

De acordo com ele, o BC já assinou acordos de cooperação técnica com mais de 47 autoridades monetárias interessadas no desenvolvimento de sistemas de pagamentos instantâneos.

“Países como os Estados Unidos, a Europa, a China, a Índia, a Singapura e uma série de outros bancos centrais hoje já implementaram ou estão estudando implementar sistemas de pagamento instantâneo como o Pix, que claramente é o futuro. Isso vai avançar de maneira bastante clara e fica evidente que a argumentação realmente passa por uma tentativa de inventar alguma lógica para a aplicação das tarifas”, afirmou.

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