Câmara Americana de Comércio vê impacto em 26% das exportações brasileiras; entidade defende diálogo e diz que negociações ainda podem avançar entre os países
Vicklin Moraes
16/07/2026, 19:54 • Atualizado em 16/07/2026, 19:54
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A Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), que reúne empresas brasileiras e americanas com atuação bilateral, estima que a sobretaxa de 25% sobre cerca de 3.000 produtos brasileiros pode provocar perdas de até US$ 11 bilhões nas transações entre os dois países.
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Em entrevista ao Central de Notícias, do SBT News, o diretor de Políticas Públicas da Amcham, Fabrizio Panzini, afirmou nesta quinta-feira (16) que as tarifas devem atingir ao menos 26% das exportações brasileiras.
Para Panzini, apesar das tensões recentes, a relação entre Brasil e Estados Unidos vai além da questão tarifária. “É uma relação bicentenária, muito benéfica para os dois lados, com forte troca de tecnologia, inovação e investimentos. São mais de 4.000 empresas americanas atuando no Brasil, e os Estados Unidos são o principal destino dos investimentos brasileiros”, disse.
Para o especialista, o tempo pode ser um fator importante para o avanço das negociações.
“Há áreas mais sensíveis, como meios de pagamento, que exigem maior maturação. Além disso, os Estados Unidos estão envolvidos em diversas frentes de negociação, como a revisão do USMCA (Acordo entre Estados Unidos, México e Canadá) e as tratativas com a Índia. Um prazo mais amplo pode ajudar ambas as partes a assimilarem o cenário e avançarem em novas rodadas”, afirmou.
Na noite de quarta-feira (15), o governo dos Estados Unidos confirmou a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre a maior parte dos produtos brasileiros exportados ao país, com início previsto para 22 de julho, ampliando a tensão comercial.
Em nota, a Amcham afirmou que a medida pode aprofundar a retração do comércio bilateral, que já caiu 13% no ano, levando a participação dos Estados Unidos no comércio exterior brasileiro ao menor nível da série histórica. A entidade também alertou para possíveis impactos negativos sobre os investimentos.
“Esperamos que os governos do Brasil e dos Estados Unidos mantenham abertos os canais de diálogo. Embora não tenha sido possível alcançar um acordo, as negociações se intensificaram nos últimos meses e seguem sendo o caminho mais eficaz para a retirada das sobretaxas e a construção de uma agenda bilateral mais ampla. Esse esforço torna-se ainda mais urgente diante da probabilidade de novas tarifas no âmbito da investigação da Seção 301 sobre trabalho forçado, que poderão elevar as sobretaxas sobre produtos brasileiros para até 37,5%”, afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.
Tarifa dos EUA pode custar US$ 11 bi ao BrasilCâmara Americana de Comércio vê impacto em 26% das exportações brasileiras; entidade defende diálogo e diz que negociações ainda podem avançar entre os paísesEconomia2026-07-16T19:54:10.148ZA Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), que reúne empresas brasileiras e americanas com atuação bilateral, estima que sobre cerca de 3.000 produtos brasileiros pode provocar perdas de até US$ 11 bilhões nas transações entre os dois países. Em entrevista ao Central de Notícias, do SBT News, o diretor de Políticas Públicas da Amcham, Fabrizio Panzini, afirmou nesta quinta-feira (16) que as tarifas devem atingir ao menos 26% das exportações brasileiras. Para Panzini, apesar das tensões recentes, a relação entre Brasil e Estados Unidos vai além da questão tarifária. “É uma relação bicentenária, muito benéfica para os dois lados, com forte troca de tecnologia, inovação e investimentos. São mais de 4.000 empresas americanas atuando no Brasil, e os Estados Unidos são o principal destino dos investimentos brasileiros”, disse. Para o especialista, o tempo pode ser um fator importante para o avanço das negociações. “Há áreas mais sensíveis, como meios de pagamento, que exigem maior maturação. Além disso, os Estados Unidos estão envolvidos em diversas frentes de negociação, como a revisão do USMCA (Acordo entre Estados Unidos, México e Canadá) e as tratativas com a Índia. Um prazo mais amplo pode ajudar ambas as partes a assimilarem o cenário e avançarem em novas rodadas”, afirmou. Na noite de quarta-feira (15), o governo dos Estados Unidos confirmou a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre a maior parte dos produtos brasileiros exportados ao país, com início previsto para 22 de julho, ampliando a tensão comercial. Em nota, a Amcham afirmou que a medida pode aprofundar a retração do comércio bilateral, que já caiu 13% no ano, levando a participação dos Estados Unidos no comércio exterior brasileiro ao menor nível da série histórica. A entidade também alertou para possíveis impactos negativos sobre os investimentos. “Esperamos que os governos do Brasil e dos Estados Unidos mantenham abertos os canais de diálogo. Embora não tenha sido possível alcançar um acordo, as negociações se intensificaram nos últimos meses e seguem sendo o caminho mais eficaz para a retirada das sobretaxas e a construção de uma agenda bilateral mais ampla. Esse esforço torna-se ainda mais urgente diante da probabilidade de novas tarifas no âmbito da investigação da Seção 301 sobre trabalho forçado, que poderão elevar as sobretaxas sobre produtos brasileiros para até 37,5%”, afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil. São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/economia/tarifa-dos-eua-pode-custar-us-11-bi-ao-brasil
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